Guia da Semana

Em tempos de eleição, "O Candidato Honesto" faz crítica à política brasileira

Com críticas e piadas levianas, o filme tenta, sem sucesso, conquistar o espectador

Completando o calendário de estreias de 2014, chega aos cinemas em 2 de outubro, “O Candidato Honesto”. O filme entra para o ranking de longas brasileiros que prometem ser sucesso de bilheteria; quanto à crítica e público, entretanto, a reação pode não ser tão animadora. Depois do fiasco de “Vestido Pra Casar”, Leandro Hassum tenta, mais uma vez, cativar o espectador com os trejeitos e piadas tão característicos de suas personagens. Acontece que a fórmula parece ter cansado e nem seu talento como comediante é capaz de salvá-lo do fracasso. Apesar de tudo, o Guia da Semana resolveu dar uma chance ao filme. Confira.

Hassum dá vida a João Ernesto, militante do Sindicato dos Motoristas de Ônibus, que assim como Lula, acabou adentrando o mundo da política. Sua imensa popularidade o levou ao segundo turno das eleições, prevendo a sua chegada à tão sonhada presidência. Corrupto convicto e adepto de mentiras no melhor estilo “eu não sei de nada”, João Ernesto tem os seus dias de charlatão contados quando recebe, no leito de morte da avó, uma poderosa mandinga: a de não conseguir mais contar mentira alguma. A partir daí, o filme entra em uma emaranhada rede de confusões, cujo aspecto “mágico” nos faz lembrar do divertido “Se Eu Fosse Você”.

Mesmo que fantasiada de comédia, uma pseudo crítica ao nosso sistema político é colocada em pauta - em tempos de eleição, “O Candidato Honesto” chega na hora certa. Perceba que, mesmo que as circunstâncias sejam claramente inspiradas no cenário real, bandeira alguma é levantada. O partido da personagem de Hassum é o “Pica-Pau”, alusão direta aos tucanos; o caráter corrupto, em contrapartida, remete às críticas direcionadas ao PT. A bancada religiosa do Congresso e o Partido Verde também não ficam de fora das línguas "afiadas". No final, tudo é tratado com muita leviandade, como se o único problema político do Brasil fosse a corrupção. As (poucas) risadas tomam o lugar da crítica, levando a reflexão ao nível de percepções generalizadas à la Revista Veja.

Se o preconceito novelesco, típico de algumas comédias brasileiras, parece ter sido deixado de lado, ledo engano. Não demora para que pitadas de machismo e estereotipização pipoquem na tela. Após estreias e mais estreias, é triste perceber que o cinema comercial brasileiro acaba sempre caindo em algum clichê – seja ele ofensivo ou não. É claro que surpresas e talentos, felizmente, não são raridades. Para se divertir ou encarar um cinema mais inteligente, de qualquer forma, prefira o segundo caso. 

Atualizado em 3 Out 2014.

Por Ricardo Archilha
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