Guia da Semana

Super-heróis no cinema: estamos no caminho certo?

Produção em massa de filmes baseados em quadrinhos levanta a discussão sobre a qualidade das adaptações.

2014 será um ano de muitos heróis – pelo menos, se depender dos estúdios de cinema. “Capitão América 2”, “O Espetacular Homem-Aranha 2”, “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (ou X-Men 5) e “Os Guardiões da Galáxia” são os nomes mais fortes, mas também podemos esperar o lançamento de“Big Hero 6”, o primeiro fruto animado da parceria da Disney com a Marvel, previsto para o final do ano.

Não é coincidência que a maioria das estreias sejam sequências: filmes com super-heróis sempre tiveram tendência a se tornarem “séries”, desde a quadrilogia de Superman, com Christopher Reeve, que durou de 1978 a 87. Isso é compreensível se pensarmos na origem das histórias, tiradas de longas sagas nos quadrinhos, muitas vezes com spin-offs e tramas alternativas explorados nas revistas.

A quantidade de filmes, porém, se multiplicou desde os anos 2000. Até então, apenas as franquias Superman e Batman (com as bilogias de Tim Burton e Joel Schumacher) e uma ocasional adaptação de Spawn haviam conquistado algum prestígio nas telas. Houve outras tentativas, como uma versão de “O Justiceiro” com Dolph Lundgren em 89, mas todas basicamente fracassadas e fadadas ao mercado de home vídeo.

Entre 2000 e 2003, entretanto, foram lançados cinco longas com heróis dos quadrinhos e todos se saíram muito bem – especialmente “O Homem-Aranha”, de Sam Raimi, que passou dos US$ 800 milhões ao redor do mundo. Isso, é claro, soou como música para os ouvidos dos donos de estúdios e, de lá para cá, mais de 30 filmes do gênero inundaram os cinemas, numa média de três por ano, com picos de até cinco (super)produções nas temporadas mais quentes.

O resultado dessa produção em massa não poderia ser diferente: cada vez mais, os filmes com selo Marvel (ou seus equivalentes da Sony e Warner) se tornam mais parecidos, como misturas pré-fabricadas de ação multimilionária, atores carismáticos e vastas piscadelas para os originais literários ou para outros filmes do mesmo “universo”.

 

Há exceções: de tempos em tempos, um diretor-autor (Tim Burton, Christopher Nolan, Guillermo Del Toro) imprime sua personalidade na franquia, transformando o produto pronto em algo com características mais pessoais e únicas (sem deixar de atender às demandas comerciais).

O problema é que, com estúdios planejando suas sequências em pacotes de curtíssima distância entre um filme e outro (“O Espetacular Homem-Aranha” terá quatro longas até 2017), fica difícil realizar trabalhos realmente originais. Além disso, também fica menos provável que bons diretores e atores aceitem se prender a um contrato por tanto tempo, em condições tão apertadas.

É por isso que Chris Evans, intérprete do Capitão América, vem pensando em largar a profissão após o término do acordo (partindo, talvez, para a direção independente, como informou à revista americana Variety). Submetida a um contrato semelhante, Scarlett Johansson ainda consegue se dedicar a outros papéis fora do universo Marvel, mas admite que também se sente "enjaulada" às vezes.

O esquema dos heróis parece tentar reviver o já datado Sistema dos Estúdios, popular nos anos 50: naquele tempo, quem ditava a identidade dos filmes eram os produtores, não os diretores. O público, porém, já mostrou que não quer que seus personagens favoritos sejam esmagados por um roteiro-padrão nem por um desfile de efeitos especiais sem consistência.

O verdadeiro sucesso, no fim das contas, não pode existir sem equilíbrio. É possível combinar direção autoral, atuação apaixonada e muito, mas muito dinheiro para a tecnologia. Por isso, talvez seja um bom momento para repensar a overdose e, quem sabe, perceber que quantidade não é (nem nunca foi) sinônimo de qualidade. 

Atualizado em 24 Abr 2014.

Por Juliana Varella
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