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Por Flávia Rodrigues, Pizza Fria

Ghostrunner | Review

Um jogo de temática cyberpunk, criado por um estúdio polonês… parece familiar, certo? Apesar das semelhanças, Ghostrunner, lançado em outubro.

Um jogo de temática cyberpunk, criado por um estúdio polonês… parece familiar, certo? Apesar das semelhanças, Ghostrunner, lançado em outubro de 2020 para PlayStation 4, Xbox One e PC (e em novembro para Nintendo Switch), nos apresenta um futuro distópico e altamente tecnológico de uma perspectiva diferente – na visão de uma máquina.

Escaladas, pulos e muito massacre são o plano de fundo para uma história sobre humanidade e traição, com visuais de tirar o fôlego. Escale com o Pizza Fria e descubra as muitas camadas de Ghostrunner na nossa review sobre o jogo!

Uma história de alto nível

Desenvolvido pela One More Level juntamente da Slipgate Ironworks, Ghostrunner é o protagonista da trama, um espadachim ciberneticamente modificado para proteger os habitantes da Torre Dharma, o último refúgio da humanidade, que abriga os últimos humanos após um evento catastrófico chamado de O Golpe. Quem nos conta tudo isso é O Arquiteto, uma inteligência artificial que estava presa pela Mestre Das Chaves, como é conhecida Mara, a vilã principal do jogo.

O Arquiteto se aproveita do corpo do Ghostrunner e permanece implantado em sua mente, e também permanece conosco durante todo o jogo nos dando instruções de como chegar ao topo da Torre Dharma para derrotar Mara e restaurar a humanidade da raça humana, já que ela tem planos de modificar ciberneticamente todos os humanos. No decorrer da história, Zoe, uma humana rebelde de um grupo conhecido como Os Escaladores, consegue entrar em contato com o Ghostrunner, e a partir deste ponto as coisas começam a parecer diferentes.

Ghostrunner
O estado das coisas em Ghostrunner não é dos melhores (Imagem: Reprodução)

Para um jogo tão frenético, Ghostrunner cumpria o seu papel com uma história rasa – mas os desenvolvedores decidiram criar uma trama intrigante, onde o espadachim criado em laboratório ganha consciência, ganha um nome – batizado pelos Escaladores de Jack – e, além disso, ganha empatia pelo ser humano. Jack não faz apenas o que O Arquiteto lhe comanda, ele questiona as razões da voz na sua cabeça para derrotar Mara, e passa a maior parte do tempo ouvindo O Arquiteto argumentar sobre como Zoe, desesperada pela ajuda de Jack, é nada além de um empecilho. Afinal de contas, se O Arquiteto planeja restaurar a humanidade, por que ele é tão contra a ideia de Jack ajudar uma humana? Mara realmente é tão maquiavélica como O Arquiteto nos conta?

A história de Ghostrunner é contada principalmente por diálogos in-game, portanto, eu recomendo fortemente que ao iniciar um diálogo você pare de pular e ouça o que os personagens têm a dizer, do contrário as chances de perder um conteúdo importante são grandes. Nesse ponto, o jogo e sua trama ganhariam bastante com mais cutscenes de história, mas ao mesmo tempo é compreensível a falta delas, já que comprometeriam o ritmo do jogo. As legendas totalmente traduzidas e localizadas em português transmitem perfeitamente o tom da história.

Ghostrunner
Mais semelhantes do que se esperava! (Imagem: Reprodução)

Jogabilidade

Pule! Escale! Desvie de projéteis e tente não morrer! E o principal… tenha muita paciência!

Inicialmente, Ghostrunner pode lembrar muito o consagrado Mirror’s Edge na proposta de ser um jogo com elementos de parkour, mas Ghostrunner tem personalidade o suficiente para não ser só mais uma imitação de uma fórmula de sucesso; pelo contrário, o jogo introduz novas mecânicas e melhorias de movimentação e combate sempre que as coisas começam a se tornar repetitivas, e você sempre tem um novo desafio além dos principais de escalar e sobreviver.

Ghostrunner
O jogo é cheio de personalidade e se esforça certeiramente para não ser repetitivo (Imagem: Reprodução)

Desafio, aliás, é a palavra principal para definir Ghostrunner. É um jogo desafiador do início ao fim, seja pelos obstáculos que precisam ser desviados em tempo recorde graças à velocidade do jogo, seja pelos inimigos que precisam ser desviados antes de te matarem com um one hit kill. Essa mecânica de morrer com um único tiro do inimigo, aliás, talvez seja o meu único problema com a jogabilidade de Ghostrunner, pois senti que isso muitas vezes quebrava o ritmo do jogo antes mesmo de aprender a me defender melhor.

Fora isso, esteja preparado para morrer – e muito. O jogo não é óbvio quanto ao caminho que você deve seguir, é dever do jogador criar a sua própria estratégia e escalar para o próximo andar da Torre, e isso vai levar muita tentativa e erro durante todo o jogo, principalmente durante as lutas contra chefes, que vão exigir tempo e muita, muita paciência.

Ghostrunner
Ghostrunner em alguns momentos realmente é tão caótico quanto aparenta (Imagem: Reprodução)

Novamente, para um jogo tão frenético e tão cheio de ação, teria sido o caminho mais fácil para as desenvolvedoras criarem um ambiente extremamente cômodo de ser superado, mas Ghostrunner ser desafiador é um atestado de respeito com o intelecto do jogador, que merece ser instigado a persistir até conseguir superar os obstáculos a frente e sair preparado para o próximo desafio a seguir – e não era essa a premissa dos jogos eletrônicos desde o início?

Para alguém que começou a jogar videogame em gerações passadas como eu, às vezes tenho a sensação de que os jogos hoje em dia, apesar de apresentarem histórias e estruturas mais complexas, são muito fáceis de serem dominados e completados. Com Ghostrunner, apesar dos controles simples para executar comandos como pular, atacar ou interagir com objetos, eu constantemente senti algo parecido com a nostalgia de um daqueles jogos da minha infância que me davam muito trabalho, mas eram imensamente satisfatórios de ser vencidos. Ghostrunner traz uma jogabilidade que faz o jogador trabalhar de fato para chegar ao seu objetivo, e isso não o torna um “soulslike” ou nenhum outro rótulo do tipo – é simplesmente, satisfatoriamente desafiador.

Gráficos de tirar o fôlego e uso surpreendente do Ray Tracing

A direção de arte de Ghostrunner aproveitou muito bem a estética cyberpunk para criar ambientes atmosféricos e que contam uma parte da história do jogo, onde as luzes vibrantes dos letreiros e outdoors contrastam com o concreto abatido da Torre; no último refúgio da vida, restou-se muito pouco dela. Uma dica: olhe para cima! Você vai se surpreender com a riqueza de detalhes que pode passar despercebida pela simples escolha de não olhar ao seu redor.

É visualmente impressionante como os gráficos são bem trabalhados, com uma riqueza de detalhes de encher os olhos e um ótimo uso do Ray Tracing em todas as placas e letreiros, além dos jogos de sombra e iluminação – e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo e em tempo real sem muitos problemas, fazendo de Ghostrunner dos jogos mais bem otimizados desse ano.

Ghostrunner
A direção de arte conseguiu trazer vida e a falta dela para a atmosfera de Ghostrunner (Imagem: Reprodução)

No entanto, é importante ressaltar que esse é um jogo que pode ser problemático para pessoas com fotossensibilidade e/ou alguns tipos de epilepsia; durante a primeira fase do Cibervácuo, eu pessoalmente senti um leve desconforto com alguns padrões, que rapidamente se resolveu para mim, mas pode ser preocupante para outras pessoas, e o jogo não oferece opções de acessibilidade. Tome cuidado!

Se você ama música eletrônica, Ghostrunner tem uma trilha sonora à altura, e que foi composta para manter o jogador empolgado e com uma sensação de urgência, que funciona na maioria das vezes – mas a mixagem deixa um pouco a desejar durante alguns diálogos, onde a música frenética e alta se sobrepõe as vozes. Isso pode ser resolvido com ajustes no menu de áudio, mas mudar isso sempre que um diálogo se inicia pode ser um pouco chato.

Ghostrunner
Ghostrunner traz um dos melhores usos do Ray Tracing até agora (Imagem: Reprodução)

Extras

Áudios, itens e colecionáveis que contam um pouco mais da história de Ghostrunner podem ser encontrados durante o jogo; apesar de uma das melhorias permitir marcar a localização destes extras, vai ser difícil encontrar todos de uma vez – isso pode ser um fator replay para aqueles que gostam de descobrir todos os segredos do jogo, mas pode não ser o suficiente para quem espera algo mais encorpado.

Itens cosméticos como skins para a espada de Jack também estão entre os colecionáveis, mas algumas skins podem ser desbloqueadas após lutas com chefes. A atualização mais recente adiciona o modo hardcore, que como o nome sugere, deixa Ghostrunner ainda mais insano. Desafio hardcore para nenhum Everson Zoio botar defeito!

Ghostrunner
Espadas para todos os gostos e estilos. Eu adorei usar essa! (Imagem: Reprodução)

Vale a pena comprar Ghostrunner?

De todos os jogos que conheci em 2020, esse com certeza é uma das surpresas mais agradáveis! Recomendo para os fãs de jogos de ação, para quem gosta de um bom desafio e de histórias intrigantes, ou para a turma dos gráficos impressionantes; antes da compra final, jogue a versão demo disponível na Steam – eu garanto que Ghostrunner vai te chamar a atenção!

Atualmente, é possível adquirir Ghostrunner para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC, via Steam e Epic Games Store. Um upgrade gratuito para os proprietários da nova geração de consoles está prometido e chega em 2021. O título alcançou uma média de 81 pontos no Metacritic, na versão avaliada.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela All in! Games.

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Por Flávia Rodrigues, Pizza Fria

Atualizado em 21 Dez 2020.

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