Guia da Semana
Literatura
Por Nathália Tourais

10 livros clássicos de romance que você precisa ler

Saiba quais são os livros que não podem faltar na sua prateleira.

O romance é o meio mais forte e flexível de transmitir pensamento e emoção de um ser humano para outro (Fotolia)

Há alguns anos, falava-se em crise do romance, época em que alguns escritores afirmavam que o gênero havia morrido. Logo em seguida, o escritor Gabriel Garcia Marquez disse em uma entrevista que se alguém diz que o romance está morto, não é o romance, e sim a própria pessoa que está morta. O tempo passou, vimos que o eterno Gabo estava certo e que, na verdade,  a única verdadeira crise só acontece quando um escritor deixa de escrever.

Por isso, em homenagem ao herdeiro da epopéia - texto feito em versos - o Guia da Semana listou 10 clássicos românticos que você precisa ler. Confira:

1- Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes 

A primeira edição de Dom Quixote foi publicada em 1605. Com ela, Miguel de Cervantes não só escreveu um clássico da literatura, como nos trouxe o romance moderno e ajudou a firmar gênero, que veio a substituir a epopéia. 

A obra, considerada pela crítica atual o melhor livro de todos os tempos, fala sobre as aventuras de um fidalgo que perdeu a razão por ler muitos romances de cavalaria, o que o faz imitar seus heróis. 

O encanto nasce do descompasso entre o idealismo do protagonista e a realidade na qual ele atua. Cem anos antes, Quixote teria sido um herói a mais nas crônicas ou romances de cavalaria, mas ele havia se enganado de século. Isso permitiu ao autor fazer uma sátira de sua época, usando a figura de um cavaleiro medieval em plena Idade Moderna para retratar uma Espanha que, após um século de glórias, começava a duvidar de si.

 

2- As viagens de Gulliver - Jonathan Swift 

O livro é um clássico da literatura inglesa e trata-se de um romance satírico. A história fala sobre um naufrágio do navio onde Gulliver seguia em viagem e que, após o acidente, passa por quatro ilhas. Em cada uma delas o autor traz questionamentos e críticas simplesmente incríveis.

A primeira se chama Lilliput. Lá, os habitantes da terra eram extremamente pequenos e viviam em guerra por futilidades, mostrando ao leitor a realidade inglesa e francesa da época. Em seguida, o personagem conhece Brobdingnag, a terra dos gigantes, onde percebe a dimensão da mediocridade da sociedade inglesa diante seus habitantes. Já na terceira ilha, Flutuante de Laputa, o autor critica a Royal Society, administração inglesa na Irlanda e a imortalidade. Através da descrição dos habitantes dos países por onde Gulliver passou, com alienados cientistas, é uma feroz crítica ao pensamento cientifico que não traz benefícios para a humanidade. Na última viagem, Gulliver encontra os Houyhnhm, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, que representavam os ideais da verdade e da razão, mas temiam que alguém dos yahoos (uma raça imperfeita de um tipo de "humanos") movidas por instintos primitivos, se tornasse culto, satirizando a raça humana.

Gulliver vê a humanidade como yahoos e toma nojo do ser humano. Por fim, o aventureiro volta à Inglaterra para ensinar aos outros as virtudes que aprendera durante as viagens.

3- A vida era assim em Middlemarch - George Elliot 

Escrito em 1869, o livro descreve e analisa o império inglês nos anos conturbados que antecedem a ascensão da rainha Vitória.

Mesmo sendo um romance do século XIX, a história rompe as barreiras da época e chega até os dias atuais de forma sólida e extremamente humana. 

Middlemarch narra os principais acontecimentos na vida dos habitantes da região e o modo como estas vidas, apesar de independentes, se cruzam perante as adversidades. Traz a dificuldade de um jovem médico para conquistar clientela; um moço vazio que faz da sua vida a espera por uma herança que lhe foi prometida e se perde em dívidas sem poder quitá-las já que, para sua decepção, ele não é o beneficiário do testamento; um pastor religioso viciado em jogo; o casamento falido e decepcionante de Dorothea e sua viuvez marcada por um testamento que lhe tiraria a fortuna do marido caso ela se casasse com o homem que ama verdadeiramente, sendo este parente do falecido cônjuge, com o qual ela se casara movida justamente pela vaidade intelectual de ter um homem culto ao seu lado; o casamento de Rosamond e o consequente endividamento de Lydgate devido a despesas da união matrimonial que lhe exigiu a manutenção de um nível de vida que sua renda não conseguia suportar.

4- E o vento levou... - Margaret Mitchell 

Publicado pela primeira vez em 1936, ganhou prêmios literários, teve mais de 30 milhões de cópias vendidas e foi traduzido para mais de 30 idiomas - inclusive braile. 

Disposta cronologicamente, a envolvente história, passada no Sul dos Estados Unidos, retrata a vida de Scarlett O'Hara, filha mimada de um rico dono de plantação algodoeira, que deve usar todos os meios a sua disposição para sobreviver durante a Guerra Civil Americana e, posteriormente, ao período da Reconstrução.

As páginas mostram a transformação da personagem impetuosa que faz tudo para conseguir o que deseja. Frustrada por não conseguir se casar com Ashley Wilkes, acaba se envolvendo com o charmoso aventureiro Rhett Butler, com quem vive uma das histórias de amor mais célebres e conturbadas da literatura. A autora descreve a guerra de maneira impressionante e retrata as grandes mudanças que pavimentaram a história dos Estados Unidos e enterraram para sempre um estilo de vida.

5- Cem anos de solidão - Gabriel García Marquez 

Prêmio Nobel da Literatura em 1982, é considerada uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. O autor narra a incrível história da família Buendía, uma estirpe de solitários que habitam a mítica aldeia de Macondo. A narrativa desenvolve-se em torno de todos os membros dessa família, com a particularidade de que todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula, uma personagem centenária e uma matriarca das mais conhecidas da história da literatura. 

 

 

 

 

 


6- O grande Gatsby - Scott Fitzgerald

Este clássico do século XX retrata a alta sociedade de Nova York na década de 1920, com sua riqueza sem precedentes, festas nababescas e o encanto das melindrosas ao som do jazz. O sol em ascensão desse universo cintilante e musical é o enigmático milionário Jay Gatsby, ao redor do qual orbitam três casais glamourosos e desencontrados, numa trama densa, repleta de intrigas, paixões e conflitos que precipitam o trágico eclipse.

Recriação soberba de um dos períodos mais prósperos da história dos Estados Unidos, o livro é uma crítica mordaz à insensibilidade e imoralidade revestidas de ouro da chamada Era do Jazz, e um dos melhores romances já escritos no país.

 

 

 

 

7- Admirável mundo novo - Aldous Huxley

Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932 e narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e as regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. 

A sociedade desse futuro criado pelo autor não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida e o conceito de família também não existe.

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.
 

8- Os filhos da meia noite - Salman Rushdie 

O romance Os Filhos da Meia-Noite é a obra-prima que rendeu fama, fortuna e também o prestigiado Booker Prize --principal prêmio literário do Reino Unido.

O protagonista da trama é o indiano Salim, um dos bebês que nasce no dia 15 de agosto de 1947, no exato momento em que a Índia conquista sua independência da Grã-Bretanha. A partir da vida deste personagem, relatada em primeira pessoa, Salman Rushdie conta a envolvente e irresistível história da Índia como nação soberana.

A história tem elementos de realismo mágico, numa trama em que o real convive com o sonho, o inexplicável e a mitologia.

 

 

 

 

9- Mrs. Dalloway - Virgínia Woolf

A história narra um dia na vida de Clarissa Dalloway, uma socialite ficcional que vive na Inglaterra pós Primeira Guerra Mundial. O romance mostra as preparações da personagem para uma festa que ela hospedará nessa noite. Com uma perspectiva interior, a história passa pelo futuro e pelo passado no tempo e dentro e fora da mente dos personagens para construir uma imagem da vida de Clarissa e da sua estrutura social entreguerras.

 

 

 

 

 

10- Amada - Toni Morrison

A história se passa nos anos posteriores ao fim da Guerra Civil, quando a escravidão havia sido abolida nos Estados Unidos. Sethe é uma ex-escrava que, após fugir com os filhos da fazenda em que era mantida cativa, foi refugiar-se na casa da sogra em Cincinatti. No caminho, ela dá à luz um bebê, a menina Denver, que vai acompanhá-la ao longo da história.

Amada tem uma estrutura sinuosa, não-linear: viaja do presente ao passado, alterna pontos de vista, sonda cada uma das facetas que compõem esta história sombria e complexa. Considerado um clássico contemporâneo, faz um retrato a um tempo lírico e cruel da condição do negro no fim do século XIX nos Estados Unidos.

 


Por Nathália Tourais

Atualizado em 23 Fev 2015.

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