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Por Redação Guia da Semana

Galera independente

Com shows interativos e um som eclético, após dez anos de carreira a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acajú cai nas graças do grande público.

Foto: Vini Goulart


No melhor estilo livre de ser, a banda Móveis Coloniais de Acaju entrou para o cenário musical e tem arrastado multidões por onde passa. Viajando por estilos como rock, samba, ska, salsa e funk, o grupo, criado em 1998, recebeu duas indicações no VMB 2009 - Melhor Show e Rock Alternativo - além de abrir a sequência de shows da premiação.

Com o propósito de inovar - já pelo nome - composta de dez integrantes, que segundo os próprios, participam ativamente desde a escolha do tema de uma letra, até a composição dos arranjos finais, a criação coletiva é prioridade entre os músicos. Autônoma e dona de seu próprio Festival, o Móveis Convida, a banda está viajando com a turnê do segundo álbum, c_mpl_te (complete), que já passou pela Europa e acaba de chegar da Argentina.

Considerada pela crítica um dos melhores shows da atualidade e com influências que variam desde Aviões do Forró até sons do leste europeu, o Móveis deu uma pausa em sua criação cotidiana para um papo com o  Guia da Semana.

Guia da Semana: Qual a origem do nome da banda?
Móveis Coloniais de Acajú: Remonta uma fábula sobre a revolta do Acaju. É um fato histórico que aconteceu na Ilha do Babanal. Foi quando os ingleses invadiram a ilha e a população local, formada de índios e portugueses, se uniu para lutar pelo seu espaço. Na briga quebraram todos os móveis da ilha. É uma história que a gente gostou e por isso resolvemos adotar o nome. Achamos interessante por trazer a tona esse fato que poucas pessoas conhecem.

Guia da Semana: Vocês existem desde 1998 e só agora ganharam reconhecimento nacional. A que atribuem isso?
Móveis: Talvez devido à interação que a gente têm com o público. Essa coisa de deixar com que eles sejam parte do espetáculo. Estamos tocando bastante, mas existe um trabalho de base muito forte. Vimos a mudança de mercado, de estratégia, de como atingir o público. Passamos uma sinceridade, pois fazemos o que gostamos e quem ouve consegue sentir bem isso. O nome do segundo disco já remete bem esse fato. O processo de produção é coletivo e nada disso existe se não tiver ninguém para ouvir.

Guia da Semana: No caso de vocês, acham importante manter ferramentas como myspace, twitter, orkut?
Móveis: Nós sentimos a necessidade de usar tudo isso. Vimos que ajuda a deixar a banda muito mais próxima dos fãs e também leva nosso som até pessoas que ainda não nos conhecem. Acontece um diálogo mais estreito.  

Guia da Semana: A princípio vocês tocavam em pequenos eventos. Quando perceberam que poderiam tocar para grandes públicos?
Móveis: Aconteceu na capital o Brasília Music Festival, em 2003. Vieram atrações gringas e teve um concurso que nós vencemos. O prêmio era tocar no palco principal e nem acreditamos que passamos pelas eliminatórias. Somos em dez e levar isso como hobby, não ia dar certo. Começamos a pensar administrativamente uma banda, como artisticamente poderíamos dar certo e isso foi um marco interessante, pois precisávamos de uma estrutura e não tínhamos ainda.



Guia da Semana: Qual o segredo para fazer arte independente aqui no Brasil?
Móveis: É muita persistência e uma vontade muito grande de fazer um trabalho que você acredita. É não ficar na mão de uma gravadora e saber muito bem o que e como está fazendo. Para isso é preciso estudar mercado, e tudo mais que envolve o cenário musical. Claro que nada disso dá certo se a música não tiver um impacto. 

Guia da Semana: Quais os tipos de instrumentos inusitados que vocês já utilizaram para compor o som de vocês?
Móveis: A estrutura da banda tem um nipe de sopro que não é muito utilizada por outras que seguem a mesma linha. Além disso, dois saxofones, uma flauta, trombone e gaita. Pelo menos nós não temos conhecimento de que uma banda tenha esse tipo de instrumento como formação original e base. Para compor, por exemplo, já usamos banjo, sanfona, viola caipira, mas em show ainda não. Quem sabe incluímos isso para as apresentações. Seria bem legal.

Guia da Semana: Qual o truque para misturar as sonoridades do rock com outros ritmos como samba, ska, salsa, funk?
Móveis: Como estamos em dez, é um grupo que escuta muita coisa e possui diversas influências. Nós mostramos um para o outro o que estamos ouvindo e isso vai se espalhando. Tudo que escutamos tentamos tirar proveito para arranjos novos e até composições inéditas. O trabalho é complicado, afinal, é muita gente. Sempre rola uma discussão positiva, mas a ideia é que todos saiam satisfeitos. É mais demorado do que se fosse uma banda menor, mas é bem mais produtivo. Para mesclar o som, vamos testando. Pegamos uma levada e se não der certo vamos procurando caminhos diversos, mas tudo a base de testes.

Guia da Semana: Como são feitas as letras em 10 pessoas?
Móveis: No primeiro disco, as canções já chegavam prontas, já direcionadas e com as letras fechadas. No segundo álbum optamos por deixar o processo mais amplo e escolhíamos temas para as letras. Nos reuníamos para conversar sobre o conceito da música e íamos falando frases. Juntando tudo resultava no texto feito praticamente a dez mãos. Faltava uma palavra e um sugeria. Todas as letras e composições saem como autoria dos dez, fazemos muita questão disso.

Guia da Semana: Quais as principais influências da banda?
Móveis: É de um tudo, não temos preconceito musical. Vai desde Aviões do Forró até qualquer coisa do leste europeu que a gente absorve e comenta. Tem uma banda bem legal do Japão chamada Tokyo Ska Paradise que ouvimos muito. Nacional, gostamos de Paralamas do Sucesso, Trio Mocotó, Jorge Ben Jor, até Joyce. Quando uma pessoa ouve nosso som pode não notar tudo isso, mas na hora do processo lembramos de uma forma até engraçada tipo: "Ah, faz aquela levada que lembra Joyce" ou "Faz aquela pegada Jorge Ben".

Foto: Divulgação

 
Guia da Semana: Como surgiu o projeto "Móveis Convida"?
Móveis: Surgiu em 2005 como uma iniciativa de nos divulgarmos e sair de Brasília para tocar. Percebemos que a forma de produção lá não nos agradava, pois já estávamos na estrada e vimos que não haviam eventos que suportassem e tratassem bandas novas como lá fora. Então, criamos o Festival para fazermos com os outros da mesma forma com que fizessem com a gente. Agora estamos partindo para a 11º edição e já participaram Pato Fú, Los Hermanos, Teatro Mágico, Ludov, Moptop, entre outras bandas. Rolam shows com vários artistas e algumas músicas tocamos juntos. A última edição rolou em abril no lançamento do disco, mas a próxima fica para novembro com a participação do Biquíni Cavadão.

Guia da Semana: Qual foi à sensação de abrir a série de shows do VMB 2009?
Móveis: Foi uma experiência muito boa. Havíamos feito alguns shows em turnê e chegamos três dias antes da premiação. Então ficamos focados, pensando em como íamos interagir, performances e tudo mais. Fomos felizes. Mesmo com muito frio na barriga subimos lá e fizemos um show bem legal, foi ótimo. É bom conhecer pessoas que nunca tínhamos visto antes, artistas inclusive, e ouvir que gostaram.   

Guia da Semana: O show de vocês é tido como um dos melhores da atualidade aqui no Brasil. Qual o grande diferencial e qual acreditam ser a principal característica de vocês no palco?
Móveis: Talvez seja a parte de movimentação e a forma como interagimos com a plateia. Nós gostamos de deixar não parecer que exista um palco no show. Em alguns momentos até descemos, montamos uma roda com a galera e mandamos música. Essa forma de entrega durante o show com certeza faz uma grande diferença. O público sente a alegria e a energia que tudo cria e se entrega também ao som. Acabamos criando um pouco da performance. Incluímos o microfone de lapela no show, todos tocam com eles sem fio e a movimentação é muito grande. Mas, cada show é uma experiência nova e a criação está sempre aí para fazermos coisas diferentes.

Guia da Semana: Vocês possuem alguma experiência tocando fora do Brasil. Existe algum tipo de preparação ou adaptação para tocar em outros países?A música de vocês é bem recebida lá fora?
Móveis: Na turnê de 2008 que foi para fora, foi praticamente a mesma que aqui no Brasil. Artisticamente, não fizemos nada. Levamos o que já fazíamos e deu muito certo. A língua não foi problema, já que o público prestou muita atenção na performance e até na musicalidade, mais que uma mensagem de letra. Ficamos impressionados, por exemplo, na Republica Tcheca. A segunda língua lá é alemão e ninguém falava nada. Foi tudo no gesto, só sorriso e assim ia.   

Guia da Semana: Acha que as indicações de Melhor Show e Rock Altenartivo no VMB 2009 podem abrir ainda mais portas para a banda?
Móveis: Esperamos muito que isso aconteça, afinal todo artista busca essa ampliação de público e uma maior visualização do trabalho. Não como objetivo principal, mas sim em forma de reconhecimento de um trabalho de longo prazo. Estamos caminhando com passos tranquilos e temos um trabalho bem grande pela frente, nada de imediatismo.

Confira a performance da banda no VMB 2009:




Atualizado em 6 Set 2011.

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