Guia da Semana

Música na rede

Sites aliam-se às diversas tecnologias existentes e ajudam a formar novos hábitos de consumo.

Foto: Getty Images


No começo dos anos 1990, quando a internet dava os primeiros passos rumo à popularização, promessas como troca, compartilhamento e fluxo contínuo de informações nutriam poucas certezas em quem até pouco tempo lutava contra teclas duras de uma máquina de escrever moderna. No fim da década, no entanto, a rede mundial de computadores já havia apresentado ferramentas capazes de promover inevitáveis transformações no ambiente social.


Foi mais ou menos neste período que Marcelo Francisco, 29 anos, consultor de logística de uma empresa de beleza em São Paulo, tornou-se mais um entre os cerca de 250 milhões de internautas da época. "Comecei a usar por curiosidade, mas não ficava muito tempo conectado. Aquele ainda era um serviço lento e caro", lembra. Além de aproveitar para conhecer o mundo em alguns cliques, o consultor ainda embarcava em uma sonora novidade, os downloads.


"Se não me engano, faz pouco menos de dez anos que baixei a primeira música por meio do site Napster", conta. Marcelo refere-se a umas das páginas pioneiras no uso do Peer-to-Peer (P2P), que dava ao usuário, até então um mero consumidor, a possibilidade de ser também produtor de conteúdo. A oportunidade nascia a partir da transformação de faixas dos CDs em formato digital, o MP3. Atualmente, o software iTunes, baixado gratuitamente do site da Apple, é um importante instrumento para essa conversão musical.


Apesar do Napster ter sido fechado em 2001, após centenas de ações judiciais movidas por gravadoras, que alegavam o não pagamento de direitos autorais, outros sites similares, movidos pela crescente procura, não puderam ser impedidos de ofertar. Hoje, os quase dois bilhões de internautas do mundo contam com um cenário online repleto de páginas para o compartilhamento de músicas, vídeos, clipes ou de qualquer material digitalizado.


O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), Paulo Rosa, ressalta que as mudanças, principalmente no que diz respeito à música, mantém-se em processo. "O negócio fonográfico no Brasil e no mundo passa por um período de transição e reinvenção desde o início da atual década", diz.

Ele destaca que a Internet, ferramenta indispensável no dia a dia, e as novas tecnologias vêm forçando essa ruptura com plataformas físicas. "Os hábitos de consumo mudaram completamente e a própria relação entre produtores de música, artistas e público consumidor alterou-se de tal forma, que vivemos um mercado diferente, se compararmos ao existente dez anos atrás".

Números da ABPD demonstram queda drástica no mercado de álbuns físicos nos últimos anos. Em 2004, o Brasil vendeu 66 milhões de discos. Um ano depois, em 2005, esse número caiu para 52,9 milhões. A inclinação se perpetua nos dois anos seguintes, atingindo 37,7 milhões em 2006, e 31,3 milhões, em 2007. Em contrapartida, entre 2006 e 2007, as receitas provenientes da música digital cresceram 185%, ficando a telefonia móvel com 76% das vendas e a internet com 24% do montante total.


Marcelo, que há muito abandonou o velho hábito de olhar contracapas nas lojas, explica como consome música hoje. "Não compro mais CDs e nem mesmo escuto os meus antigos. Transformei em arquivos digitais e os guardei em caixas de sapatos". Quando não encontra algum som na rede, o consultor afirma baixar o videoclipe com um software chamado vdownloader e captar apenas o áudio, já convertido em MP3.

Para ele, as novas tecnologias são muito mais do que ferramentas facilitadoras. O rapaz lembra que as pessoas não precisam ficar mais presas a 15 ou 20 faixas escolhidas por gravadoras. "Hoje em dia não fico limitado a um pacote fechado de sons. A net me desobriga a comprar CDs com músicas que não gosto. Nela, encontro tudo que realmente quero e, melhor, sem pagar nada por isso", completa.


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Páginas sonoras


A internet, grande responsável pela despopularização dos CDs, tornou-se uma imensa vitrine musical. Um clique aqui, outro ali, uma página aberta e eis as infinitas alternativas. Segundos são necessários para navegar entre dezenas de milhares de canções. Quer ouvir os últimos lançamentos da cena eletrônica? Talvez MPB cantada por Caetano Veloso no começo da carreira? Ou quem sabe uma banda que sequer gravou seu primeiro CD?  Essa última opção, a propósito, nasce pela necessidade daqueles que precisam divulgar seu trabalho.


As redes sociais estão entre os locais virtuais que cumprem essa função de marketing. O MySpace, incluso nesse grupo, é o maior e mais importante nesse quesito. Lá, o artista disponibiliza a música, muitas vezes em primeira mão, e define se esta poderá ou não ser baixada pelos demais usuários. Famosos e anônimos do mundo todo inundam as páginas com seus trabalhos, alimentando, assim, sedentos consumidores.

Nos endereços virtuais totalmente dedicados à fonografia, as tantas opções e variadas funções não dão margem ao silêncio. O beeMP3 é o tipo que procura e indexa milhares de músicas todos os dias. E melhor de tudo: os sons podem ser baixados gratuitamente. Há ainda outro, o Jango, que permite a criação de estações de rádio personalizadas. Isso significa poder adicionar artistas e classificar as faixas que devem tocar com maior ou menor frequência.

Para os internautas habituados a comprar, o Musicmp3, o iMusica e o Beatport representam a categoria dos downloads pagos. Entre os softwares, o iTunes, o mais conhecido, permite a aquisição de músicas diretamente do iTunes Store, da Apple. Além disso, entre outras funções, o programa ainda lê qualquer formato digital e carrega faixas em MP3 no tocador Ipod.

Atualizado em 6 Set 2011.

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