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Por Pablo Borges, Pizza Fria

Oculus Quest 2 | Review

O tão aguardado Oculus Quest 2 foi lançado e traz evoluções significativas, principalmente no hardware, justificando seu posto como sucessor do Quest original. Neste review, buscarei abordar não somente os aspectos técnicos, mas também minhas impressões e experiência de uso, após 1 mês com o Oculus Quest 2 em mãos..

O tão aguardado Oculus Quest 2 foi revelado durante o evento Facebook Connect, no dia 16 de setembro e teve seu lançamento no mês seguinte, 13 de outubro. Custando “apenas” US$ 299 na versão de 64GB, ele é o substituto direto do Oculus Quest, e trouxe evoluções significativas, que justificam seu posto como sucessor do modelo original. Iniciando uma nova geração de headsets dentro da família Oculus, o Quest 2 assumiu o posto de principal dispositivo da empresa, que anunciou a descontinuação da linha Rift, voltada exclusivamente para realidade virtual no PC.

Neste meu primeiro review aqui no Pizza Fria, buscarei abordar de forma clara os pontos positivos e negativos do Oculus Quest 2, tendo como base minha experiência com outros dispositivos de realidade virtual ao longo de 4 anos. Minha opinião será baseada não somente em dados técnicos, mas principalmente na utilização e nos testes realizados, após 1 mês com o equipamento em mãos.

Ficha técnica do Oculus Quest 2

Oculus Quest 2

O QUE VEM NA CAIXA:

  • Headset Oculus Quest 2
  • 2 controles Touch
  • 2 pilhas AA (pré-instaladas nos controles)
  • Carregador
  • Cabo USB-C
  • Espaçador para óculos
  • Manual
Processador Qualcomm® Snapdragon™ XR2 Platform
Memória RAM ​6GB LPDDR5
Armazenamento 64GB ou 256GB
Tela Resolução 1832×1920 pixels por olho / 90Hz / Painel LCD
Áudio / Microfone 2x alto-falantes stereo, 1x entrada de 3.5mm para fones de ouvido e microfone embutido
Conexão 1x porta USB-C, Bluetooth e Wi-Fi 6
Dimensões e peso 91.5 mm x 102 mm x 142.5 mm e 503g

Design e construção

A primeira coisa que notamos ao abrir a caixa do Oculus Quest 2 é a cor branco fosco, que o diferencia instantaneamente dos outros headsets do mercado. Ele também é notavelmente mais compacto que o seu antecessor e mais leve, utilizando maioritariamente um tipo de plástico premium em sua construção.

Na parte frontal do headset, contamos com 4 câmeras, posicionadas estrategicamente para permitir a captação de movimentos e também reconhecer o ambiente em volta do jogador. Na lateral esquerda estão presentes 1 entrada de 3.5mm para fones de ouvido e 1 porta USB-C, utilizada para carregamento e conexão com o PC. Na lateral direita fica o botão de liga/desliga e na parte inferior, fica o microfone embutido.

A interface facial, parte que fica em contato com o rosto do jogador durante o uso, é feita de um tipo de espuma porosa, e apesar de ser macia e agradável ao toque, acaba absorvendo muito suor, o que certamente se torna um problema de conforto e higiene em sessões de jogo mais longas. A alça, responsável por fixar o dispositivo na cabeça, é feita de um material elástico e tem um design bastante simples e fácil de ajustar. Porém, por não possuir um acabamento de espuma ou estofado, e também não ser eficiente em contrabalancear o peso do headset, é muito provável que cause desconforto quando o Oculus Quest 2 é utilizado por períodos de tempo mais extensos.

Oculus Quest 2
Design e Construção (Imagem: Reprodução)

Felizmente, tanto a interface facial, quanto a alça, foram desenvolvidas de forma modular e podem ser facilmente substituídas por modelos premium, oferecidos pela própria Oculus e parceiros oficiais, ou até mesmo modelos paralelos desenvolvidos por terceiros.

Para jogadores que tem a necessidade utilizar óculos de grau enquanto utilizam o headset, está incluso na caixa, um espaçador para óculos. Ele é montado por trás da interface facial e aumenta a distância entre as lentes e os olhos, proporcionando mais espaço para acomodar os óculos.

Tela, imagem e lentes

Uma das principais evoluções do Oculus Quest 2 foi em relação à tela e qualidade e imagem. Essa, foi uma das maiores preocupações de Mark Zuckerberg durante o desenvolvimento, que fez requisições específicas ao time de engenheiros da Oculus. E como resultado desse esforço, foi apresentada uma tela com painel LCD RGB e resolução de 1832×1920 pixels por olho, com uma taxa de atualização de 90Hz.

Traduzindo os dados técnicos para a experiência visual do usuário, o que temos, é uma tela com resolução muito alta que transformou o screen-door effect em coisa do passado, proporcionando mais imersão e nitidez aos olhos do jogador. O screen-door effect é o termo utilizado para quando conseguimos enxergar os espaços vazios entre um pixel e outro, dando a sensação de que a imagem está sendo observada por trás de uma rede de pesca.

Este efeito pode ser observado em qualquer tela com baixa densidade de pixels, porém, é muito mais notável em headsets de realidade virtual, porque os olhos ficam muito próximos da tela que é ampliada por uma lente. Em casos onde o screen-door effect é muito aparente, existe perda considerável na imersão, pois o cérebro do jogador identifica facilmente que os olhos estão observando uma tela, e não um ambiente real.

Oculus Quest 2
Screen-door effect, comparativo Quest 2 vs Quest (Imagem: Reprodução)

Outra evolução bem-vinda em relação ao Quest original, foi a taxa de atualização, que passou de 72Hz para 90Hz. A taxa de atualização é um fator importante para a maior parte da comunidade gamer , especialmente no PC. Porém, em realidade virtual ela é fator essencial não somente para a fluidez do conteúdo apresentado, mas também para o bem estar do jogador.

Quando utilizamos um headset de realidade virtual, nosso objetivo é enganar o cérebro e fazê-lo acreditar que a experiência vivenciada é verdadeira, portanto, quanto maior a taxa de atualização da tela, mais fluida e convincente será a experiência. Em alguns casos, quando a taxa de quadros por segundo diminui bruscamente, o jogador pode sentir tonturas e até mesmo náuseas, sendo recomendado interromper o uso do headset até que se recupere.

A qualidade e posição lentes também tem papel fundamental na nitidez e clareza das imagens apresentadas num headset de realidade virtual, pois é através delas que olhamos para a tela. As lentes utililizadas no Oculus Quest 2 são idênticas às do Quest, e possuem excelente qualidade e clareza. Porém, foi no ajuste de IPD (distância interpupilar) que é o espaço medido entre as pupilas dos olhos, que tivemos um retrocesso. O Quest 2 conta com apenas 3 posições fixas para se regular o IPD, que são: 58mm, 63mm e 68mm. Mas o que isso tem a ver com a qualidade de imagem?

Bem, o principal fator, é que toda lente tem um ponto ótimo de observação, que fica no centro, e é neste ponto que obtemos a maior clareza de imagem possível ao olhar para a tela. Quando observamos a lente “meio de lado”, é possível perceber distorções nas cores, reflexos indesejados e sensação de imagem embaçada.

Portanto, um ajuste de IPD preciso, permite que o centro das lentes fique perfeitamente alinhado com as pupilas, resultando em maior nitidez na imagem. Caso a distancia entre seus olhos não seja exatamente uma das 3 posições fixas do Oculus Quest 2, é provável que você encontre algum dos problemas listados acima, seja de forma leve, ou mais acentuada dependendo da distância entre os olhos. Apesar de não ser uma implementação ideal, felizmente, as distâncias fixas escolhidas conseguem suprir de forma satisfatória a maioria dos usuários.

Oculus Quest 2
Ajuste de IPD no Oculus Quest 2 (Imagem: Reprodução)

Áudio

O Oculus Quest 2 conta com dois alto-falantes estéreo, posicionados na parte interna dos “braços” que conectam a alça de cabeça à lateral direita e esquerda do equipamento. A qualidade do áudio melhorou muito pouco em relação ao Oculus Quest original, e apesar do volume ser suficiente para jogar, é muito inferior às soluções de áudio oferecidas por outros modelos. Para obter uma experiência de áudio convincente e imersiva, é fortemente recomendável utilizar fones de ouvido de boa qualidade conectados à entrada de áudio de 3.5mm presente no dispositivo.

Controles e rastreamento

Desde a primeira versão, lançada para o Oculus Rift CV1, os controles Touch são um ponto alto dos dispositivos da Oculus. Cada um possui 3 botões fixos e um analógico, dois gatilhos, feedback tátil através de vibração, e sensores que identificam o toque dos dedos sem a necessidade de pressionar nenhum botão, permitindo apontar para objetos e fazer sinal de “joia” dentro do ambiente virtual. Somando todas a funcionalidades e ergonomia, é possível utilizar os controles de forma muito natural, e as sensações transmitidas por ele são bastante convincentes.

A versão que acompanha o Quest 2 manteve a essência dos anteriores, mas sofreu alguns ajustes e alterações além da cor branca. A modificação mais aparente é o tamanho, que cresceu em relação ao seu antecessor e o espaço para descanso dos dedos, que também é maior e voltou a ser no formato circular. O consumo das pilhas diminuiu expressivamente e mesmo após 1 mês de uso, as cargas continuam em acima de 90%!

Oculus Quest 2
Controles Touch do Quest e Quest 2 (Imagem: Reprodução)

O rastreamento ou tracking dos controles é feito por um sistema de 4 câmeras posicionadas de forma angular na parte frontal do headset. Esse sistema tem suas vantagens e também seus defeitos, mas em 99% dos casos, funciona perfeitamente bem. A principal vantagem que podemos destacar é a praticidade, pois o sistema de câmeras elimina completamente a necessidade de sensores externos para rastrear os movimentos, ou seja, um passo a menos na montagem, não gasta espaço extra e elimina fios indesejados.

Outra vantagem, é a possibilidade de ativar o modo pass-through que permite visualizar o ambiente do mundo real através das câmeras, evitando que seja preciso remover o headset da cabeça para realizar alguma ação no mundo real, como exemplo, retirar algum obstáculo da área de jogo, ou até mesmo procurar uma cadeira para se sentar.

Por fim, com esse sistema também é possível ativar o hand tracking, rastreamento das mãos que permite utilizar o dispositivo sem a necessidade dos controles controles Touch. Essa era uma funcionalidade experimental do Quest, que já está está implementada oficialmente no Quest 2 e funciona de forma muito agradável. Poder controlar os menus utilizando gestos com as próprias mãos, é com certeza uma opção que soma muito no quesito naturalidade e imersão, e com certeza jogos futuros vão tirar proveito dessa capacidade.

A principal desvantagem desse sistema de rastreamento fica por conta dos pontos cegos. Como mencionado anteriormente, o sistema de câmeras é posicionado na parte frontal do headset, sendo capaz de captar de forma eficiente todos os movimentos feitos à frente do jogador, podemos dizer que até 180 graus é garantido que nada vai escapar da captação das câmeras. Porém, em situações que precisamos posicionar as mãos atrás da cabeça, ou atrás do corpo, existe perda no rastreamento e isso pode causar efeitos adversos nos jogos, como travamentos na movimentação e até mesmo ver suas mãos flutuando pelo espaço do jogo.

É importante destacar, que o software da Oculus faz um trabalho excelente em prever a movimentação, mesmo quando existe perda de rastreamento. É possível por exemplo, jogar sem problemas jogos de arco e flecha, onde é necessário levar as mãos atrás da cabeça a todo momento para sacar as flechas da aljava. Outro ponto negativo deste sistema, é a precisão inferior quando comparado a sensores externos. Porém, esse fator é minimizado pela excelente implementação do sistema de câmeras, somado ao software da Oculus. Posso afirmar que durante um mês de uso, foram raríssimas as vezes que percebi alguma falha no rastreamento.

Hardware

Além da tela fantástica, tivemos outra evolução expressiva no Oculus Quest 2, que foi o hardware! Dessa vez, foi utilizado um processador Qualcomm® Snapdragon™ XR2, que é uma nova versão do Snapdragon 865, desenvolvida especificamente para dispositivos de realidade virtual e realidade aumentada. Graças à ele, foi possível mais do que dobrar a performance em relação ao Quest original, que utilizava um Snapdragon 835.

Além da pura performance do novo processador, que pode ser sentida instantaneamente ao utilizar o dispositivo (até mesmo o tempo para ligar foi reduzido), a nova plataforma Snapdragon XR2 também foi a grande responsável pelo aumento de resolução da tela em 50%, os tão aguardados 90Hz e também evoluções gráficas nos jogos já existentes para o Quest. Além disso, graças à maior capacidade de decodificação foi possível aumentar drasticamente a qualidade do Oculus Link, que falaremos a seguir. Somados ao novo processador, temos 6GB de memória RAM LPDDR5, e armazenamento de 64GB ou 256GB dependendo do modelo adquirido.

Utilização all-in-one, Oculus Link e Software

Por natureza, o Oculus Quest 2 é um headset de realidade virtual all-in-one, ou seja, todo o hardware necessário para fazê-lo funcionar, está contido dentro do próprio headset. Em termos mais simples, isso significa que ele não precisa de um computador ou console para ser utilizado, permitindo total liberdade e portabilidade do dispositivo. Com uma carga completa da bateria, ele pode ser levado para qualquer lugar e utilizado por aproximadamente 2 horas e 30 minutos antes de descarregar ( esse tempo varia de acordo com a utilização de cada usuário), já o tempo para carregá-lo por completo novamente fica em torno de 2 horas.

Nessa categoria, o Quest 2 segue soberano no mercado, com uma biblioteca de jogos exclusiva e sem competidores até a data desta publicação. Os jogos desenvolvidos para rodar nativamente no Quest e Quest 2 são polidos e bem otimizados e vários ports de jogos de PC foram feitos para rodar nativamente neles e a verdade é que muitas vezes fica difícil acreditar que todo o processamento é feito numa plataforma mobile.

Como relatado acima, a característica all-in-one por si só, já seria suficiente para garantir uma posição de destaque no universo VR, porém, o grande trunfo do Oculus Quest 2 é o Oculus Link, que permite conectá-lo a um PC através de um cabo USB-C, dando acesso a todos os jogos compatíveis com VR no computador! Essa tecnologia começou em beta, ainda no Quest original, e já dava sinais que seria uma transição da Oculus para uma uma linha unificada de headsets, pois anteriormente mantinha a linha Rift para PC e Quest como dispositivo all-in-one.

O Oculus Link saiu da fase beta durante o mês de novembro de 2020 e transformou o Oculus Quest 2 oficialmente num headset híbrido, ou seja, pode ser usado tanto de forma independente, quanto plugado no computador, como um VR nativo para PC. Tudo que você precisa é de um cabo USB-C com alta taxa de transferência de dados, ou pode também optar por conectar o Quest 2 ao computador totalmente sem fios, por métodos não oficiais.

O software, de modo geral, é outro ponto positivo. Porém, houve uma grande polêmica sobre privacidade, quando foi anunciado que seria obrigatório que os usuários utilizem uma conta do Facebook para logar no dispositivo! Ao ligar o Oculus Quest 2 pela primeira vez, você é guiado pelo processo de configuração inicial, que consiste em basicamente em fazer login (com uma conta do Facebook), parear os controles Touch e configurar a área de jogo.

Tudo isso é feito de forma rápida e prática, e em poucos minutos já está tudo pronto para usar. Depois da etapa de configuração inicial, você se depara com um ambiente virtual onde são apresentados os menus, que incluem diversas opções de navegação, como a loja oficial da Oculus, biblioteca de apps e jogos, navegador de internet e configurações adicionais do dispositivo. Também é possível espelhar a imagem que está sendo vista no headtset em um celular, TV com chromecast, ou num computador via navegador de internet, dessa forma quem estiver assistindo, pode acompanhar tudo que acontece enquanto outra pessoa joga.

Opções de interação e comunicação comuns em consoles e PC, como bate papo por voz e possibilidade de convidar amigos para a mesma sessão de jogo que você está também estão presentes. Por fim, existe o app da Oculus para smatphone e PC, nele é possível fazer compras na loja oficial e também configurar determinados aspectos sem a necessidade de utilizar o headset.

Vale a pena comprar o Oculus Quest 2?

Sem dúvidas, o Oculus Quest 2 foi o lançamento mais relevante de 2020 no segmento realidade virtual. Na verdade, ouso ir além, pois na minha opinião, esse foi o lançamento mais relevante na história dos dispositivos de realidade virtual modernos. A característica all-in-one, preço extremamente atrativo e a praticidade na utilização, são os grandes diferenciais quando levamos em consideração o apelo para novos usuários, que nunca tiveram contato prévio com realidade virtual.

Porém, com a implementação oficial do Oculus Link, evolução significativa no hardware e tela com excelente resolução e taxa de atualização, ele também supre com louvor todas as necessidades do entusiasta, que já faz parte desse mundo! É muito fácil recomendar o Oculus Quest 2 para qualquer pessoa, seja ela “marinheiro de primeira viagem”, ou veterano buscando um upgrade do seu headset antigo, pois apesar de não ser perfeito, o Quest 2 evoluiu onde realmente importa e cortou custos em aspectos que podem ser modificados pelo usuário mais exigente.

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Por Pablo Borges, Pizza Fria

Atualizado em 3 Dez 2020.

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