Guia da Semana
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Por Anderson Nascimento

A volta do New Metal

Gênero, que viveu seu auge nas décadas de 1990/2000, aos poucos volta a ganhar destaque; Monsters of Rock traz Korn, Limp Bizkit e Slipknot.

O Slipknot durgiu na primeira metade dos anos 1990 em Iowa (Divulgçaão)

No início dos anos 1990, fãs de Metallica e Megadeth que também ouviam artistas do Hip Hop como Wu-Tang Clan e 2Pac criaram um gênero musical novo, que misturava elementos dos dois ritmos: o New Metal (ou Nu Metal, como alguns gostam de chamar). A mistura é relativamente simples: riffs rápidos e distorcidos do Trash Metal fundidos com samples, baixo pulsante e vocal falado do rap.

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O visual também era uma mistura dos dois gêneros: roupas largas (adidas Originals era uma preferência, influenciados pelo Run DMC, nome importante do rap norte-americano da década de 1980), mas com um lado sombrio. O preto era a cor vigente. Mas o que aconteceu com o New Metal? Como ele surgiu e por que o gênero caiu no ostracismo nos últimos anos?

Vamos relembrar o início das três bandas de New Metal que integram o Monsters of Rock – que rola dias 19 e 20 de outubro na Arena Anhembi e traz Korn, Limp Bizkit e Slipknot na mesma noite - para tentar entender um pouco dessa história.

Pré-história

O Run DMC é um nome importante para o surgimento do New Metal. O duo sempre usou samples de rock em suas canções. Seu segundo álbum, King of Rock, de 1985, deixa claro sua proposta. Mas foi Rasing Hell, de 1986, que consolidou a combinação rap + rock. A versão de “Walk This Way” do Aerosmith com a participação da banda é um marco divisório na carreira dos caras. Outros nomes importantes que surgiram antes do New Metal – ainda nos anos 1980 - misturando rap e rock são grupos como Living Colour e Faith No More.

O início de tudo com o Korn

A primeira banda de New Metal a ganhar notoriedade no mainstream foi o Korn. Seu álbum de estreia, homônimo, lançado em 1994, pode ser considerado um marco inicial do gênero. As guitarras de Munky e Head, o baixo pulsante de Reginald Arvizu, o vocalista Jonathan Davis mesclando berros com rimas... É isso! O New Metal deu seu primeiro passo rumo à consolidação.

Mas a consagração do Korn veio em 1998, com o lançamento de Follow The Leader, seu terceiro álbum de estúdio. A receita foi a mesma do início, mas com um investimento maior de sua gravadora e rádios/MTV tocando as canções com mais frequência, não demorou muito para a banda estourar. “Freak on a Leash”, o grande sucesso comercial do Korn até os dias de hoje, foi o carro-chefe de Follow The Leader.

Aí vem o Limp Bizkit...

Outras bandas surgiram a partir do boom do New Metal. O Limp Bizkit é uma delas. A receita é a mesma do Korn, só que com uma pitada maior de Hip Hop. O disco de estreia do grupo, Three Dollar Bill, Yall$, chegou às lojas em 1997. O vocalista Fred Durst, diferente de Davis, não tem um lado sombrio. É um fanfarrão nato. Rapper branquelo, viveu a fama – relativamente grande na segunda metade dos anos 1990 e início dos anos 2000 – de maneira intensa, e até se envolveu com Britney Spears (veja só!). O lado sombrio do Limp Bizkit fica a cargo de seu guitarrista, Wes Borland, que se pintava todo para subir ao palco e tocava de maneira assustadora, com trejeitos e riffs (altos, distorcidos e) incomuns.

A grande obra do Limp Bizkit – a exemplo do Korn – é seu terceiro álbum, Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water, lançado em 2000. Amparado pelos hits “My Generation”, “My Way”, “Rollin’” e “Take a Look Around” (trilha sonora de Missão Impossível 2), o disco vendeu 6 milhões de cópias só nos EUA. Tá bom ou quer mais?

Slipknot, o New Metal do mal

Apesar do não flerte do Slipknot com o Hip Hop (apenas uns vocais meio falados no seu início), o grupo ganhou o rótulo de ser New Metal. Com nove integrantes vestindo uniformes e máscaras, a banda nascida em Iowa tem dois percussionistas, o que a difere do “Padrão Heavy Metal” de tocar. Essa talvez seja a explicação para o Slipknot ser, até os dias de hoje, considerada uma banda New Metal.

Liderado por Corey Taylor, o grupo lançou seu álbum de estreia, homônimo, em 1999. Os caras se mantém na ativa até os dias de hoje – apesar da perda trágica de seu baixista, Paul Gray, morto por overdose em 2010. Seu último trabalho de estúdio, All Hope Is Gone, foi lançado em 2008.

É New Metal! Mas é New Metal mesmo?

Algumas bandas acabaram rotuladas como New Metal, mesmo não tendo em sua sonoridade elementos tão claros do gênero. O System of a Down é o maior exemplo disso. Os integrantes do grupo californiano com origem armênia faziam uma espécie de mistura de Heavy Metal com a música tradicional do país de origem de seus ancestrais. O resultado era um som diferente, muito por conta do modo como o vocalista Serj Tankian cantava, rápido e cheio de sotaque. O grupo não lança um álbum de inéditas desde Hypnotize, de 2005.

O Deftones é outra banda que ganhou o rótulo de New Metal. No início, por ter Frank Delgado na banda, cara responsável pelas pick-ups e pelos sintetizadores, o Deftones entrou na mesma turma de nomes como o Limp Bizkit, por exemplo. Mas ao longo dos anos – e dos discos lançados – o grupo se desvinculou do gênero e seguiu um caminho distinto. Seu último trabalho, Koi No Yokan, lançado ano passado, foi muito elogiado.

“Soft New Metal”

As grandes gravadoras perceberam a força do New Metal na época e aproveitaram ao máximo tudo que o gênero poderia oferecer. A partir de sua popularização, o New Metal abrigou uma nova geração de bandas, que tinham uma abordagem mais branda e acordes mais tranquilos que suas percussoras. Surgia então uma espécie de “Soft New Metal”, subgênero liderado pelo Linkin Park, banda com maior apelo pop entre seus contemporâneos.

Outro grupo que se aproveitou da explosão do New Metal para ganhar os holofotes foi o Papa Roach. Seu álbum de estreia, Infest, de 2000, tem elementos do gênero, como a conhecida “Last Resort”. Mas seus lançamentos subsequentes esquecem do New Metal e apostam em outra turma, a dos emos, que ganharia espaços nos anos seguintes.

O início do fim

O New Metal começa a perder força perto da segunda metade dos anos 2000, pricipalmente pelo crescimento do Emocore, gênero que tinha bandas como My Chemical Romance, The Used e Funeral For a Friend como nomes mais importantes.

O indie rock também angariou alguns fãs de New Metal. O lançamento de Is This It, álbum de estreia do The Strokes, em 2001, marcou um novo ciclo na música “alternativa”. E esse ciclo não tinha o New Metal como protagonista.

E hoje?

Hoje, duas décadas após dar seus primeiros passos, o gênero musical que sempre foi execrado pela crítica especializada e viveu seus piores momentos nos últimos anos, parece ganhar força novamente. Ex-integrantes retomam contato com bandas (Wes Borland no Limp Bizkit e Head no Korn, por exemplo) e um festival brasileiro reúne Korn, Limp Bizkit e Slipknot, três grandes nomes do gênero, em uma única noite. Tudo com gosto de nostalgia.


Por Anderson Nascimento

Atualizado em 19 Ago 2013.

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