Guia da Semana
Cinema
Por Redação Guia da Semana

“Pequeno Segredo” leva ao Oscar um melodrama brasileiro com jeito de novela

Filme de David Schurmann estreia em novembro nos cinemas.

Julia Lemmertz interpreta a mãe adotiva de Kat, uma criança de saúde frágil (Foto: Divulgação)

Se você acompanhou o cinema brasileiro nos últimos meses, sabe que a briga pela vaga brasileira no Oscar 2017 foi digna de novela: “Aquarius” despontava como o favorito, colocado no radar da Academia desde sua première em Cannes e exaltado pela presença marcante de Sônia Braga (uma nostalgia expressa tanto na forma quanto no tema do filme).

O longa, porém, tinha contra si o fator político: a equipe era abertamente contra o governo de Temer e levá-lo à premiação mais assistida do mundo seria arriscar testemunhar outro protesto televisionado, como no festival francês. Quanto aos outros concorrentes, os mais badalados se retiraram da disputa e os demais, aguardaram em silêncio enquanto o seleto grupo de jurados tomava sua decisão.

No final das contas, quem ganhou as honras foi um filme muito discreto chamado “Pequeno Segredo” – um drama familiar com uma mensagem “paz e amor” que não poderia incomodar uma mosca. O longa estreia nos cinemas em novembro e, se por um lado não deve chegar nem perto dos finalistas ao prêmio americano, talvez tenha algum potencial nas bilheterias nacionais.

“Pequeno Segredo” conta a história real dos Schurmann: uma família de velejadores catarinenses que adotou uma garotinha de saúde delicada. O filme narra a infância da menina, chamada Kat, paralelamente a uma segunda história, que se amarra mais tarde, sobre o romance entre uma mulher amazonense e um homem neozelandês.

A história é bonita, mas a abordagem é bastante novelesca. Por todos os lados, somos bombardeados por frases de efeito, personagens estereotipados e metáforas desgastadas: uma tempestade prenuncia a tragédia; uma imersão na banheira ilustra angústia; um diário revela uma vida cheia de possibilidades; um voo representa a morte. Etc, etc, etc.

Em alguns momentos, os diálogos (mais fluentes em inglês do que em português) quase fazem o filme cair na comédia. No início, por exemplo, o “gringo” prepara seu melhor olhar Don Juan e diz à brasileira: “Querem nos separar porque pertencemos a mundos diferentes”. Nem adianta dizer que ninguém estava tentando separá-los. Em outra cena, a mãe dele, estrangeira e “civilizada”, compara uma brasileira branca e uma morena e dispara: “Claramente, vocês não são da mesma tribo”.

É claro que o tema pesado não deixa o público cair na gargalhada e a história, naturalmente triste, acaba se sobressaindo à linguagem. Mas a verdade é que o filme faz muito pouco para acrescentar qualquer profundidade ao discurso e fica difícil se deixar tocar por uma mensagem tão óbvia. Tudo é tão sentimental que soa falso. Uma ironia sem tamanho para uma história tão dolorosamente real.


Atualizado em 22 Set 2016.

Mais notícias

Mostras de cinema gratuitas e online para conferir em fevereiro

Cinema

Telecine Play apresenta mostra dedicada ao cinema negro e em celebração a Spike Lee

Cinema

Festival Internacional de Cinema de Trancoso: saiba tudo sobre o quarto dia da mostra

Cinema

10 filmes imperdíveis que estão em cartaz nos cinemas no feriado de 20 de novembro 

Cinema

Shopping Bourbon e Itaú Cinemas dão 30% de desconto nos ingressos em novembro; saiba mais!

Cinema

Saiba tudo sobre a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Cinema