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Por Redação Guia da Semana

Brasil independente

Longe dos holofotes da mídia, bandas têm cada vez mais oportunidades em eventos espalhados pelo país.

Matanza: presença garantida no Festival DoSol


Nos últimos vinte anos, cerca de meia dúzia de grandes festivais trouxe ao Brasil a nata da música internacional. Extinto no início da década, o Free Jazz Festival recrutou lendas não apenas na música norte-americana, como uma boa diversidade de artistas até então pouco conhecidos no país. Essa mesma linha foi seguida pelo colossal Rock in Rio e pelo pouco lembrado Hollywood Rock, eventos que reuniram nomes como Queen, Guns N´ Roses, The Smashing Pumpkins e INXS, entre outros.

Mais recentes, Tim Festival, Claro Q É Rock, Motomix e Nokia Trends foram responsáveis pelo retorno de pesos pesados aos palcos brasileiros. Em comum, todos esses eventos contam com patrocínios de grandes multinacionais, que não economizam na hora de escalar as atrações, investindo grande capital na vinda de artistas estrangeiros.

A vez dos pequenos

Embora não contem com a estrutura e o apelo dos eventos maiores, os festivais de música independente têm conquistado um espaço cada vez maior na agenda cultural do país. Focados em revelar e lapidar talentos que correm paralelos às gravadoras e rádios, Bananada (GO), Mada (RN) e Porão do Rock (DF) firmam-se como os principais palcos a abrigar bandas e artistas da cena alternativa.

Não são poucas as bandas que hoje mostram a cara na MTV e figuram nas principais rádios do país que passaram pela experiência de participar de festivais semelhantes. Celeiro de muitos nomes fortes do cenário, esses eventos evocam certa aura ecumênica, agregando as mais diversas vertentes do gênero. Vacilante no calendário, o Curitiba Rock Festival já reuniu no mesmo palco Wander Wildner, Frank Jorge e Flu, levando ao deliro uma saudosa platéia, que ainda conferiu de quebra o triunfal retorno dos Pixies.

Moptop: figurinha carimbada nos festivais independentes


Festivais independentes costumam privilegiar artistas brasileiros em detrimento de atrações estrangeiras, expandindo as possibilidades de garimpo, que sempre lançam holofotes em bandas desconhecidas do público em geral. Mas infelizmente, essa safra de músicos de qualidade nem sempre é absorvida pelo mercado, permanecendo longos períodos à margem do sucesso.

Quatro cantos do país

Um dos pontos positivos da ebulição da cena independente é a descentralização das apresentações e concertos. Estados de todas as regiões têm sediado festivais, mas é no nordeste que se pode encontrar o epicentro desse movimento. Porto Musical (PE), BoomBahia (BA), Abril Pro Rock (PE), Festival do Sol (RN) e Mimo (PE) são apenas alguns dos exemplos mais notáveis de que não é somente em São Paulo e no Rio de Janeiro que a cena underground ferve.

Música de qualidade, desvinculada de interesses comercias e aliada a um público seleto dá a deixa para que empresas como a Petrobrás e o Ministério da Cultura destinem uma verba maior a esses eventos, como tem acontecido freqüentemente. Uma ótima notícia para fãs, músicos e organizadores.

Atualizado em 6 Set 2011.

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