Guia da Semana
Literatura
Por Nathália Tourais

10 livros de poesia que você precisa ler

Conheça obras que vão mudar a sua vida.

Poesia do livro de Paulo Leminski (Reprodução)

Há quem diga que a poesia é como uma ilha, cercada por palavras de todos os lados. O escritor Ferreira Gullar partilha da opinião de que o artista que se faz poeta cria um outro mundo: mais bonito, mais intenso, mais significativo. Mais ordenado, bem acima da realidade imediata.

Cantada, falada ou escrita, a poesia emociona quando encontra os achados escondidos na língua. Passada pelo estilo barroco, arcadismo, romantismo, parnasianismo, simbolismo, pré-modernismo e modernismo, foi marcada por grandes nomes, que nos presentearam com grandes obras.

Assim, o Guia da Semana lista 10 livros sobre poesia que você precisa ler. Confira:

ARQUITETURA DO SILÊNCIO - MANOEL DE BARROS

"Eu gostaria de realizar com você esse sonho - que agora é meu também. [...] Não sei se terei tempo nem fôlego para isso." Com essas palavras, Manoel de Barros expressa ainda em vida seu desejo de publicar um livro com seus poemas e as imagens de Adriana Lafer, desejo este concretizado neste livro-objeto, "Arquitetura do silêncio". A proposta surgiu da conexão entre Adriana Lafer e Manoel de Barros e se aprofundou quando o poeta e a fotógrafa se conheceram pessoalmente e passaram a trocar imagens e palavras. Dessa convivência, criaram uma relação que mistura palavra e imagem num "repertório de irresponsabilidades" nas palavras do poeta, em imagens escritas por ele, em palavras fotografadas por ela, e no encontro entre linguagens em suas mais diferentes composições.

TODA POESIA - PAULO LEMINSKI

Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia - do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer-se em mostrar um 'à vontade' que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores. Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos. Este volume percorre a trajetória poética completa do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia.

POEMA SUJO - FERREIRA GULLAR

Na Buenos Aires de 1975, Gullar viveu meses devotado e consumido pelo desejo de registrar no papel lembranças, imagens e fragmentos de um passado, como se fizesse uma 'viagem' onírica, mas profundamente realista, marcada pela dor e prazer. O leitor vai saciar-se com os versos 'sujos', mas absolutamente purificados de qualquer sentimento de censura. Versos e reversos de um autor esfomeado pela busca da expressão. Ferreira Gullar mergulhou em sua viagem de liberdade interior em pleno exílio e só dessa forma - deliberada e voraz - conseguiu criar um manifesto que transcende o tempo, os limites, e que emociona a cada leitura.

A COR DO INVISÍVEL - MARIO QUINTANA

Em "A cor do invisível", de 1989, Quintana já octogenário exercitava mais uma vez a força poética de seu olhar de menino, potência reveladora do lírico que aborda o mundo como quem o vê pela primeira vez. Ao reunir poemas novos e antigos, o título tem tudo o que se espera de um de seus livros: a capacidade de tatuar a emoção e fabricar a memória afetiva de seus leitores.

ESPUMAS FLUTUANTES - CASTRO ALVES

Em "Espumas flutuantes", Castro Alves retoma o tema do amor em sua sensualidade e em sua realização. Transformando o sentimento amoroso em pleno sentido de prazer e sofrimento, descreve cenas oportunas da paixão humana. Em 'O adeus de Teresa', em 'Onde estás?' e em 'É tarde!', por exemplo, percebemos a plenitude do lirismo do poeta.

EU E OUTRAS POESIAS - AUGUSTO DOS ANJOS

"Eu e Outras Poesias" é um livro de sofrimento, de verdade e de protesto. Reúne a obra original de Augusto do Anjos e outras composições coligidas pelo amigo Orris Soares. É impactante e reflete a angústia, a amargura e o pessimismo deste extraordinário poeta, considerado o mais original da nossa literatura. O crítico Agrippino Grieco resumiu a obra como 'um livro imortal.'

MENSAGEM - FERNANDO PESSOA

O livro é uma homenagem do maior poeta moderno em língua portuguesa a sua pátria. Nele, Pessoa revê a história do seu país, passando pelo período da mitológica fundação de Lisboa por Ulisses, pela época das navegações, os diversos monarcas e figuras da corte. Recheado por símbolos e signos místicos e esotéricos - até mesmo na sua estrutura, que respeita os números importantes para o esoterismo -, revisita a forma épica, dando-lhe contornos e tratamentos especiais (a estrutura dos versos, por exemplo, é completamente modernista) e revela uma visão de mundo muito particular do próprio poeta, sendo o mar um dos personagens principais.

FLORES DO MAL - CHARLES BAUDELAIRE

Ninguém falou tanto da morte, para cantar a vida e o amor, como Charles Baudelaire. O poeta francês foi, talvez, o maior pintor da existência no limite; marginalidade, paixão, sexo, drogas, perdição, homens errantes, prostituição, literatura, obsessões. Poucas poesias têm cheiro e tantas marcas da vida real. Em Baudelaire, é possível sentir o odor de álcool, de sêmen, o perfume das passantes, a viscosidade do suor, o hálito noturno dos boêmios, a mão carinhosa das mulheres da noite. A 'alma das garrafas' assombra cada verso e incendeia o desejo dos leitores.

A ROSA DO POVO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Falando da guerra e dos afetos, do passado familiar e da experiência de viver no Rio de Janeiro, além de especular sobre o lirismo em tempos sombrios, A rosa do povo é o livro considerado mais explícito de Drummond. É um olhar sobre a Segunda Guerra, a cisão ideológica, a vida nas cidades, o amor e a morte. Tudo isso é observado a partir daquela que então era a capital do país - o Rio de Janeiro. Pois é escrevendo a partir desse Rio de Janeiro que se urbanizava, dando as costas ao passado, que Drummond fala da guerra e de seus desdobramentos.

A EDUCAÇÃO PELA PEDRA - JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Nesta coletânea de poesias, Cabral atinge a sua maturidade estética. Os poemas se encaixam em uma estrutura pré-estabelecida, seguindo o conhecido e rígido estruturalismo de João Cabral, mas sempre com a capacidade de emocionar o leitor. A obra alcança figuras marcantes da história da poesia brasileira, com força e beleza que não se acanham diante de seus planos arquitetônicos de construção poética.

Foi vencedor de vários prêmios, entre eles o Jabuti.


Por Nathália Tourais

Atualizado em 29 Jul 2015.

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