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Por Redação Guia da Semana

Entrevista Emicida - parte 2

Veja o que o rapper pensa sobre o mercado independente, parcerias e a importância da internet.



Guia da Semana: Ainda falta tempo para você lançar seu primeiro disco?
Emicida:
Não e nem gostaria que demorasse muito, inclusive estou começando a pensar nessas coisas. As mixtapes que saíram têm batidas e rimas influenciadas pelo mercado norte-americano e uma influência sutil da música nacional, mas gostaria que fosse ainda maior, quero trabalhar mais isso no meu disco oficial. Acredito que dá pra fazer um disco que dê continuidade à música brasileira.

Guia da Semana: Como foi a concepção do lançamento do mixtape Emicídio?
Emicida:
A gente partiu da ideia de fazer o show de lançamento de uma maneira diferente da outra vez. Demos um passo maior, já tinha feito um som na casa (Studio M) e me chamaram para fazer uma festa mensal. Como não dava, comentei que precisava de um lugar para fazer o show de lançamento. Os caras curtiram a ideia, a gente fechou e pensamos em chamar todas essas pessoas que estão ligadas diretamente a minha carreira e montamos um puta evento. São 15 mil flyer na rua, cartazes, fora as pessoas divulgando pela Internet, um custo mostruoso pra fazer uma festa pra 1200 pessoas. Só de circular essas informações, já vai gerar um resultado bom a médio e longo prazo.

Guia da Semana: Como a Internet ajudou na divulgação do seu trabalho?
Emicida:
Eu participava das batalhas de MC's e começaram a gravar com MP3 e colocavam o áudio na Internet. Aí apareceram as câmeras digitais, os celulares com câmeras e a rapaziada começou a filmar, subir para o YouTube e mandar pros outros. Quando fomos ver, já tinha mais de 1 milhão de exibições. Começamos a trabalhar pensando nas duas coisas, o público da rua e da Internet. Essas pessoas iam acompanhando, buscando coisas, mostrando pras outras pessoas e fazendo isso crescer. É uma coisa gradativa, a passos pequenos, mas a que tem mais solidez hoje em dia pra uma banda independente.



Guia da Semana: Você, que sempre esteve do mercado independente, acha que dá para sobreviver dele?
Emicida:
Dá sim. Temos seis pessoas trabalhando aqui diariamente e diretamente, fora às pessoas que ficam de maneira indireta ligada a gente. O grande problema é quando as pessoas sonham em depender de alguém e querem permanecer na independência, esperando que algumas coisas aconteçam sozinhas. O que não acontece aqui, nós mesmo saímos para colar os cartazes, divulgar os eventos, distribuir flyers, porque é a 'parada' que a gente acredita e, devido a nossa pequena estrutura, temos que se revezar em uma pá de função. Eu acho que dá pra viver de música independente sim, dá pra lutar para isso crescer mais, expandir mesmo como mercado.
Guia da Semana: Você ainda participa das Batalhas de MC's?
Emicida:
Não. Uma pela questão do tempo e outra porque não é mais necessário pra mim. O grande lance do Freestyle é fazer com que os outros caras queiram batalhar com você. Quando você quer batalhar com os outros é porque você precisa, e eu não preciso batalhar com ninguém.

Guia da Semana: Para quem vive de música independente, a Internet é um bom veículo para gera divulgação e visibilidade. Percebi que você é bem atuante em mídias sociais, como myspace e twitter. Você faz isso sozinho, ou conta com uma equipe?
Emicida:
Faço sozinho, raramente alguém meche no meu twitter. Como é a nossa ferramenta que tem mais seguidores de uma forma direta (acima de 22 mil perfis), sempre veiculamos todas as informações por ali e eu consigo manter contato com várias pessoas. A Internet é uma puta ferramenta, mas ela não mata o rádio e a TV, como as pessoas falam. A população ainda nem está pronta para ver a Internet como um novo rádio ou uma nova televisão, seja por quantidade ou alcance. Basta ver quantas pessoas têm Internet decente. O rádio e a TV ainda alcançam muito mais gente. A Internet é uma coisa muito positiva para a divulgação, basta ser bem trabalhada.

Guia da Semana: Com quem você gostaria de fazer parcerias?
Emicida:
Tenho uma vontade muito grande de gravar com a Fabiana Cozza, até existe esta proximidade, só acho que não fiz uma música tão grande quanto o talento dela, por isso ainda não chamei. Assim como a cantora de Brasília, Ellen Oleria, que não convidei ainda pelo mesmo motivo. Admirar, eu admiro vários artistas, desde Tulipa Ruiz a Ivete Sangalo, a primeira com uma ótima voz e a segunda mais completa do Brasil. Fico pensando várias vezes e tomo cuidado para não transformar esse CD oficial em um Emicida Convida, com uma pá de participação, e eu de lado, como anfitrião. Vai apertar meu coração, já que eu gostaria de colocar muito mais gente, instrumentistas e músicos maravilhosos que conheci nos últimos tempos. Acho que vou acabar lançando um Pen Drive de 2 gigas...



Guia da Semana: Qual é a cara do Rap hoje em dia?
Emicida:
Eu acho que ele está em uma fase muito criativa, mais isso não está representado nos grupos que tocam na variedade que a 105 FM expõe, não esta nas grandes FM's e os últimos trabalhos dos Racionais mostram isso. O Rincon, a Flora, o Kamau, todos eles começam a ter idéias e aproximar a música deles em coisas nacionais, sendo mais um elemento da MPB. A MPB, ao mesmo tempo em que tem o termo abrangente pra caramba, a mentalidade dessa cena é a mais atrasada de todas, pois insistem no ritmo do banquinho, violão, quando a música popular é uma coisa muito vasta. Eu sou muito otimista com essa nova fase do Rap e acho que, daqui a cinco anos, teremos resultados mais sólidos.

Guia da Semana: Qual é a influencia de seus pais na sua entrada no rap?
Emicida:
Minha mãe já sofreu muito na vida e agora está buscando o caminho dela, fazendo as coisas que ela gosta, a parada do artesanato e fazendo cursos de coisas que ela gostaria de ter aprendido mais jovem. Eu me vejo muito nessa parada de buscar as coisas que a gente é, e ela está nessa eterna busca. As idéias dela sempre influenciaram meus pensamentos, e a forma como fiz a minha música. Não tenho muita lembrança do meu pai, mas ele era DJ de Baile e influenciou de uma forma mais sutil. Ele morava separado da minha mãe e na casa tinha várias caixas de som que ficava maravilhado. Com 3 a 4 anos de idade, vez ou outra eu fugia para ver os bailes. Isso ficou em mim, de querer estar naquele ambiente pelo resto da minha vida.

Guia da Semana: Você teve uma filha há pouco tempo e já prestou uma homenagem no novo trabalho. O que ela mudou na sua forma de ver o mundo e fazer a sua música?
Emicida:
A sua ficha de ser pai só cai mesmo quando você pega seu filho no colo. Em um dia você é uma pessoa totalmente diferente e suas preocupações aumentam muito. Você fica bem mais sensível e começa a ver coisas que não via antes. Sempre fui uma pessoa muito fria, e continuo sendo em muitos momentos, mas me tornei muito mais emocional, dou mais valor a vida. Antes eu queria viver cada dia como o último, hoje basta pagar as minhas contas e curtir com minha filha. Involuntariamente, isso reflete na minha música, que é o que eu vivo. Tudo que retrato na minha música são situações que ou eu vi, ou vivi, ou estava perto de quem viveu, então mexeu muito comigo.


Atualizado em 14 Out 2011.

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