Guia da Semana
Literatura
Por Nathália Tourais

10 livros de Mario Vargas Llosa para ler

Muitos dos títulos do escritor peruano abordam temas de hierarquias sociais e raciais.

10 livros de Mario Vargas Llosa que você tem que ler (Reprodução)

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é conhecido por suas obras intensas, profundas e densas, que criticam e abordam temas que rondam a hierarquia de castas sociais e raciais no Peru e em toda América Latina. 

Sua principal abordagem é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru e, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre. Entretanto, alguns de seus livros são auto biográficos, como A Cidade e os Cachorros, que recebeu o Prêmio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prêmio da Crítica de 1963.

Assim, para que você conheça mais sobre seu trabalho, o Guia da Semana lista 10 livros incríveis que você deveria ler. Confira:

A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO

A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são características da sociedade contemporânea - a ideia temerária de converter em bem supremo a natural propensão humana para o divertimento. Este é o tema central do ensaio de Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura em 2010. Nele, o escritor diz que no passado a cultura era uma espécie de consciência que impedia que virássemos as costas para a realidade. Hoje, lamenta Llosa, a cultura atua como mero mecanismo de distração e entretenimento. Para ele, 'a ideia ingênua de que, através da educação, se pode transmitir cultura à totalidade da sociedade, está destruindo a ‘alta cultura’, pois a única maneira de conseguirmos essa democratização universal da cultura é empobrecendo-a, tornando-a cada dia mais superficial'.

 

 

 

TRAVESSURAS DA MENINA MÁ

O peruano Ricardo vê realizado, ainda jovem, o sonho que sempre alimentou - o de viver em Paris. O reencontro com um amor da adolescência o trará de volta à realidade. Lily - inconformista, aventureira e pragmática - o arrastará para fora do pequeno mundo de suas ambições. Ricardo e Lily - ela sempre mudando de nome e de marido - se reencontram várias vezes ao longo da vida, em diferentes cidades do mundo que foram cenários de momentos emblemáticos da História. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; na Tóquio dos mafiosos dos anos 80; e na Madri em transição política dos anos 90. Assim, ao mesmo tempo em que conta a história de um amor arrebatador, 'Travessuras da menina má' traça um quadro das transformações sociais europeias e convulsões políticas da América Latina.

 

 

 

 

A GUERRA DO FIM DO MUNDO

Em 1977, Mario Vargas Llosa começou a escrever um romance que seguia um caminho diferente - em vez de usar suas memórias para compor uma história de forte veia cômica, ele decidiu recontar a dramática Guerra de Canudos, impressionado pela leitura, alguns anos antes, de 'Os Sertões', de Euclides da Cunha. Em 1980, após exaustivas pesquisas em arquivos históricos e viagens pelo sertão da Bahia, ele terminava 'A guerra do fim do mundo'. Nele, o escritor peruano constrói uma saga que engloba tudo - honra e vingança, poder e paixão, fé e loucura. O autor dá uma nova dimensão à história de Antônio Conselheiro, em que personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, empreendem uma saga sem paralelos na história do país.

 

 

 

 

 

 TIA JULIA E O ESCREVINHADOR

"Tia Julia e o escrevinhador" é um dos livros mais originais de Vargas Llosa. Mesclando humor e romance, o escritor narra a história de Varguitas, um jovem peruano com ambições literárias que se apaixona por uma tia com quase o dobro da sua idade. Em paralelo a esse romance proibido, na Lima dos anos 50, Varguitas conhece Pedro Camacho, autor excêntrico de radionovelas cujos enredos mirabolantes fascinam os peruanos. As novelas vão muito bem, até o dia em que Pedro Camacho, sobrecarregado, começa a confundir enredos e personagens. E, ao mesmo tempo, o romance entre Varguitas e tia Julia é descoberto pela família.

 

 

 

 

 

 

A ORGIA PERPETUA

Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Vargas Llosa não descreve apenas "por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar", descreve também das circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar "a palavra justa" em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. "A orgia perpétua" é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

 

 

 

 

 

O HEROI DISCRETO

Este é um romance que entrelaça histórias de crimes e intrigas, amores e reviravoltas. Felícito é o dono de uma empresa de transportes em Piura, no norte peruano. Um dia, antes de ir ao trabalho, se surpreende ao encontrar uma carta anônima, presa à porta de sua casa. Sua família e sua empresa serão protegidas, diz o texto, mediante um pagamento mensal. Como assinatura, uma sinistra aranha, atrás da qual se escondem os chantagistas. Mas ele é um homem que aprendeu com o pai a não se curvar a nada, e fará o possível para combater esse perigo invisível. A partir de então, mergulha numa rede de ameaças que irá colocar em risco não só seu trabalho, mas as pessoas que ama. Em paralelo, em Lima, Ismael Carrera, viúvo septuagenário dono de uma companhia de seguros, decide mudar completamente o rumo de sua vida. 

 

 

 

 

PANTALEÃO E AS VISITADORAS

O livro conta a história de Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, que recebe uma missão inesperada - criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar. O capitão tem que se mudar para Iquitos, se manter afastado dos demais militares, usar trajes civis e, acima de tudo, não contar nada à mãe e à mulher. É obrigado a trabalhar nas madrugadas, bebendo em bares infectos, e cuidar do empreendimento com personagens insólitos. Em pouco tempo o que era uma missão discreta se transforma no maior empreendimento de prostitutas do país, virando do avesso à vida de Iquitos e do próprio Pantaleão, que, como se não bastassem os problemas familiares, se verá envolvido com uma bela e insinuante visitadora.

 

 

 

 

CONVERSAS NO CATEDRAL 

No Peru, em meados dos anos 1960, Santiago Zavala, jornalista e filho de uma família de classe média alta, e Ambrosio, antigo motorista de seu pai, se encontram num pequeno bar chamado Catedral. Enquanto bebem cervejas e relembram fragmentos de suas vidas e as de seus conhecidos, recompõem o panorama político peruano nos anos 1950, como um mosaico. Publicado originalmente em 1969, é um dos livros mais importantes do autor e Prêmio Nobel de Literatura, além de uma das obras mais contundentes e aclamadas na ficção latinoamericana deste século. 

 

 

 

 

 

 

 

O SONHO DO CELTA

Esta obra narra a saga de Roger Casement, um irlandês a serviço do Império Britânico, que conheceu a violência da colonização na África e na América do Sul no começo do século XX. Ao denunciar os abusos e os maus-tratos contra colonos, passou a valorizar a liberdade acima de tudo. E, em nome da liberdade, voltou-se contra seu próprio governo. Em 1916, encarcerado em um presídio de segurança máxima em Londres, é acusado pelo governo inglês de alta traição e aguarda sua sentença. Apenas cinco anos antes, havia sido nomeado Cavalheiro. Agora, abandonado por quase todos os amigos, difamado pela opinião pública, corre o risco de ser executado.

 

 

 

 

 

 

SABRES E UTOPIAS

Nos artigos reunidos neste livro, o autor fala sobre os mais diversos temas - política, direitos humanos, literatura e artes plásticas, economia e história. Acima de tudo, Vargas Llosa se mostra um defensor aguerrido da democracia e da liberdade. Ele ataca tanto os regimes militares de direita, corruptos e violentos, quanto as ditaduras de esquerda, que prometem utopias mas entregam somente repressão e autoritarismo. Com respeito ao Brasil, ele faz análises sobre a situação política, com críticas à relação entre Lula e Fidel Castro, e constrói relatos sobre grandes nomes da literatura - como Euclides da Cunha e Jorge Amado -, em textos selecionados especialmente para esta edição.


Por Nathália Tourais

Atualizado em 16 Nov 2015.

Mais notícias

Santos recebe a maior livraria flutuante do mundo em agosto; saiba mais!

Literatura

7 livros que inspiraram ótimas séries e valem a leitura

Literatura

10 livros em quadrinhos que você precisa ler se gosta do formato

Literatura

5 clubes de assinatura de livros para você experimentar

Literatura

Até 2 de setembro: Amazon realiza 'Book Friday' com produtos até 80% mais baratos; saiba mais!

Literatura

10 chefs famosos que lançaram livros

Literatura