Guia da Semana

Guia da Semana

O universo literário sempre nos surpreende com títulos que nos fazem até suspirar. Graças a autores incríveis, podemos nos desligar da vida cotidiana, dos problemas do dia a dia e até mesmo da nossa própria realidade para conhecer um mundo novo e, sem dúvidas, sairmos dele transformados, com novas visões e perspectivas.

Entretanto, muitos livros são lançados e nós, meros leitores, não sabemos nada a respeito, perdendo a oportunidade de conhecer mais sobre quem escreveu e também deixando uma nova história passar.

Pensando nisso, o Guia da Semana lista 10 livros lançados nos últimos 10 anos que você precisa ler. Confira:

CINZAS DO NORTE - MILTON HATOUM

O livro é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 1950 e 60, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, o narrador, menino órfão, criado pelos tios, cresce à sombra da família do melhor amigo, Raimundo Mattoso, de berço aristocrático. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, Raimundo engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964. A rebeldia e a posterior fuga do rapaz ampliam o universo romanesco, que alcança a Europa da irrequieta década de 1970, de onde Raimundo manda sinais para Olavo, ainda preso à cidade natal. Por versões e revelações que se cruzam ou desencontram, sem jamais chegar a esgotar o enigma da vida de seus protagonistas, Hatoum escreve, neste romance, uma 'história moral' de sua geração.

VERMELHO AMARGO - BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

O livro procura revelar uma face diferente do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe substituída por uma madrasta indiferente. Há os irmãos, filhos de um pai que não larga o álcool e de uma madrasta que serve em todas as refeições fatia cada vez mais finas de tomate. Eles desenvolvem diversas anomalias para tentar suprir a ausência de afeto e a saudade da mãe - um come vidro, a outra não larga as agulhas e o ponto cruz. Numa espécie de contagem regressiva, o narrador observa seus irmãos mais velhos irem embora de casa.

O FILHO ETERNO

Cristovão Tezza é um dos mais conceituados escritores brasileiros contemporâneos e este livro é uma prova disso, narrado em terceira pessoa, mas em uma obra autobiográfica. Na sala de espera, entre um cigarro e outro, o protagonista está prestes a ter seu primeiro filho. Ao ver o médico, ele pergunta se está tudo bem, mas não tem dúvidas da resposta positiva. Em sua cabeça, já imagina o filho com cinco anos, a cara dele. Enquanto ainda tenta se acostumar com a novidade de ter se tornado pai, ele tem que se habituar com outra idéia: seria pai de uma criança com síndrome de Down. A notícia o desnorteia e provoca uma enxurrada de emoções contraditórias.

RELATO DE UMA BUSCA - BERNARDO KUCINSKI

O romance do jornalista Bernardo Kucinski narra a história de um pai em busca da filha que desapareceu, como tantos outros, durante a ditadura no Brasil. A narrativa de Kucinski é feita de capítulos quase independentes, apresentando vários ângulos de uma mesma história - a história da ausência e da impunidade.


ABERTO ESTÁ O INFERNO - ANTÔNIO CARLOS VIANA

Nesta coletânea, Antonio Carlos Viana apresenta 33 contos, ambientados ora em paisagens áridas e abafadas do interior brasileiro, ora na França ou no Marrocos. O denominador comum é uma constante sensação de perda - da infância, da pureza, da alegria - e a descoberta por vezes brutal do sexo e do mundo, sintetizada no título do livro, extraído de uma passagem da Bíblia.

CASA ENTRE VÉRTEBRAS - WESLEY PERES

Este livro conta a história de um homem que rumina cartas nunca escritas, angustiado em um labirinto de idéias e assombrações. Seus temas - solidão, infância, amor, memória, morte, loucura e religião.

A MORTE SEM NOME - SANTIAGO NAZARIAN

Um suicídio por capítulo. Essa é a promessa do segundo romance de Santiago Nazarian. 'A Morte sem Nome' é um quebra-cabeças gótico, ou melhor, um dominó, onde cada frase soma-se à seguinte e coincidência e recorrências vão compondo a história de uma mulher que vive apenas para se matar. Lorena é uma suicida serial, uma mulher sem amor e sem esperança, derramada por páginas e páginas de delírio e poesia. Procurando os restos dela estão um adolescente, um garçom, um feirante e um estuprador. A pergunta não é quem sairá com vida, mas quem carregará a morte em seus braços e escreverá seu epitáfio.

A PASSAGEM TENSA DOS CORPOS - CARLOS DE BRITO E MELLO

Construído de 156 capítulos curtos, o livro trata da morte. O narrador-personagem não é visto nem percebido por ninguém. Sua principal ocupação é percorrer cidades e registrar as mortes que encontra pelo caminho. Numa dessas localidades, há um morto insepulto, cuja família não parece disposta a velar ou enterrar. Como se nada tivesse acontecido, o cadáver é mantido amarrado à cadeira na mesa da sala, a esposa e a filha se ocupam dos preparativos para o casamento da menina, e o filho do morto permanece trancado no quarto. Se a civilização se ergue sobre uma pilha de cadáveres soterrados, também a vida de cada um precisa da morte para se constituir. Diante da situação surreal testemunhada na casa, o narrador aos poucos se dá conta de que para existir de fato, necessita, ele mesmo, se apropriar de um dos corpos que registra.

PÓ DE PAREDE - CAROL BENSIMON

De volta à casa modernista onde cresceu, Alice revive a tragédia que marcou sua adolescência. Em uma pequena cidade, o início de uma misteriosa construção modifica a rotina das irmãs Lina e Titi. Clara, aspirante a escritora, emprega-se em um hotel da serra e transforma-se no Capitão Capivara. Nas três histórias de Pó de parede, as personagem encaram com sarcasmo e delicadeza as suas desilusões, revelando o lado melancólico da juventude.

ENTRE RINHAS DE CACHORROS E ABATES DE PORCOS - ANA PAULA MAIA

O livro reúne duas novelas literárias compostas por homens-bestas, que trabalham duro, sobrevivem com muito pouco, esperam o mínimo da vida. Em silêncio, carregam seus fardos e o dos outros. Os textos, em tom naturalista, retratam a amarga vida de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem o esgoto e quebram o asfalto.Toda imundície de trabalho que nenhum de nós quer fazer, eles fazem, e sobrevivem disso. Fica por conta do leitor medir os fardos e contar as bestas.

Por Nathália Tourais

Atualizado em 24 Abr 2016.