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Por Redação Guia da Semana

Do Invisível

Música: uma arte para ser ouvida, escutada, sentida.

Ilustrativa

Começo hoje a publicar uma vez por mês um texto sobre música aqui no Guia da Semana. Creio que farei desse espaço, um lugar para uma conversa de bom nível. Como cultivo das boas idéias, do questionamento "das coisas" da música e de seu extenso universo, do que está em torno dela, por vezes "invisível", por vezes paradoxalmente intocável.

O universo propriamente dito musical, aquele de notas, acordes, harmonias, melodias e ritmos mesmo sendo tão matemático é indefinido, pois se constitui da percepção e talento individuais e dos movimentos humanos diante da história e estes nem sempre foram e são previsíveis. E para mim, uma intérprete e cantora brasileira, soma-se ainda a importância da palavra.

E como cantar é meu ofício, considero uma das minhas tarefas reunir tudo e dar forma.

A música tem para cada pessoa significados e sentidos diferentes. É como se houvesse um tipo de música, "a sua", a que lhe dá identidade, como se fosse uma trilha sonora, muitas vezes para um instante de momento, mas que é parte do modo como vive e que entende a vida.

Me refiro também a uma tendência percebida no mundo de hoje por aqueles que pensam nas tendências de reordenamento dos espaços, na vivência do sentimento de identidade, a "tal" da globalização, que mistura culturas nem sempre com o cuidado necessário.

A arte como expressão maior do invisível sempre nos abrigou e nos confundiu, como lhe é característico. Paul Klee, pintor de nacionalidade alemã, reconhecido por seus quadros, mas que também era músico, violinista, disse em 1920: "A arte não reproduz o visível, ela torna visível". Entendo como ele, que é preciso talento, mas compromisso de observar o mundo para sermos artistas. Mas percebo que sob a perspectiva da economia esta observação parte de outro princípio, e ela tem virado apenas um enfeite, um adorno.

Quero deixar claro que o olhar que mais me interessa é sempre o humano, que rejeita a uniformidade, que compreende as diferenças, mas também rejeito na mesma intensidade a facilidade com que aceitamos a liberdade de lucrar.

Sem desejar aprofundar-me no tema da função da arte, creio mesmo que a expressão maior do que nos diferencia, ou pelo menos do que devia nos diferenciar das demais espécies, esteja principalmente ligada ao artístico que, assim sendo, traz para nossa existência um sentido.

Do lugar onde observo o mundo percebo que assistimos mais do que sentimos, e em especial a música, que deveria principalmente ser ouvida, escutada, sentida.

Julgamentos a parte, o que tento fazer é tentar medir o que estamos expressando e o que está por trás.

O que a música tem dito de nós? Senão por nós, por onde a vida revela seu sentido? Entre melodias, notas e palavras uma intérprete deste tempo o que tem e o que deve dizer? E Para quem?


Quem é o colunista: Vânia Abreu

O que faz: é cantora.

Pecado gastronômico: comida japonesa.

Melhor lugar do Brasil: sua própria casa.

Fale com ele: [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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