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Por Redação Guia da Semana

A nova bossa nova

Movimento ganhou o mundo na década de 50, mas até hoje faz a cabeça de músicos de diversas gerações e segmentos.

A cantora Patty Ascher, nova aposta do veterano Roberto Menescal


Em cinco décadas de vida, a bossa nova não se diferenciou de qualquer outro ritmo marcante, alternando momentos reluzentes e períodos de embotamento. Longe da época dourada em que reinavam seus principais mestres, o gênero ainda faz a cabeça de artistas dentro e fora do país, trabalhem eles com música eletrônica, jazz ou até mesmo indie rock.

À emergência da MPB, já em meados da década de 60, somaram-se a ascensão do rock nacional e de ritmos regionais, que passaram a se fundir com mais freqüência às demais correntes. Assim, a bossa nova deixou de reinar absoluta entre o público, mas jamais ficou relegada em um plano inferior.

Nas décadas subseqüentes, foi retomada por muitos artistas, principalmente por cantoras que não se dedicavam exclusivamente ao gênero, mas que o diluíam em outros ritmos, principalmente o samba. Hoje, os chamados standards seguem norteando a trajetória de intérpretes como Maria Rita, Lenny Andrade, Patty Ascher, Roberta Sá e Adriana Calcanhotto.

Jazz e bossa nova: uma conexão inevitável

A história de muitas das grandes vozes do jazz e da música americana se mistura em determinado momento com o repertório da bossa nova. Ella Fitzgerald chegou a gravar um álbum dedicado à obra de Tom Jobim, enquanto Frank Sinatra convidou o autor de Garota de Ipanema para um dueto inesquecível. Ainda hoje, o ritmo atrai artistas da nova geração, como as cantoras Diana Krall e Jane Monheit, além do guitarrista John Pizzarelli e do saxofonista Ravi Coltrane, nomes que demonstram interesse não apenas pela bossa, mas pelo trabalho desenvolvido por gente como Milton Nascimento e Ivan Lins.

Os indies também amam a bossa

Após sair do Belle & Sebastian, a cantora e violoncelista Isobel Campbell engatou uma série de projetos solo, como o grupo Gentle Waves e a parceria com Marc Lanegan. Essa nova fase bebe diretamente da música de Tom Jobim e Astrud Gilberto, lançando mão não apenas da tradicional batida de violão à maneira de João Gilberto, como também de samples de Água de Beber. Em Odelay, um dos discos mais aclamados do cantor norte-americano Beck, a bossa nova penetra na maior parte das canções - há até espaço para um retalho de Desafinado perdido entre as faixas.

Beck investiu pesado na bossa nova em seu elogiado álbum Odelay, de 1996


Já o grupo francês Nouvelle Vague, que passou pelo Brasil em 2007, ficou famoso por desconstruir grandes sucessos da new wave e do pós-punk oitentista e vesti-los com uma roupagem que usava e abusava da bossa nova, gênero que também ampara a carreira de Devendra Banhart - embora o músico esteja mais escorado no tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Tempero eletrônico

Com a ampliação das correntes da música eletrônica, não tardou para a bossa ser incorporada por DJs e produtores em suas mixagens e samples. No Brasil, o grupo Bossacucanova foi um dos pioneiros nessa fusão de ritmos. O conjunto está há quase uma década na estrada e já foi indicado ao prêmio Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Brasileiro de Pop Contemporâneo, em 2001, além de gravar com membros da velha-guarda do movimento como Roberto Menescal e Marcos Valle.

Outro nome bastante conhecido no cenário e que também colheu frutos com a introdução de batidas eletrônicas em peças de Tom Jobim foi a cantora e multiinstrumentista Fernada Porto, que estourou no início da década com uma versão drum ´n´ bass da clássica Só Tinha de Ser Com Você, provando que a bossa, como um gênero atemporal, pode ser sempre repaginada.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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