Guia da Semana

Sabor histórico

Agosto é o mês do chocolate e, para comemorar, desvendamos alguns mitos e verdades a respeito dessa delícia.

Durante o século 18, um botânico sueco chamado Carlos Lineu estudava as plantas das "novas terras" e, ao nomear a árvore do cacau, ele a chamou de Theo-Broma, que em latim significa Alimento Divino. Não por menos, os aficionados por chocolate acreditam que ele seja sim divino e, ainda por cima, podem esfriar a cabeça e até viciar. Mas será mesmo? O Guia da Semana foi investigar e descobriu quais nutrientes e gorduras existem em uma barra de chocolate e se ele realmente vicia ou é apenas um mito.



Da América para a Europa

De acordo com os livros de história, os primeiros vestígios do chocolate datam de 1.500 a.C., na civilização Olmeca, no México, aproveitado pelas civilizações Maias e Astecas posteriormente. O doce chegou a ser uma relíquia, usado como dinheiro pelos Astecas. Montezuma, o imperador dessa comunidade, apreciava o chocolate como bebida e mostrou sua preciosidade para o espanhol Hernandez Cortez. Após o domínio desse império, Cortez passou a plantar cacau em diversas ilhas dominadas pelos espanhóis durante o século 16. A Espanha é considerada o primeiro país em que o chocolate passou a ser a bebida preferida em todas as camadas da população.

Aos poucos, outros países europeus passaram a comercializar a bebida. E foi em um desses países, mais precisamente na Holanda durante o século 19, que o fabricante Conrad van Houtten descobriu uma maneira de extrair a gordura dos grãos de cacau moídos e transformá-la em manteiga de cacau. Ele também pressionou o líquido até que formasse pedaços de chocolate que se dissolviam na água, deixando a bebida mais leve e saborosa. Somente 20 anos depois é que teve início a produção de chocolate em barras, em que misturavam cacau moído com manteiga de cacau e açúcar.

Nutrientes e gorduras
 
É sabido que o chocolate engorda e que, quando consumido em grande quantidade, faz com que as horas na academia sejam estendidas para perder as calorias que resultam do seu consumo. "O cacau é uma castanha, que é uma semente, e esta semente é envolvida em uma camada de gordura, isto é, tem uma proteção. É essa gordura do chocolate que engorda", explica a chef de cozinha Rosa Fonseca. 

Por outro lado, o produto é rico em proteínas. "Os minerais encontrados no chocolate na porção recomendada pela Agência de Vigilância Nacional (Anvisa) são magnésio, cobre potássio e zinco", diz a nutricionista e responsável pela técnica e pelo Laboratório de Técnica Dietética da Faculdade de Saúde Pública da USP, Ana Paula Gines. 

A profissional completa: "O chocolate fornece, em uma barrinha de 25 gramas, cerca de 130 kcal. Se consumido na porção recomendada de 25 gramas, dentro de uma alimentação equilibrada, o chocolate não levará ao aumento de peso corporal. Porém, caso seja consumido em excesso, a ingestão de carboidratos e gorduras será elevada, podendo também elevar o peso corporal. Portanto, é necessário sempre ficar atento à quantidade consumida".

Alguns estudos científicos apontam problemas relacionados ao consumo excessivo do chocolate. "Podem ocorrer hiperuricemia (níveis altos de ácido úrico no sangue), associado a infarto e doenças renais, além de sua ação estimulante ser similar à da cafeína", esclarece a nutricionista".



Mito ou verdade?

Agora, a pergunta que não quer calar: o chocolate vicia mesmo? De acordo com a chef de cozinha Rosa Fonseca, "o chocolate, assim como o café, possui uma substância que atua no cérebro, que por sua vez libera outras, que são eliminadas em momentos de prazer. É como se fosse uma substância de bem-estar. Há pessoas que afirmam ter a necessidade, mas outras comem todos os dias e não demonstram o vício. É o chamado subterfúgio psicológico".

A analista de sistemas Vanessa Souza não vive sem o doce. "Como chocolate e seus derivados (pudins, bolos, trufas e sorvetes), em média, seis vezes por semana. Há alguns meses, comecei uma dieta radical e fiquei nove dias sem comer. Meu humor mudou em casa, não parava de falar de doce e meu namorado insistiu para que eu comesse algo, pois achou que eu estava passando por uma crise de abstinência. Acredito que pode ser considerado como vício, pois olho para um chocolate e preciso usar toda a minha força de vontade para resistir, quase sempre tempo perdido, pois não aguento", conta.

Já a consultora de beleza Lidiane Oliveira não consegue viver sem uma torrada com pasta de chocolate no café da manhã; ela mantém barras grandes e pequenas espalhadas por toda a casa e até na academia. "Nunca esqueci de comer chocolate, pois virou um vício acordar e comer algo que tenha chocolate. Depois do almoço, também sempre como uma barra pequena. Somente à noite procuro não consumir, pois senão eu não consigo dormir; nessa ocasião ele me deixa acelerada", brinca.



A nutricionista Ana Paula Gines esclarece que "o vício por chocolate é estudado, mas ainda não está comprovado. Sabe-se que o chocolate tem substâncias que agem no cérebro, porém, ainda não há certeza de que essas substâncias podem levar ao vício pelo alimento. O que é descrito é a compulsão por chocolate. Isso ocorre quando uma pessoa perde o controle e consome grande quantidade, muitas vezes superior a 300 gramas por dia, aliado à sintomas de ansiedade, angústia e depressão".

Diferenças

Fazer uma barra de chocolate é simples: a receita leva massa de cacau, manteiga de cacau, açúcar e leite. Mas há diversas diferenças entre as versões amargo, meio amargo e ao leite. "No chocolate amargo não vai leite, já no meio amargo é acrescentada uma pequena quantidade; ao leite, a maior parte da composição é com lactose. Tanto que, quando uma pessoa diz que é alérgica ao chocolate, na verdade, ela é alérgica à lactose", explica a chef Rosa Fonseca.

Ela ainda esclarece: "Alguns fabricantes colocam gordura vegetal hidrogenada na produção de chocolate, algo que eu não recomendo, pois é calórica. Mesmo sendo mais resistente ao calor e ao frio, e ser mais barata, não é uma gordura natural e não tem bom colesterol. Além de tudo, há indicativos não-conclusivos de que ela inibiria o benefício de uma gordura boa. São estudos que ainda estão em curso, para saber o que realmente provoca no organismo". 

 Algumas recomendações para o consumo de chocolate:
 - Bastante moderação, respeitando o limite de 25 gramas;
- Dar preferência ao chocolate amargo, com quantidade de cacau superior a 30%;
- Fornecer ao corpo outros grupos importantes de alimentos, como cereais, leguminosas, legumes, verduras e frutas;
- Atenção no consumo da versão dietética, que tem menos açúcar mas igual quantidade de gorduras.

Atualizado em 7 Ago 2012.

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