Guia da Semana

O ano é delas

Confira os destaques do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, que completou 13 anos e realizou uma edição especial para as mulheres.

Foto: Eulene Hemetrio

Vista de parte de Tiradentes, onde aconteceu o Festival

A gastronomia está cada vez mais chamando a atenção dos curiosos que desejam experimentar pratos diferentes e também dos próprios chefs, que inovam em suas criações. Há alguns anos, os restaurantes mais luxuosos colocaram chefs homens em suas cozinhas. Raramente se vê uma figura feminina liderando esse universo, algo contraditório, pois as mulheres sempre foram as mais envolvidas nas atividades caseiras. Curiosamente, o papel de chef foi dado primeiro aos homens; de acordo com a história, eram eles quem movimentavam as panelas dos reis.

Mas o cenário mudou e, em 2010, o Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes completou 13 anos trazendo algo diferente: o evento foi todo voltado para chefs mulheres, com uma programação especial que contou com degustações e uma lista de profissionais brasileiros e estrangeiros, que apresentaram novidades e tendências do universo gastronômico.

História

Realizado em uma das cidades mais importantes da história de Minas Gerais, Tiradentes, o Festival Cultura e Gastronomia é considerado um dos maiores eventos do país. Tanto sucesso o colocou no Circuito Brasileiro de Cultura e Gastronomia, recebendo turistas e chefs de diversos países.

Além da culinária nacional e internacional mostrada pelos profissionais, o evento também contou com shows de teatro e dança, cursos para estudantes e palestras, além de estandes empresariais e tours gastronômicos. Os visitantes uniram o útil ao agradável: apreciaram a cultura local, conheceram os principais pontos turísticos da cidade e descobriram o que há de mais novo na gastronomia mundial.

Só para elas

Mulheres foi o tema escolhido para o festival, que aconteceu entre 20 e 29 de agosto. Segundo a organização, o objetivo é resgatar o valor histórico da cozinha doméstica e feminina,que incentiva criações diferentes, além do desenvolvimento de novos trabalhos e novos olhares para a gastronomia.

Foto: Divulgação

A cidade recebe turistas de diversos países que vão prestigiar o evento

Para a chef Bel Coelho, do Restaurante Dui, de São Paulo, "é muito legal este evento homenagear as mulheres que seguiram o ramo da gastronomia, além de valorizar um pouco mais nosso trabalho. Esta é a primeira vez que participo e queria mostrar meu trabalho da melhor maneira possível, levar um pouco da gastronomia de São Paulo para outros estados é sempre muito gratificante". A chef  ministrou uma aula e ofereceu um jantar que incluiu no cardápio costela de porco com purê de abóbora e duas releituras: bobó de camarão e o conhecido Romeu e Julieta (goiabada com queijo).

Convidadas

No total, o evento contou com oito renomadas chefs, duas brasileiras e seis estrangeiras. Este elenco de peso realizou degustações e mostrou seus novos pratos, além das influências da gastronomia internacional no cardápio brasileiro. O Brasil foi representado pela chef Bel Coelho e por Helena Rizzo, do Restaurante Maní, em São Paulo.

Na lista das estrangeiras, estavam a holandesa Margot Janse (Hotel Le Quartier Français, Franschoek, África do Sul), a inglesa Angela Hartnett (York & Albany, Inglaterra), a espanhola Pepa Romans (Casa Pepa, Espanha) e as francesas Rougui Dia (Petrossian, Paris), Reine Sammut (Auberge de la Fenière, Lourmain, Fraça) e Adeline Grattard (Yam Tcha, França).

Foto: Divulgação

Um dos pratos criados para o tour gastronômico

Interesse pela gastronomia

Hoje, a gastronomia tem homens e mulheres no comando; cada um com seu estilo e perfil para cozinhar.Mas o interesse pelo segmento não acontece só por influência de renomados profissionais, mas pelo simples fato de gostar de cozinhar. Para a chef Bel Coelho, a paixão começou em casa. "Meus pais adoravam cozinhar, sempre íamos a restaurantes diferentes e eu gostava de ver os pratos e saber como eles foram feitos", diz.

Já o preconceitoque dizem existir, depende de cada região. "No Brasil, não existe esse preconceito de ser chef homem ou chef mulher. Acredito que na Europa ainda tenha um pouco mais, mas por causa da cultura deles, que sempre tiveram homens a frente das cozinhas. Mas há muitas profissionais boas, como pudemos ver neste festival", finaliza a chef.

Atualizado em 7 Ago 2012.

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