Guia da Semana

Tech Me Up e as vedetes da música eletrônica

Em entrevista ao Guia da Semana , o DJ e produtor Christian Hawk fala sobre a saturação na vida noturna paulistana e sobre seu novo projeto no Club Vegas, em São Paulo.

Foto: Divulgação


Quem gosta de música eletrônica e freqüenta a cena da capital paulista já teve como trilha sonora os sets grooveados e minimalistas de Christian Hawk. Dono da gravadora High Definition Records, o DJ é - com o perdão do clichê - gente que faz. Produtor desde 2002, ele usa as pistas como um verdadeiro laboratório para testar suas produções e pesquisas. As vertentes? Techno, house, electro, minimal.

Em bate-papo com o Guia da Semana, Hawk, que agora assume parte no Tech Me Up, realizado no Vegas, fala sobre suas últimas pesquisas e produções e opina sobre a supervalorização das atrações gringas no Brasil. Veja a entrevista:


Quando foi a primeira vez que você teve contato com a música eletrônica?
Na minha infância, sempre ouvíamos muita música em casa. Meu pai tinha muitos discos e um gosto bem eclético: Beatles, Elvis, AHA, Tom Jobim, Chico Buarque, Mozart, até uns lances mais pop. Comecei a me interessar pela música eletrônica na época de New Order e Information Society. Ouvia quase todos os dias, achava o máximo a eletrônica na música. Depois peguei uma onda mais Prodigy, Apollo44, Beastie Boys. Em 1999, muito influenciado pelo trance progressivo, resolvi me profissionalizar.

E hoje, por que o minimal, o techno, o electro?
Esses nomes, no meu ponto de vista, são influências, não estilos. Hoje em dia, com toda essa fusão entre os estilos, acho difícil rotular uma produção ou um DJ set. Acredito sim, que o que se analisa na música, são influências de estilos que já foram nomeados um dia. Por exemplo, um som pode ter o conceito do minimalismo, a timbragem electro e o arranjo mais techno. O minimal, o techno, e (umas pitadas) de electro são as minhas maiores influências nos dias de hoje.

Eu sempre fui uma pessoa que adora pesquisar o novo, as tendências... Enfim: vanguardista. Tocava minimal quando ninguém entendia minimal. eu adorava esse desafio de "educar" ouvidos, por mais que não fossem todos. Hoje em dia, tenho que confessar que estou meio viciado em minimal, talvez pelo tamanho "boom" do gênero na Europa. Diversos estilos de minimal estão sendo produzidos, então acaba não ficando a mesmice. Sempre tem coisa interessante e diferente, e é isso que me atrai. Agrego tudo isso ao meu DJ set e também nas minhas produções.

Você não acha que a noite está muito saturada de festas dedicadas a essas vertentes?
Está e não está. É aí que entra o que eu estava falando: toda balada tocar apenas as "músicas que bombam", é uma coisa. Agora, se a balada tocar um som que seja de qualquer uma dessas vertentes, que seja diferenciado do "padrão" e que surpreenda, é outra coisa. São essas boas festas que estão em falta.

O que fazer para se destacar, nesse caso? Principalmente entre os veteranos da cena e entre a grande leva de DJs (bons e ruins) que têm surgido?
Ser profissional. Saber onde quer chegar e traçar estratégias para isso. Conhecer o público que curte o seu som, saber a hora certa de se apresentar em determinados lugares. Mostrar sua personalidade e seus diferenciais. Eu me vejo como um DJ ousado e mesmo assim, versátil. Se eu for mostrar meu tipo de som pra um público que ainda não entende muito bem o estilo, eu ouso dentro dos limites. Me foco em realmente "educar", mostrar, mas sem perder a interação com a pista, que ao meu ver é um ponto fundamental. Ser DJ não é chegar lá colocar seu som e sair fora...é um lance totalmente interativo, de "brincar" com a pista, despertar sensações e sentimentos.

Foto: Divulgação


Você se diz fã assumido de Karlheinz Stockhausen. Como e quando você soube da existência dele e o que exatamente te atrai no trabalho do cara?
Soube da existência dele há uns quatro anos só. Quando fui me aprofundando na história da música eletrônica, cheguei nele. O cara é "o" pai da música eletrônica. O que me atrai no trabalho dele é exatamente o fato de ele ter inovado o conceito de ritmo, melodia e harmonia em relação à música da época. O que rolavam eram orquestras básicas, aquela coisa européia que todo mundo já ouviu. E quando todo mundo só ouvia isso, o cara fez, por exemplo, a peça "Helikopter-Streichquartett" (quarteto de cordas com helicópteros, em português), que é tocado simplesmente por um quarteto de cordas e quatro helicópteros! Ele fez partitura disso! O que me atrai é isso: ele chegou e falou: "Música não é só isso aí regrado não. Isso aqui que eu fiz, também é música".

O que você tem ouvido no geral?
Tenho ouvido muita música eletrônica e jazz. Booka Shade - Sweet Lies (Mathias Tanzmann remix) foi a última musica que me deixou de cara! Gosto muito do som de um cara chamado Franklin de Costa, bem ousado e minimalista. Alex Young é um colombiano muito bom também, quebra tudo. E tem também os remixes do Ahmet Sendil, o cara é um mágico, inclusive está remixando uma música do Oblivion, que sairá pela High Definition Records, a minha gravadora.

Você deixou a tradicionalíssima Blow Up da D-Edge para assumir a Tech Me Up!, que está no Vegas?
Na verdade, eu não deixei a Blow Up para integrar a Tech Me Up!. A Tech Me Up! já estava marcada antes mesmo de eu decidir a minha saída da Blow Up, que foi um grande trabalho pra mim. Aprendi e trabalhei muito. Foi muito legal fazer tudo aquilo acontecer. Estive lá desde a primeira edição, por quase três anos. Passamos pelos melhores clubs, fizemos uma festa com uma cara nova. Mas acredito que tudo na vida é fase, saí do projeto porque hoje estou com novos empreendimentos, que exigem muito de mim e que são prioridades. A Tech Me Up! é um deles. Estou entrando agora com a minha agência, que junto com minha gravadora, tomam boa parte (senão toda) do meu tempo.

O que propõe a Tech Me Up! e quem são os envolvidos?
A Tech Me Up! propõe um evento mensal, no meio da semana, para reunir a galera que curte música boa, com line-ups fortes, coerentes, que se encaixam na minha concepção de mostrar um som diferente. Na primeira edição, por exemplo, tocaram a Talita Lamha, Laurent, Murphy e eu, como residente. Na próxima tocam André Juliani, Breno UNG, Renato Cohen e eu. Daí, para quem conhece, já da para ter uma idéia da seriedade do som. Sem contar o ambiente, que é muito agradável, com um painel cheio de leds na pista e o espaço externo delicioso para conversar e interagir com a galera. Quem foi na primeira falou que vai voltar, e aposto que a segunda será assim também.Também estão envolvidos na promoção dois nomes conhecidíssimos e competentes: o Hermes e o Igor.

Como você chegou até o projeto?
Na verdade o Igor e o Hermes me convidaram para fazer uma noite lá, então uni o útil ao agradável. O andar de baixo do Vegas é ideal para a proposta da Tech Me Up!.

Há muitos DJs e produtores excelentes aqui no Brasil, mas que às vezes têm seu trabalho abafado pelo hype e pela febre de festas com DJs internacionais. Isso acontece em toda a cena musical (e cultural) do Brasil. O que você pensa sobre isso? O que poderia ser feito para melhorar?
Esse lance de valorizar gringo é da cultura brasileira, o povo é levado pela mídia, que trabalha muito os gringos. Acredito que essa supervalorização tenha diminuído um pouco (bem pouco) nos últimos anos. Tem muita gente de talento perdendo espaço pra "nomes" sem talento. É uma pena. A pessoa fica desmotivada. O que pode ser feito pra melhorar? Se jogar, trabalhar, trabalhar, e trabalhar. Criar condições para isso mudar. As formas que encontrei são fazer eventos, abrir a gravadora e a agência.

O que vc tem produzido em estúdio?
Com tantos empreendimentos, preciso dizer que sinto falta daquelas internações de dois dias no estúdio, mas tem muita coisa legal pra sair! Pela minha gravadora, vai sair um remix meu com o Raoni Kirschner, dos suíços Minilobby. Também tem o Square Feet, um EP meu remixado por Oblivion, além do Need, remixado pela Tina Valen, Vitor Munhoz (do Oblivion) e mais um que ainda é segredo. Tem mais no forno, tudo pro ano que vem!

Atualizado em 6 Set 2011.

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