Guia da Semana
Exposição
Por Rafaela Piccin

Cinco bons motivos para visitar a exposição 'David Bowie Is'

Depois de estrear em Londres, Brasil é o primeiro país da América Latina a receber a mostra.

Saiba o que te espera na exposição do astro do glam-rock (Divulgação)

A exposição David Bowie Is, que começa no dia 31 de janeiro, no Museu da Imagem e do Som - MIS, merece a visita tanto de fãs como daqueles que pouco conhecem o artista. Isso porque a carga de cultura – segmentada em música, teatro, literatura, vídeo e história – é densa e altamente qualificada.

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O MIS foi o primeiro centro cultural do mundo a se interessar pela exposição após sua temporada no Victoria & Albert Museum, em Londres, e é o primeiro país da América Latina a realizar a parceria com o Reino Unido.

A trajetória de Bowie é dividida em diversas salas e instalações, que possuem desde seus figurinos emblemáticos até livros que o influenciaram suspensos no ar. Além de absorver um pouco da história mundial e da música, o espectador encontra, ao mesmo tempo, a megalomania e o minimalismo de suas várias fases e personas, retratadas na exposição da mesma forma caleidoscópica que o ícone vive.

O Guia da Semana, que já visitou - e amou - a mostra, listou cinco bons motivos para você não deixar de conferir a exposição David Bowie Is. Confira:

O visitante sente-se muito próximo de Bowie

A criatividade e o nonsense de Bowie são tão aprofundados e explicados, seja por textos, imagens ou vídeos, que o espectador compreende mais facilmente a mente brilhante do artista e, de tanta informação disponibilizada, sente-se muito mais próximo do cantor. O visitante descobre suas influências e pode criar uma identificação imediata, como ocorre quando fãs de Kubrick descobrem a relação de admiração/crítica de Bowie para com o diretor.

Ziggy Stardust já incorporou o filme 'Laranja Mecânica' a uma das turnês, que tocava sempre a música-tema do longa antes do início dos shows. Além disso, ele e sua banda foram fotografados em poses que imitavam o cartaz do filme.

Instalações criativas

A sampleada “Starman”, que, no Brasil, ganhou versão da banda Nenhum de Nós com o título “O Astronauta de Mármore”, tem um espaço especial dedicado a ela. O vídeo da canção, na qual Bowie veste o macacão colorido, é reproduzido copiosamente e geometricamente pelas paredes de espelhos que vão do teto ao chão. O espectador é muito bem recebido e partilha o espetáculo com o manequim que usa o figurino original.

Cerca de 50 figurinos originais

O figurino extravagante da apresentação no 'Saturday Night Life', em 1979, é uma das quase 50 roupas que a mostra possui. Foi feito a partir da influência de Bowie em duas peças de teatro dadaísta: uma performance de Tristan Tsara em “O Coração a Gás”, de 1923, e uma recitação de Hugo Ball, em 1916. O modelo foi idealizado pelo cantor e concretizado pela artista e designer Sonia Delaunay.

A exposição é uma aula sobre Bowie

Esta é a imagem original da capa do disco, exposta na mostra. O álbum é influenciado pelo livro “1984”, de George Orwell. O cantor ficou fascinado pela sociedade descrita na trama e quis fazer um musical com base no clássico da literatura. Como os detentores dos direitos autorais de Orwell negaram a reprodução, Bowie desenvolveu sua história de jovens violentos (os Diamond Dogs), que vagavam pela Hunger City, e apresentou sua versão em formato de show. O espetáculo rompeu barreiras, assim como grande parte de seus trabalhos, e inovou no “teatro de rock”, sendo um dos principais shows do artista. Inclusive foi a única turnê na qual o astro se apresentou com uma máscara do clássico raio que marcou sua imagem.

O passeio é uma viagem que abre a mente

Bowie é um eterno Rebel. A transgressão sexual, a inovação nos estilos, nas artes e na forma de antecipar e criar tendências mostram-no como alguém a ser interpretado e ressignificado de acordo com cada um. O espectador percebe que a primeira frase que aparece na exposição se mantém viva ao longo dela e segue como conclusão:

"Toda arte é instável. Seu significado não é necessariamente aquele sugerido pelo autor. Não existe voz autoritária. Só existem múltiplas leituras" (David Bowie).


Por Rafaela Piccin

Atualizado em 19 Fev 2014.

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