Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Era Uma Vez em Nova York” questiona a moralidade em tempos de cabaré

Marion Cotillard, Joaquin Phoenix e Jeremy Renner protagonizam drama de época.

Jeremy Renner interpreta um mágico (Divulgação)

Ewa Cybulska (Marion Cotillard) é uma mulher solteira polonesa – isso, por si só, conspira contra ela naquele início de século XX. Depois de ver seus pais mortos durante a guerra polaco-soviética, ela e a irmã Magda embarcam num navio rumo a Nova York, onde, acreditam, seus parentes esperam por elas.

O destino de Ewa em "Era Uma Vez em Nova York", drama de época de James Gray, não poderia ser mais previsivelmente desastroso: separada da irmã e quase deportada por “moral duvidosa”, o primeiro aliado que faz é um cafetão (Joaquin Phoenix, que já trabalhara com Gray em “Os Donos da Noite” e “Amantes”).

Obrigada a pagar o “tratamento” de Magda até o fim da quarentena (pois suspeitam de tuberculose), a imigrante não demora a se encaixar no esquema de seu novo chefe – tornando-se uma das garotas mais requisitadas de Bruno (Phoenix).

A personagem de Cotillard é tudo o que se espera da atriz: seus olhos têm um ar desconfiado e ao mesmo tempo superior, atento a qualquer deslize de seus adversários. O espectador pode se deixar enganar por sua inocência inicial, mas logo fica claro que Ewa tem seus próprios objetivos e que é ela quem manda no jogo.

O filme brinca com a ambiguidade moral de Ewa, assim como de Bruno e de Orlando, o mágico interpretado por Jeremy Renner. Orlando se encanta pela beleza de Ewa, mas sua vontade de salvá-la irrita o cafetão, que tem um histórico de divergências com Orlando e, no fundo, também acredita estar ajudando a moça.

O público nunca saberá qual dos três estava agindo pelas razões certas, nem quais seriam as razões certas no caso de cada um. Por isso, a trama que parecia óbvia e excessivamente melodramática vai se enroscando aos poucos até o ponto em que tudo pode acontecer.

O figurino, a cenografia e a fotografia são um prazer à parte, transportando o espectador para o perigoso e sedutor sub-mundo de cabarés. Já o elenco impressiona, trabalhando nas sutilezas e nos exageros com igual desenvoltura. “Era Uma Vez em Nova York” evolui com os minutos, passada a impressão inicial de mesmisse. A verdade é que há muito mais ali do que uma simples imigrande, um cafetão e um mágico. Basta olhar com atenção.

Assista se você:

  • Gosta de filmes de época
  • Gosta de filmes com atores muito versáteis
  • Quer ver um drama com reviravoltas surpreendentes

Não assista se você

  • Não gosta de filmes de época
  • Não gosta de filmes de drama
  • Procura um filme com mais ação e humor

Por Juliana Varella

Atualizado em 11 Set 2014.

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