Guia da Semana
Shows
Por Gabriela Haas

Bate-papo com o Tremendão

O cantor Erasmo Carlos está prestes a desembarcar em Porto Alegre e o Guia da Semana RS fez uma entrevista especial com o Tremendão.

Divulgação

Porto Alegre volta a receber no dia 17 de dezembro um dos ícones da Jovem Guarda e do rock nacional dos anos 1970 e 1980 - o Tremendão, Erasmo Carlos. O cantor apresenta, no Teatro do Bourbon Country, o show da turnê Sexo & Rock'n'Roll, no qual reúne os repertórios de seus dois últimos discos - Rock'n'Roll, de 2009, e Sexo, lançado neste ano.

Com a tranquilidade de um músico com cinco décadas de estrada, ele conversou por telefone com o Guia da Semana RS sobre o show, a carreira e o reencontro com o público gaúcho. Aliás, afirmou que não dispensa um bom churrasco e deixou um recado para as fãs:
- Avisa a mulherada que eu tô chegando!

Guia da Semana - Seus últimos dois discos são bem diretos e já dizem no título a que se propõem: Rock'n'Roll e Sexo. Qual a importância que essas duas coisas têm na sua vida?

Erasmo Carlos - São duas coisas importantíssimas pra mim, porque eu vivo delas e para elas. Eu completaria a trilogia com amor, seria perfeito, seria o paraíso. Essas três coisas regem o meu mundo.

GDS - Para muitas pessoas, sexo ainda é um tabu. Como têm sido a repercussão do novo disco?

EC - Tem sido como eu esperava, olhado com hipocrisia, às vezes. Falar de sexo continua sendo tabu, ninguém imagina o sexo como uma coisa divina, que dá a vida às pessoas. Sexo é diretamente ligado à criação. O Big Bang pra mim, por exemplo, foi a primeira manifestação de sexo do Universo. Gerou a Terra e todos os outros planetas. Estou vivo porque teve sexo, as pessoas todas nasceram porque teve sexo. É uma coisa da qual ninguém fala, todo mundo se esconde pra falar. Engraçado que em um mundo moderno como o de hoje, onde as pessoas sabem que o que importa mesmo é viver a vida, ainda existam coisas assim, tabus.

GDS - E como você se sente em relação a essa situação?

EC - Pra mim é tranquilo falar sobre sexo, mas para as outras pessoas não é. Quando eu falo sobre isso pro mundo ouvir - pro mundo é pretensão, mas então pro Brasil ouvir - muitas pessoas torcem o nariz. O clipe que eu fiz não passa na televisão, é censurado porque tem cenas de sexo. As novas músicas também muitas vezes não tocam. Eu fiz o disco com essa intenção mesmo, não vou mentir e fingir que estou surpreso com a repercussão, eu já sabia que seria assim, só queria comprovar se eu estava certo. 

GDS - Pelo nome da turnê - Sexo & Rock'n'Roll -, a proposta do show parece ser unir o repertório dos dois discos. É isso mesmo? O que podemos esperar dessa apresentação?

EC - Sim, é unir os dois discos, mas sem desprezar meus sucessos antigos. Muitas pessoas vão me ver pela primeira vez e elas querem ouvir músicas que elas gostam, ao vivo. Músicas da Jovem Guarda eu vou cantar sempre, porque é uma coisa muito marcante na minha vida e na vida das pessoas também, então eu tenho que cantar. Tenho também meus sucessos dos anos 1970 e 1980. O show é maravilhoso - não estou estreando, já apresentei ele em São Paulo e em Belo Horizonte, e vi o resultado. Isso me enche de moral pra dizer que o show está bom pra caramba.

GDS - Nesses 50 anos de carreira, você certamente passou por muitas mudanças e transformações. De que forma esse amadurecimento se reflete nas músicas?

EC - Conforme vamos amadurecendo e aprendendo mais, ficando mais sábios, isso é refletido nas músicas. Quando eu comecei era tudo muito simples, o mundo era muito simples. Eu ainda rimava amor com dor, esse tipo de coisa, eu não tinha muita vivência pra falar nas músicas, era a minha realidade de adolescente. Depois eu casei, nasceram meus filhos, e eu fui amadurecendo. Tudo isso sempre foi transmitido nas minhas músicas e, principalmente agora, tenho que transmitir as coisas que aprendi na vida e que estou aprendendo até hoje.

GDS - Muitas pessoas ainda te relacionam automaticamente à Jovem Guarda e, consequentemente, à parceria com Roberto Carlos. Como é hoje a relação profissional de vocês? Vocês ainda trabalham em alguns projetos juntos?

EC - Trabalhamos, sim, claro. Há quatro meses gravei um DVD no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (com lançamento previsto para maio de 2012) e foi a primeira vez que o Roberto participou de um DVD meu. Estamos sempre juntos, telefonando, nos encontrando por aí. Não temos feito nada de música porque ele não grava há um tempão. Nós temos três músicas inéditas que fizemos há sete anos atrás, então quando ele gravar um disco de músicas inéditas as pessoas vão achar que fizemos essas músicas agora, mas foi há sete anos.

GDS - Muitos artistas começam a carreira por um caminho e, com o passar do tempo, tomam rumos diferentes. Você continua firme no rock?

EC - São tendências da personalidade de cada um. Eu sempre tive músicas românticas desde o início da minha vida, mas eu acho que pra você falar de amor a música não precisa ser lenta. Eu sigo esse pensamento que é o que me faz sentir bem. Falo de amor, mas de um amor mais movimentado. O amor pra mim não é triste, uma coisa de suicídio, tem que ser alegre.

GDS - Tua carreira tem estado bem ativa. Em 2009, lançou o livro Minha Fama de Mau e o disco Rock'n'Roll. Este ano, também teve disco novo. Quais os planos pra 2012?

EC - Não tenho planos. Estou na estrada com essa turnê e ficarei rodando por uns dois anos. Em maio, sai o DVD. Não faço muitos planos porque as coisas vão aparecendo, acontecendo. Não é nada planejado. Hoje em dia as coisas são muito diferentes, acontecem de repente, é muita informação junta, é muita gente fazendo tudo ao mesmo tempo, então as coisas mudam completamente em 24h. Estou sempre com a mala feita, meu violão e meu casaco de couro. Quando aparecer alguma coisa boa, já estou pronto.

GDS - Qual a expectativa para esse reencontro com o público gaúcho? Tens alguma lembrança das outras passagens pelo Estado?

EC - Para Porto Alegre eu vou direto, correndo! Eu amo a cidade, sempre me trataram muito bem aí. Eu amo as gaúchas, são as mulheres mais lindas do país! Gosto da cidade desde o primeiro dia que fui com a Jovem Guarda. Fomos de carro de bombeiro do aeroporto até o hotel, tinha gente dos dois lados da rua esperando por nós como se fôssemos astronautas voltando da Lua. Esse dia pra mim é inesquecível e todas as vezes em que fui praí sempre foi uma maravilha. Fora o churrasco, né? Quem não gosta de churrasco é doente do pé! Só tenho boas lembranças! 


Por Gabriela Haas

Atualizado em 6 Jan 2012.

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