Guia da Semana
Noite
Por Marcos Chapeleta

A cultura do vinil

Além de levar os discos para a pista, os LPs também voltaram e hoje são encontrados em lojas especializadas.

Reproducão

Na coluna passada, falamos da volta do disco de vinil. Em São Paulo, por exemplo, o movimento está crescendo bastante. Aproveitei para bater um papo com pessoas envolvidas nesse propósito.

Conversei com o Thiago DJ, antigo locutor da rádio 89 FM que trabalhou durante cinco anos na época da Rádio Rock. Atualmente, ele faz diversas festas e, em seus flyers, faz questão de colocar a informação "discotecagem com vinil".

Ele lembra bem dessa época de transição da 89 FM. "O pessoal da rádio exterminou a discoteca da rádio. Hoje é tudo MP3, infelizmente. Mas, para mim, foi bom: uma amiga me deu vários discos desse acervo, tipo New Order, Technotronics, J.J. Fad... adorei!". Thiago DJ cultiva seus LPs desde criança, e ele lembra do seu primeiro vinil do Legião Urbana. Também teve a oportunidade de herdar da família as antigas "bolachas". Falando um pouco de seu trabalho na noite, Thiago começou discotecando com CD mas, ultimamente, toca com frequência seus LPs. "De vez em quando eu fazia uns especiais só de vinil mas, de uns anos para cá, por influência do meu amigo Niggas, do coletivo Vinil é Arte, eu intensifiquei as discotecagens só com bolachas. Não sou puritano, toco também com Serato, mas só o estou usando com vinil (o programa também possui a opção de CD)".



Outra pessoa importante com quem conversei a respeito foi Marcio Custódio. O cara, além de DJ, possui a loja de discos Locomotiva e é organizador do Bazar do Disco no Paribar, em São Paulo. Ele abriu sua loja, na época, sem muitos planos: seu irmão já vendia discos pela internet cinco anos antes e aproveitou o espaço cedido para entrar no ramo de vez.

A ideia do Bazar foi uma forma de divulgar sua loja que acabou dando certo. Marcio conta mais sobre isso. "O Bazar surgiu porque eu queria agitar as vendas de discos da minha loja e, ao mesmo tempo, ter uma maior interação com outros lojistas. Escolhi o Paribar porque é um bar muito legal, fica em uma praça bem bonita e está pertinho da minha loja, no centro de São Paulo. Entrei em contato com lojistas, expositores e vendedores, houve uma certa união da nossa parte. Divulgamos e o Bazar aconteceu. Tudo o que queremos é atrair cada vez mais gente interessada em vinil".

Ele achou ótima essa procura pelos LPs, não apenas pela sua loja. "Disco é cultura e é charmoso, o formato físico será para sempre. O MP3 está cada vez mais obsoleto, banal e vazio. Baixar discos é banalizar a música. Para que baixar álbuns em grandes quantidades sendo que você não vai digerir nem um porcento deles? É mais válido comprar dois discos por mês e escutá-los com a devida atenção".



Em suas noites como DJ quando morou em Londres, ele se recorda que todos na cidade utilizam seus cases. Diz não gostar de discotecar em notebook e se recorda de um fato polêmico a respeito. "Uma vez, um certo DJ famoso nas noites de SP me disse que tocava com computador porque ele cansou de carregar peso. Detalhe que ele vai DE CARRO para suas noites".

Depois dessa história toda, não temos dúvida: precisamos saber lidar com a tecnologia, e ainda teremos novidades pela frente. O vinil faz parte da cultura da música e tem que ser respeitado. Até mesmo o CD conquistou uma grande massa. A existência da forma física da mídia é necessária; assim, teremos sempre o desejo de adquirir o álbum do nosso artista preferido. Chega de "músicas descartáveis".


Por Marcos Chapeleta

Atualizado em 22 Jan 2014.

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