Guia da Semana

Discos do ano

O ano nem mal chegou ao seu fim e, aproveitando o embalo, segue a você, estimado leitor, um apanhado daqueles que foram os melhores discos do período.

Ordená-los em uma lista, apontando este ou aquele como melhor ou pior, seria um tanto quanto injusto, afinal, como não ensina Nick Hornby, listas são feitas para serem alteradas e corrigidas de acordo com o estado de espírito.

Se o ano ainda não se deu por encerrado e você se encontra desatualizado, aproveite os toques abaixo e corra atrás do tempo perdido. Até uma próxima.

Arcade Fire - Neon Bible
Após exorcizar a família em Funeral, os canadenses do Arcade Fire escolheram a religião, as relações midiáticas, a guerra e os conflitos humanos - uma receita nada otimista - como tema para Neon Bible. Com melodias que remetem a cantos gregorianos e sonoridades medievais, o grupo fez algo que poucos artistas conseguem atingir no pop atualmente: um passeio por todos os estados de espírito que a música pode proporcionar, do mais obscuro desespero a mais bela fagulha de otimismo e esperança. Canções como Keep the Car Runing, Intervention e Ocean of Noise despertam o ouvinte de sua letargia e dependência, seja ela religiosa, televisiva ou amorosa e o jogam, desprevenido, frente a frente com a catarse sonora.

LCD Soundsystem - Sound of Silver
O futuro é convergente e James Murphy, o produtor multi-instrumentista por trás do LCD Soundsystem, sabe disto. Após a boa estréia do grupo com álbum homônimo em 2005, Murphy está de volta, mais eclético e diversificado, porém, com o mesmo bom gosto. Sound of Silver abre mostrando sua faceta eletrônica, funkeada para as pistas com Get Innocous; politiza sobre a escrotice americana em North American Scum; até chegar na música do ano, a monocórdica e de tensão crescente All my Friends. Parece muito, Murphy já se revelou um poeta das pistas, ruas e apartamentos, porém, o homem ainda não mostrou seu lado mais sensível. New York, I Love You But You Bringing me Down é um lamento a decadência da vida boêmia, um anti-hino à morte do glamour nova-iorquino, acompanhada por vinho e piano, interpretada como se na voz do fantasma de Sinatra plugado na tomada. Talvez seja isto que Murphy seja, um Sinatra dos novos tempos.

Black Rebel Motorcycle Club - Baby 81
Influenciados por Allen Ginsberg (Howl é o titulo do livro mais ilustre do escritor) e Bob Dylan no disco anterior, o Black Rebel Motorcycle Club voltou às suas origens ruidosas e garageiras em seu quarto álbum de estúdio, Baby 81. Novamente a voz aqui são dos irmãos Reids (Jesus and Mary Chain) e Gallaghers (Oasis) - paletadas alternadas em guitarras carregadas por paredes de distorção e vocal melancólico arrastado. Baby 81 abre com o riff grave, afinado alguns tons abaixo de Took Out a Loan, emenda nas perigosas Berlin e Weapon of Choice, até encontrar seus momentos singelos, de coração aberto, nas baladas Not What You Wanted, All you do is Talk e Am I Only. Longe dos modismos, apesar da pose, o B.R.M.C compôs um álbum forte, difícil de ser digerido, que prende o ouvinte aos poucos. A prova de que jaqueta de couro não veste o ombro de menino novo. O melhor show que o Brasil não viu em 2007.

Kings of Leon - Because of the Times
Segundo o vocalista Caleb Followill, o primeiro disco da banda era sobre coisas que eles gostariam de fazer, o segundo sobre o que tinham feito e, este terceiro, sobre o que gostariam não terem feito. Because of the Times é um disco denso, arrependido, porém, gritante ao mesmo tempo. Os sulinos Followill amadurecem e, se antes entravam em um bar chutando a porta e procurando por confusão, agora se sentam à beira do balcão, conscientes do respeito adquirido. Prova disto: a longa Knocked Up, Charmer, On Call e a saideira Arizona. O Kings of Leon reconhece que não se pode controlar as ações do tempo, porém, aprendem como envelhecer, mudando sem se tornar esquálido, soando denso e responsável. Indispensável.

Radiohead - In Rainbows
Dez anos após o mítico Ok Computer, o Radiohead lança o seu sétimo álbum de estúdio, In Rainbows. O disco foi motivo de polêmica na imprensa especializada devido à forma como foi lançado, on-line com os fãs decidindo quanto pagar pelo download. Polêmicas a parte, In Rainbows é o mesmo Radiohead de outros tempos, nem em seu melhor, também não em seus momentos iniciais, por isto estando entre os mais. Música sobre solidão e angústia em mundo pós-moderno que trafega em um fluxo congestionado de informação. Contido nas guitarras e flertando com levadas mais cadenciadas, o disco é ideal para se escutar sozinho, enquanto se dirige a noite por uma estrada vazia, porém, cuidado, pois se corre o risco de pegar no sono.

1990´s - Cookies
No fim dos 90, Jackie McKeown e Jamie McMorrow, juntamente com Alex Kapranos e Paul Thomson (vocalista e baterista respectivamente do Franz Ferdinand) formavam o Yummi Fur. Salto para 2007, e, agora com o baterista Michael McGaughrin, o 1990´S (Nineteen Nineties) lançaram pela Rough Trade, Cookies. Incorporando espírito pateta com influências que vão de Stones, Clash até as bandas indies contemporâneas, o trio fez um álbum alegre, cheio de ieieies e lalalas, bubblegum ideal para festas. Prova disto: a faixa de abertura You made like it, See you at the Lights, Enjoying myself e You´re supposed to be my friend. Infelizmente, o disco não recebeu a devida divulgação por aqui, mas uma coisa é certa: é o disco mais divertido do ano.

Klaxons - Myths of the near future
Prometendo colorir o cenário da música pop, monocromátizado pelos Strokes em 2001, Myths of the Near Future é o carro chefe do New Rave, estilo que prima pelo baixo punk com sirenes eletrônicas anunciando o fim do mundo. Alguns bons e pesados hits, como Magick, Atlantis to Interzone e It´s Not Over, dão o tom da obra, porém, o conjunto do álbum soa inconstante para ser considerado um divisor de águas. Tudo bem, Nirvana e Clash também não atingiram seu clímax em seus debutes. Se a profecia se concretizar, o Klaxons será a trilha sonora quando o aquecimento global torrar o planeta em 2012.

Outros álbuns que merecem destaque:
Art Brut: It´s a bit complicated
Chemical Brothers: We are the Night
The Raveonettes: Lust, Lust, Lust

Tire suas próprias conclusões:
Queens of The Stone Age: Era Vulgaris
The White Stripes: Icky Thump

Melhor não ocupar espaço no seu HD:
Arctic Monkeys: The Worst Nightmare
Interpol: Our Love to Admire

Quem é o colunista: Vinicius Aguiari - ex-pé vermelho estrangeiro fã de Iggy Pop e Gang of Four
O que faz: Jornalista do Guia e arranhador de cordas de guitarra nas horas vagas
Pecado gastronômico: Feijoada aos sábados, comida natural aos domingos.
Melhor lugar do Brasil: Clementina - Texas


Acesse o blog do autor: www.cheiraqui.blogspot.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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