Guia da Semana

Música eletrônica e o Brasil

Com megaeventos como o Sensation e o XXXPerience, DJs internacionais demonstram interesse em vir tocar no Brasil.

Foto: Getty Images


Definitivamente, o Brasil entrou para o calendário dos maiores eventos do mundo. Megashows, Copa do Mundo e Olimpíadas estão aí para comprovar essa realidade - e uma grande surpresa foi o enorme crescimento das festas de música eletrônica.


Hoje, o Brasil é um dos países mais disputados por DJs do mundo todo para virem tocar aqui. Festas absurdamente grandes são notícia em todos os cantos do planeta. Dezenas de baladas privadas acontecem todos os meses, de norte a sul do país e arrastam multidões que chegam a mais de cem mil pessoas. São pessoas que viajam quilômetros para ouvirem os principais DJs brasileiros e convidados internacionais em performances incríveis.

Os grandes eventos da música eletrônica já reúnem públicos tão grandes quanto qualquer artista conhecido popularmente, mas, infelizmente os rendimentos dos DJs em relação aos mega artistas ainda não são equivalentes. Por outro lado, não vamos levar isso em conta por enquanto: já é um passo gigante um cara que, até alguns anos atrás, era taxado de drogado e bêbado que vivia na vadiagem por trabalhar a noite fazendo a "diversão" de outros. Ele, agora, é visto como artista, com direito a book de fotos, agenciador, tem moda própria e ainda é chamado para trabalhar as músicas de muitos artistas que, antes, torciam o nariz.


Opa, espere aí. DJs colocando o dedo em criações de músicos? Isso ainda hoje não é controverso? Quase todos os artistas afirmam com ferocidade que DJ não é músico! Enfim, voltemos ao que interessa, porque esta hipocrisia já está acabando.

Mesmo nos megaeventos de música eletrônica, ainda acontecem gafes inaceitáveis que fritam o nome do Brasil na cena, como no caso recente da Sensation 2011, que não colocou nem um brasileiro no line-up e ainda foi defendida por alguns DJs de nome que poderiam estar lá! Uma vergonha. Existem vários vídeos na internet em que DJs tocam sets prontos no CD ou ligam seus Macbooks último modelo, abrem uma "tripinha" (um áudio já editado com 30 minutos ou mais) no  programa Live e ficam gesticulando com os braços e agitando a pista. Para quem está em outro país é nítido perceber: atitudes assim colocam os DJs brasileiros como farsantes, que cobram fortunas para tocar sons gravados até mesmo tendo um "papagaio de pirata" fazendo o trabalho e ganhando cerca de 10% que o "DJ farsante".

Ainda sim, com estes obstáculos, o Brasil está tendo um ótimo desempenho no mercado externo. As administrações das grandes festas conseguem trazer atrações interessantes, cumprem os contratos, levam milhares de pessoas e tratam bem nossos convidados. Tudo isso mostra, cada vez mais, que a música eletrônica é a bola da vez em todos os locais.

Retrato disso são festas como Parktronic, no interior de São Paulo, que levou 60 mil pessoas, mais que um estádio do Morumbi lotado em dia de show; a XXXPerience, que leva mais de 50 mil pessoas por onde passa; a Spirit Of London carrega mais de 100 mil pessoas e cada dia cresce mais, e porque não citar a maior festa do mundo, que acontece aqui todos os anos: a Parada LGBT que, neste ano, levou para as ruas quatro milhões de pessoas em dia de chuva, acompanhou 17 caminhões, com seus DJs e atrações que tocaram quase que totalmente música eletrônica e versões especiais só para o evento.

O Brasil é o país que tem mais festas de música eletrônica no mundo. A região sul ganha disparado em quantidade por ano, mas São Paulo ainda está no topo da cadeia quando falamos em megaeventos de e-music, arrecadando milhões de reais e faturamento anual.

Este ano, teremos o maior faturamento da história da música eletrônica mundial, em um crescimento impressionante ano após ano. Dessa forma, muitos já pensam na possibilidade da música eletrônica brasileira fazer parte da abertura da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016 - o que já coloca em dúvida nossa mundialmente famosa identidade do samba. Mesmo assim, não há a possibilidade de o samba ser esquecido, até porque as aberturas serão no Rio de Janeiro. Lá, a música eletrônica e os DJs tem muito menos força que em muitas partes do país.

Multidões cada vez maiores acompanham os DJs, produções brasileiras rodam o mundo, empresas especializadas trabalham imagens de artistas e multinacionais estão com os olhos voltados ao nosso mercado, que gera milhões de dólares todos os anos.


Para quem acompanha redes sociais, informativos especializados e colunistas diversos, como é o meu caso - sou um dos DJs que desfruta dessas "melhorias" -, percebe o crescimento e como o Brasil se apresenta em relação à e-music. A máquina está forte e estamos ocupando nossos lugares aos poucos e sem puxar tapetes, só querendo fazer parte de festas importantes, e isso acontece cada vez mais.

Vale a pena ir a enormes festas. Diferentemente do que dizem sobre drogas e bebidas, que acontecem em qualquer lugar, e dependendo da divulgação da mídia, nas grandes festas de música eletrônica a mentalidade está mudada e a organização está cada vez melhor. Demorou para você ir em uma delas!

Leia as colunas anteriores do DJ Fabio Reder:

Ser DJ hoje

Chega o dia da Parada Gay

Fones de ouvido

Quem é o colunista: DJ há 18 anos, produtor musical há três anos, divulgador de músicas para rádios desde 1997.

O que faz: DJ, produtor de música eletrônica e empresário do ramo de rádio.

Pecado gastronômico: Lasanha e pavê de Sonho de Valsa.

Melhor lugar do Brasil: Meu estúdio de produção musical.

O que está ouvindo no carro, iPod ou mp3: Música eletrônica e diversos outros estilos que contenham letras bacanas e melodias.

Fale com ele: contato@djfabioreder.com ou acesse o site do colunista.



Atualizado em 10 Abr 2012.

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