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Por Lucas Soares, Pizza Fria

The Medium | Review

The Medium é um jogo de terror psicológico em terceira pessoa, anunciado durante o Inside Xbox que revelou jogos para.

The Medium é um jogo de terror psicológico em terceira pessoa, anunciado durante o Inside Xbox que revelou jogos para o Xbox Series X|S, em maio do ano passado. Desenvolvido pelo Bloober Team, responsável por Observer: System Redux e Blair Witch, o game foi apresentado como o mais ambicioso projeto do estúdio, e o fato de ser um exclusivo da nova geração de consoles levantou bastante expectativa.

Através de um conceito de realidade dupla, em que o jogador deve controlar a mesma personagem em ambientes diferentes, a proposta logo chamou atenção, já que os desenvolvedores chegaram a afirmar que as capacidades técnicas dos consoles seriam fundamentais para a execução do jogo. Agora, com o produto final em mãos, pudemos confirmar se o título merece sua atenção neste começo de ano. Pegue seu pentagrama, pois vai começar mais uma review antecipada do Pizza Fria!

Em busca da verdade

The Medium nos coloca no papel de Marianne, uma jovem com poderes sobrenaturais. Ela é uma médium, ou seja, uma pessoa que consegue se comunicar com o mundo espiritual e ajudar almas a encontrarem paz após a morte. Em determinado momento do jogo, ela chega a se comparar com Caronte, o barqueiro de Hades, que na mitologia é o responsável por carregar as almas dos recém-mortos do mundo dos vivos para o dos mortos.

Mas Marianne, desde pequena, tem o mesmo sonho: a visão de um assassinato de uma criança, e ela é incapaz de dizer se é um pesadelo, uma memória ou mesmo uma premonição. Após uma perda, ela recebe um telefonema de um homem misterioso, solicitando que ela o encontre em um hotel abandonado, prometendo todas as respostas que ela procura.

The Medium
A realidade dupla é um dos principais atrativos de The Medium (Imagem: Divulgação)

A curiosidade e a necessidade de autoconhecimento falam mais alto e assim nossa médium parte em busca dessas respostas. Mas, ao chegar no Niwa Resort, o local em que ela deveria encontrar esse misterioso homem, ela só encontra mais perguntas e dúvidas.

The Medium nos oferece uma história em que gastei cerca de 8h30 para finalizar. Sua narrativa e seus personagens, em especial Marianne, são bem desenvolvidos. E a história se fecha, mas deixa alguma brecha para uma continuação, até porque o game nos oferece uma cena extra após os créditos subirem. Será que vem mais por aí?

Terror ou Walk Simulator?

The Medium foi anunciado como um jogo de terror psicológico em terceira pessoa, mas eu provavelmente apontaria o game para outro gênero. Embora o título traga momentos de tensão, o terror está apenas em abordar um tema que envolve espíritos em outro plano de existência. Em 90% do tempo que passei jogando o título, foi explorando ou andando em busca de documentos que ajudam a explicar a narrativa, ou resolvendo os muitos puzzles que estão dispostos no jogo. Susto foi apenas um, um jump scare sem sentido, logo no começo do game. E, por mais que o jogo se esforce para criar uma atmosfera mais tensa, ele falha em alguns momentos.

Isso porque The Medium não oferece combate. Marianne é uma médium, e teoricamente está sozinha em um hotel abandonado. Não há acesso à armas de fogo para combater alguém no mundo real, e seus poderes no mundo espiritual são limitados. A única defesa dela, ao fazer uma transição espiritual – o nome que o jogo dá quando você controla apenas a alma de Marianne, e não o corpo, é um escudo contra mariposas que são letais do outro lado.

The Medium
Em alguns momentos, é preciso ir para o mundo espiritual e resolver puzzles por lá (Imagem: Divulgação)

Assim boa parte dos quebra-cabeças do jogo são dispostos. Você terá que interagir com objetos em ambos os planos de existência para progredir, e por muitas vezes, esses objetos estão distantes e há uma quebra na imersão. Nem mesmo The Maw, a entidade que é a principal antagonista do jogo, com uma excelente dublagem de Troy Baker, consegue te assustar quando há essa quebra. Na verdade, em alguns momentos em que temos contato com ela, precisamos ser furtivos, enquanto em outros, há apenas a forte voz de Baker ao fundo, e The Maw nem no mesmo ambiente está.

Soma-se a isso o fato de The Medium ser um jogo extremamente linear. Não há como voltar após avançar entre os mapas, e isso até facilita um pouco o jogo, afinal, é notório que tudo que você precisa para avançar vai estar naquele ambiente em questão. Não chega a ser um ponto negativo, visto que o foco do jogo é justamente esse, mas algumas pessoas podem se sentir desencorajadas pela falta de desafios.

O trabalho audiovisual

The Medium é o primeiro jogo oficialmente next-gen a ser lançado para Xbox Series X|S. Ou seja, não há nenhuma versão prevista para a geração anterior de consoles. Com isso, houve uma considerável expectativa sobre como o game iria se portar, tanto graficamente, quanto em seu desempenho. Apesar de ser lançado para consoles exclusivamente no Xbox Series X|S, o título também ganhou versões para PC. Nesta análise, utilizamos a versão Steam do jogo, em um i5 7600 equipado com uma GTX 1080 – ou seja, sem ray tracing,

Mesmo com configurações de duas gerações passadas, The Medium teve um comportamento razoável. Com as configurações pré-definidas para o alto, em uma tela ultrawide, o game manteve estáveis os 30 FPS prometidos. Eu até tentei subir para 60 FPS, e o game entregava, mas à um custo alto, já que a temperatura da minha placa de vídeo bateu 91ºC nessas configurações. Ao rodar em 30 FPS, não passava de 80ºC.

The Medium
A Tristeza é uma das intrigantes almas perdidas no Niwa Resort (Imagem: Divulgação)

E apesar destes dados um pouco assustadores para entusiastas de computação, The Medium não traz gráficos tão detalhados assim. Os ambientes são bem construídos, é verdade, assim como as expressões faciais de Marianne e outros personagens que encontramos (os devs até usam um recurso interessante de máscaras para não criar tantas faces assim), mas os cabelos são esquisitos, bem como detalhes de pegadas na floresta e em poças d’água. Isso, certamente, aumentaria a imersão.

Por fim, a imersão em The Medium é impulsionada pela ótima ambientação sonora do jogo. Se não há detalhes gráficos ao andar na floresta ou nas poças d’água, a sonorização desses ambientes beira a perfeição. Ao jogar com um headset com áudio 7.1, nota-se que os detalhes – nesse quesito -foram muito bem feitos. A trilha sonora, de um modo geral, é ótima e cumpre perfeitamente seu papel.

Vale a pena comprar The Medium?

The Medium é um jogo que pode ser contraditório, porque não se encaixou bem em sua proposta original. Talvez eu mesmo tivesse outras expectativas, mas para mim, os devs miraram em um alvo e acertaram outro. Isso não o tornou ruim, mas possivelmente algumas pessoas podem se sentir afastadas logo nos primeiros minutos pela obra.

Mas com uma narrativa interessante e misteriosa, além de um ótimo trabalho de ambientação gráfica e sonora, e o tal do gameplay em uma realidade dupla, são motivos suficientes para motivar seguir com a jogatina e finalizar o jogo. Até porque não é um título longo.

The Medium chega nesta quinta-feira, 28, para Xbox Series X|S e PC, via Steam, Epic Games Store e Microsoft Store. O game faz parte do programa Xbox Play Anywhere, em que uma única cópia adquirida na Microsoft Store permite que o game seja jogável tanto no console, quanto nos computadores. Além disso, ele estará disponível já no lançamento para assinantes Xbox Game Pass jogarem no primeiro dia, em ambas as plataformas.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce GTX, com código fornecido pelo Bloober Team.

Pizza Fria

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Por Lucas Soares, Pizza Fria

Atualizado em 28 Jan 2021.

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