Guia da Semana

Música com as próprias mãos

Depois de 11 anos sem aparecer por aqui, o DMC World Championship realizou eliminatórias de Norte a Sul do país. Finalista nacional, o DJ paulista RM representa o Brasil na final mundial em Londres.


Foto: Divulgação/ Marcos Hatiya


Já ouviu falar de Cash Money, Craze e Q-Bert? Muitos sabem que eles são mestres dos toca-discos, mas poucos sabem como é que eles se tornaram conhecidos. DMC World Championship é o nome. Entidade mais respeitada de disk-jóqueis do mundo, o campeonato revela talentos do turntablism há 24 anos. Depois de mais de uma década ausente da competição, o Brasil ganhou neste ano um representante. Rodrigo Antônio Mello, de 28 anos, mais conhecido como DJ RM, vai fazer as honras ao lado de outros 31 turntablists de diferentes países lá no clube londrino IndigO2, nos dias 26 e 27 de setembro.

O processo todo começou no domingo de 6 de julho, no clube paulista Clash, durante as eliminatórias do Sudeste. Sob os olhares atentos e ouvidos crivos dos campeões Boogie Blind, Billy Biznizz, Pogo (organizador da edição nacional), Roc Raida (presidente do DMC World) e da liga brasileira formada pelos DJs Primo e Ninja, RM mostrou as manobras que aprendeu desde a primeira vez que mexeu num toca-disco. Naquela noite, ele fez a melhor performance e dividiu o primeiro lugar com Lisa Bueno, única mulher inscrita.

No último domingo do mesmo mês, não foi diferente. Com calma, técnica e criatividade, o integrante do Clã Leste saiu da Pacha com dois toca-discos e um mixer Technics Golden, uma agulha com diamante na ponta, 10 mil dólares e um lugar garantido na disputada final internacional. Entre os jurados estava a lenda Cash Money, que até scratch com o nariz fez na apresentação de encerramento.

Enquanto a viagem não chega, RM divide seu tempo entre um scratch e outro, as produções para o selo Arame Records e o júri do Hip Hop DJ 2008 (saiba +), campeonato nacional de DJs, do qual participam, entre outros, seus colegas do Clã: os DJs Zulu, Jerry, Buiu, Soares e Erick Jay, vencedor de 2007 e segundo colocado do DMC Brasil. Antes de partir para o seu novo desafio, ele conta um pouco da sua história para o Guia da Semana. Leia abaixo a entrevista:


Foto: Sxc.hu


Guia da Semana Quando que os toca-discos se tornaram indispensáveis para você?
Eu sempre fui fissurado por música. Penso em música 24 horas por dia. Quando eu era moleque, meu primo me levava nos bailes. Eu era menor de idade, então não era sempre que eu ia, mas eu achava demais. Eu fui ter toca-discos há pouco tempo e todos eles eu ganhei como prêmios no Hip Hop DJ. Na verdade eu sempre fui meio devagar para participar de campeonato. Quem me incentivou primeiro foi o Buiu, lá de Itaquera, do Irmandade Negra. Ele falava que eu tinha talento, pra eu mandar a fita de inscrição. Acabei mandando e quando vi já estava na final, em 2003. Sabe aquela coisa de fã, que acha que nunca vai estar lá? Pois então, foi assim.

GDS Você ficou em terceiro em 2005, foi vice em 2004, 2006 e no ano passado. Foram essas boas colocações que te incentivaram a concorrer no DMC Brasil?
Que nada. Eu nem estava muito empolgado. O Erick Jay ficou sabendo pelo KL Jay que rolariam eliminatórias no Brasil (ele inclusive participou direto da final, por ter sido campeão da última edição do Hip Hop DJ) e já me pilhou para participar. Fizemos um set, ele gravou o meu vídeo e deu no que deu lá na Clash. Eu fiquei nervoso, mas me surpreendi comigo mesmo.

GDS Você treinou muito para a performance do DMC Brasil?
Por incrível que pareça não. Eu tinha poucas semanas e não dava pra inventar muito. Usei os vinis que eu tinha, do Jurassic Five e do Xis. Eu fiz o que deu na hora. Scratch, back to back, colagens. Errei pouca coisa, acho que cometi um errinho entre uma passagem e outra.

GDS E o que está pensando em fazer lá em Londres?
Tenho algumas coisas em mente, mas nenhuma seqüência certa ainda. Estou pensando em usar aquela música do Usher, Yeah, com o Jurassic 5 de novo. Tenho que deixar tudo redondinho. Vamos ver se dá tempo. Para você ter idéia eu não tinha nem agulha (risos). Ganhei umas do Pogo e o Zulu me empresta às vezes, porque ele tem que treinar também.

GDS Você compra muito vinil?
Não tanto quanto eu gostaria. Minha última aquisição foi uma coletânea do DJ Premier. Paguei uns 120 reais. Por isso eu digo que sou a favor de os DJs usarem Torq, Serato. Vinil é muito caro! Às vezes compensa juntar dinheiro e comprar um notebook. A vantagem é que você pode tocar um monte de música que não tem em vinil. Mas para os DJs de performance não tem como. Tem que ser vinil.

GDS Aqui no Brasil só uma DJ mulher participou dos torneios? Por que a maioria é homem?
Deve ter um monte de mulher tocando por aí, lá fora tem um monte de mina. Eu acho a cena meio machista, mas vai da mulherada correr atrás. A Lisa Bueno não está aí, não se deu bem? É questão de se impor, de mostrar o talento, porque o que conta é a técnica. Vai muito da imaginação e do treino, aprender a fazer desenhos diferentes de scratches diferentes, acertar a batida no tempo. Já fiquei a noite inteira pra tirar um scratch novo. Acho que isso vai mudar, que nem mulher no futebol. Já deixou de ser tabu. Espero também que o DMC mude esse quadro e que dê mais visibilidade ao Brasil. Isso pode abrir portas para as distribuidoras de discos e equipamentos de outros países virem para cá.

Atualizado em 6 Set 2011.

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