Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Mil Vezes Boa Noite” explora os conflitos entre uma fotógrafa de guerra e sua família

Juliette Binoche e ator de Game of Thrones contracenam em drama de diretor norueguês.

Juliette Binoche vive uma fotógrafa especialista em zonas de conflito (Divulgação)

Poucas pessoas se arriscariam a ver uma co-produção norueguesa, irlandesa e sueca, se não fosse a presença de um ou dois nomes fortes no elenco. Pois Juliette Binoche e Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister em Game of Thrones) são muito mais do que bons motivos para assistir a “Mil Vezes Boa Noite” – eles são a alma do filme.

O drama de Erik Poppe, que estreia no Brasil em novembro, conta a história de Rebecca (Binoche), uma fotógrafa especializada em zonas de conflito. Mais do que mostrar a beleza e o risco dessa profissão, o longa analisa os limites do equilíbrio entre família e trabalho, e investiga com olhar sincero o que acontece quando esses limites são ultrapassados.

A forma como Poppe revela a personagem é um prazer à parte: ainda nos créditos, pequenos círculos multicoloridos dançam dentro de um feixe de luz, iluminando um dos olhos curiosos de Rebecca. Ela está num caminhão e, alguns segundos depois, se vê clicando um grupo de mulheres cobertas em véus e burcas de múltiplas tonalidades. Entre elas, um buraco. Um túmulo. Lá embaixo, uma mulher abre os olhos.

A jovem cujo enterro está sendo simulado é uma mulher-bomba, que Rebecca resolve acompanhar até os últimos passos. Sua obsessão pela história acaba lhe custando um pulmão perfurado e um ultimato do marido Marcus (Waldau), que, mesmo sem dizer com todas as palavras, implora que ela faça uma escolha.

A postura de Marcus contrasta com os a dos colegas, que se impressionam com as fotos da artista e incentivam que continue – afinal, ela é uma das cinco melhores do mundo. Mas Rebecca também é mãe, e trabalhar em países em guerra significa não apenas estar perto da morte, mas também passar meses longe das filhas.

O dilema da fotógrafa é basicamente passional: ela ama o marido, ama as filhas, mas sente uma adrenalina incontrolável quando está em campo. Diante desse quadro, o diretor mantém um olhar neutro, deixando que a protagonista encontre suas próprias respostas. Ao espectador, sobra espaço para  questionamento, reflexão e julgamento – para uns, pode haver uma única resposta certa; para outros, não há escolha possível.

Se há um ponto fraco no drama realista de Poppe, é o excesso de otimismo em relação ao trabalho jornalístico de Rebecca. Em certo momento, um personagem chega a dizer que “suas fotos têm poder”, referindo-se à ajuda internacional que um campo de refugiados recebe após ser fotografado por ela.

Na vida real, sabemos que as coisas não funcionam tão rapidamente assim. Além de escolher entre família e trabalho, fotógrafos de carne-e-osso também precisam lidar com o fato de que suas fotos são quase sempre um registro, não uma arma, e aceitar que, sozinhos, não são capazes de transformar o horror que testemunham.

Assista se você:

  • É fã de Juliette Binoche
  • Gosta de dramas sobre família e trabalho
  • Se interessa por fotografia ou jornalismo

Não assista se você

  • Não gosta de filmes dramáticos
  • Não gosta dos filmes protagonizados por Binoche
  • Procura um filme romântico

Por Juliana Varella

Atualizado em 30 Out 2014.

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