Guia da Semana
Shows
Por Redação Guia da Semana

Ares argentinos

Argentina possui grupos independentes tão bons quanto os brasileiros.

Divulgação

Bom, cá estamos. Ponto de partida, início, marco zero... como quiser. Começa aqui minha colaboração neste site, mais precisamente no canal de Shows. Espero retribuir a oportunidade que me foi dada de escrever sobre este tópico tão cheio de possibilidades trazendo sempre algum assunto interessante, uma dica, uma novidade ou até mesmo uma reflexão que acrescente de alguma forma qualquer coisa na sua vida. Profundo, não?

Angustiado pela ansiedade do meu primeiro tema, recorri à opinião de minha namorada que me lembrou que, ainda que o "underground" esteja paradoxalmente conquistando "um lugar ao sol", graças à democratização instaurada pela internet, a grande maioria da informação - ou os espaços detentores da maior audiência - ainda privam o grande público de muita coisa boa que acontece além da vã filosofia mainstream. O lembrete soou como a descoberta da roda - óbvio e genial - já que este que vos escreve faz parte de uma banda independente e roda o Brasil acompanhando (e vivendo) os percalços deste "submundo". Através dele, acabo conhecendo coisas tão incríveis que torna-se impossível não concluir que poderiam perfeitamente ocupar nas rádios e trilhas de novela o lugar de alguns nomes que não produzem nada bom ou original há muito tempo (e de outros nomes que sequer chegaram a produzir algo interessante...).

Mas enfim, música independente é música independente em qualquer lugar do mundo. A idéia básica é: gostar de fazer música e correr atrás disso sem qualquer tipo de ajuda (pelo menos não de gravadoras ou instituições que têm a música como objeto de trabalho). Partindo deste principio e olhando minha estante de discos, me veio à cabeça um assunto pertinente.

Em março de 2006 fui pra Buenos Aires com minha namorada, e como adoradores do tango, não poderíamos deixar de explorar TUDO que encontrássemos da tradicional música argentina, driblando (agora sim com o famoso jeitinho brasileiro) as ciladas-chavões para turistas.

Assim, fomos à feira de San Thelmo (a Benedito Calixto dos hermanos) - indiscutivelmente um dos melhores lugares para se encontrar antiguidade, cacarecos e afins. O cenário perfeito para encontrar um bom disco do Gardel ou do polêmico Piazzola (porque ao contrário do que muitos pensam, existe uma briga feia entre os que admitem ou não a legitimidade da música de Piazzola). No meio desse caldo cultural riquíssimo e sedutor, tive a alegria de ver tocando ao vivo, num canto de uma rua, a Orquesta Típica Imperial. Como entrega o nome, não se trata de uma simples banda, mas uma verdadeira orquestra com direito a piano (não me perguntem sobre a logística da coisa - eu nem imagino!), acordeon, violão, violino, violoncelo, percussão, e o melhor (que eu, particularmente, nunca havia visto ser explorado no tango): metais. Uma verdadeira banda independente argentina.

A Orquestra Típica Imperial tocava na rua, vendia o seu segundo disco (que levava o nome de La Máquina Tanguera ), divulgava seu (ótimo) trabalho e provavelmente levantava um caixa para continuarem a fazer o que gostam. Foi sem sombra de dúvida mais emocionante do que assistir ao tango na pomposa Esquina Carlos Gardel (era difícil manter a concentração com os imperdoáveis flashes provenientes das sedentas câmeras japonesas). Abstraindo-se os cliques e toda sensualidade exagerada - nítidamente ali encaixada para atrair turistas leigos no assunto - , era impressionante como eles conseguiam interpretar com tanta energia e intensidade toda a beleza e o sofrimento que o tango exala. Sublime.

A banda, neste disco ( La Máquina Tanguera) faz releituras de tangos menos conhecidos e apresenta também composições próprias, como você pode conferir no site www.orquestaimperial.com.ar. Valhe a pena sapear.

Na volta da viagem, mais uma vez me rendi aos apelos da minha namorada, deixei meu preconceito com o mundo eletrônico momentaneamente de lado e parei pra ouvir, com atenção, o já famoso Gotan Project - trio que mistura tango, jazz e música eletrônica brilhantemente. A banda participa da trilha sonora do filme Dança Comigo ( Shall We Dance com Richard Gere, Susan Sarandon, Jennifer Lopez). Para quem, como eu, ainda não conhecia, é outra GRANDE dica (www.gotanproject.com); pros já iniciados, minha recomendações é o Bajofondo, que, a grosso modo, abarca o mesmo estilo, porém, assim como a Orquesta Típica Imperial, parecia ser feita por gente mais jovem, mais experimental, ousado e dançante (o que, devo admitir, não é sempre que funciona). Se a curiosidade bater não deixe de visitar o site www.bajofondotangoclub.com

Por fim, como todo bom brasileiro, não me limitarei a descrever as maravilhas portenhas, deixando de lado nossa Terra de Vera Cruz (até mesmo por que se este fosse o meu tema, não poderia me esquecer das carnes, das meja lunas, etc). O novo disco do trio paulistano Los Pirata ( La Re-Vuelta ) também merece destaque. Formado por Loco Sosa, Paco Garcia e Jesús Sanchez, o Los Pirata canta todas as suas músicas em "portunhol" e nos shows, além de uma guitarra, usam uma bateria de brinquedo e um baixo-guitarra - o que torna do show da banda, além de divertidíssimo pelas letras, visualmente espetacular. Vale muito a pena ouvir o CD e, caso você esteja por perto, assistir a um show dos caras. Hasta lá vista!


Quem é o colunista: Felipe Daros
O que faz: é publicitário, guitarrista e vocalista do grupo Ecos Falsos.
Pecado gastronômico: comida japonesa.
Melhor lugar do Brasil: São Paulo. O Rio de Janeiro é o mais bonito.
Fale com ele: [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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