Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“O Destino de Júpiter”: clichês, espaço e explosões

Novo filme dos irmãos Wachowski é divertido, mas não consegue amarrar a história.

Mila Kunis é Júpiter, a reencarnação da rainha do universo (Divulgação)

Imagine o seguinte filme: de um dia para o outro, a pessoa mais improvável do mundo se revela a “escolhida”, a “salvadora” ou a “herdeira” e tem que fazer as escolhas certas para salvar a humanidade. Tudo isso enquanto foge de inimigos que querem matá-la – mesmo que ainda não tenha feito nada. Quantas vezes você já ouviu essa história?

O Destino de Júpiter”, nova ópera espacial dos irmãos Wachowski, deixa de lado o experimentalismo filosófico de trabalhos anteriores (“Matrix”, “A Viagem”) e recorre aos bons e velhos efeitos especiais para contar essa história que você já conhece. A boa notícia é que os cineastas mais excêntricos de Hollywood têm um bom senso de humor, e sua premissa pode render até uma discussão mais “cabeça” após a sessão.

Mila Kunis é Júpiter Jones, uma imigrante russa que trabalha com a mãe e a tia como faxineira. Um dia, ela é atacada por pequenos alienígenas e um homem (Channing Tatum) – meio-homem, meio-lobo, na verdade – aparece para salvá-la. Ao acordar, Júpiter descobre que é a reencarnação da falecida rainha do universo, o que a coloca na mira de seus três gananciosos herdeiros (Eddie Redmayne, Douglas Booth e Tuppence Middleton).

Apesar da profusão de clichês (que diálogos românticos são aqueles?), “O Destino de Júpiter” propõe um pano de fundo interessante: os humanos tiveram origem em outro planeta e a Terra é apenas uma das muitas colônias que existem, governadas pela família Abrasax. A tecnologia dos primeiros humanos é tão avançada que já existe uma fórmula para a juventude eterna - mas isso, obviamente, vem com um custo muito alto, prestes a ser pago pelos terráqueos.

Se a ideia é interessante, a execução é um tanto espalhafatosa. Logo nos primeiros minutos, somos obrigados a encarar uma sequência de perseguição (com tiros, explosões e manobras radicais) longa o suficiente para direcionar nossos olhos para o relógio duas ou três vezes.

Por outro lado, os efeitos não decepcionam e o design de ambientes (uma mistura de clássico e futurista, com colunas, vitrais, esculturas e grandes estruturas de metal) sugere um mix de Star Wars e Blade Runner. Do figurino e da maquiagem, infelizmente, não se pode dizer o mesmo.

A preocupação em impressionar acaba deixando em segundo plano o roteiro, que parece inacabado com tantas pontas soltas. O que significa ser rainha? O que aconteceu aos outros vilões? E aos outros planetas? E todas aquelas intrigas sugeridas no início? Isso, sem contar os erros: como pode uma bota movida a gravidade funcionar no vácuo? Falta muito para que o filme esteja realmente completo.

É possível pensar que as sub-tramas foram deixadas em aberto com a intenção de desenvolver uma franquia, mas isso seria subestimar o espectador. Os Wachowskis, afinal, sabem melhor do que ninguém o que é preciso para garantir uma sequência. E não é nada disso.


Por Juliana Varella

Atualizado em 3 Mar 2015.

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