Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Filme compara militância dos anos 60 à dos jovens de hoje

Em A Memória Que Me Contam, ex-militantes de esquerda revisam seus ideais diante da morte de uma companheira.

Miguel Thirré e Patrick Sampaio vivem um gasal gay no filme de Lucia Murat (Divulgação)

O conflito da esquerda com seus métodos de luta, válidos em outros tempos, mas falidos agora, é o que move o novo filme de Lucia Murat, A Memória Que Me Contam. O longa resgata questões políticas mal-resolvidas numa homenagem a uma personagem real (Vera Silvia Magalhães), mas arrisca se tornar cansativo pelo mesmo motivo que o faz diferente: trocar o que poderia ser uma narrativa focada em conflitos familiares por uma sequência de retratos estáticos de personagens e ideias.

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Ana (interpretada por Simone Spoladore) foi a mais radical de um grupo de amigos militantes nos anos 60. Presa e torturada como tantos outros, ela parece ter guardado mais a dor, que se refletiu depois numa mente desequilibrada e uma saúde instável. Hoje, ela está à beira da morte numa cama de hospital. À sua volta, reúnem-se os antigos companheiros e seus filhos, novos revolucionários à sua maneira.

As dúvidas começam a aparecer quando Paolo, um dos amigos, é extraditado à Itália para ser julgado por seus crimes de guerrilha – crimes que, ironicamente, todos ali cometeram e hoje fingem condenar. Ana, em sua figura jovem, ouve suas indagações como se estivesse ali, e às vezes dialoga com os personagens na tentativa de trazer as certezas da militância de volta aos companheiros já envelhecidos. Suas reações, ao que parece, é que determinarão se Ana voltará a lutar ou desistirá da vida. A atriz Irene Ravache interpreta a melhor amiga de Ana, Irene, mesma personagem do longa Que Bom Te Ver Viva de 1989.

Enquanto a geração dos pais tenta se eximir da culpa por ter falhado, ou por ter lutado, os filhos de vinte-e-poucos anos assumem pequenas atitudes pessoais libertadoras, como levar a arte a comunidades pobres ou resgatar, na ponta do lápis, uma história prestes a ser apagada.  Acusados de não terem ideais, esses jovens carregam outra bandeira: a de que a revolução deve acontecer de dentro para fora. Reforçando essa postura liberal-individualista do jovem contemporâneo está o casal homossexual formado por Eduardo (Miguel Thirré) e Gabriel (Patrick Sampaio), que protagoniza uma cena de amor apaixonada, dirigida com delicadeza suficiente para provocar o espectador sem soar apelativa.

A Memória Que Me Contam estreia no dia 14 de junho em todo o país.


Por Juliana Varella

Atualizado em 17 Jun 2013.

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