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Por Redação Guia da Semana

It Was a Beautiful Day

Os shows das duas bandas levaram a plateia ao êxtase: um setlist caprichado e homenagens ao Brasil foram alguns dos pontos altos.

Foto: M.Rossi


Antes de mais nada, preciso confessar que sou suspeita para falar de Muse e U2. O apreço pela primeira banda começou em 2004, quando descobri o álbum Absolution por meio dos singles Time Is Running Out e Hysteria, que estavam no topo das paradas na Nova Zelândia (onde eu morava na época). Já o amor pelo U2 começou aos 12 anos, com o lançamento de All That You Can`t Leave Behind - que para mim é, até hoje, o melhor álbum deles.

Infelizmente, demorou dez anos para que eu pudesse conferir ao vivo e de perto um espetáculo do grupo. Sim, espetáculo. Com a abertura do Muse, me atrevo a dizer que foi uma obra-prima. Fui ao Morumbi com a maior das expectativas, afinal, não era uma, mas duas de minhas bandas favoritas que iriam se apresentar. E, mesmo não conhecendo umas quatro músicas (três do Muse e uma do U2), a noite não poderia ter sido melhor. Como eu já comentei, quem tem talento esbanja a qualquer momento, e empolga até quem está ouvindo a canção pela primeira vez.

Tirando a "calça Restart" do Matthew Bellamy, vocalista do Muse, e o corte de In a Little While - uma das músicas que eu mais amo no mundo - do setlist do U2, o último show 360º no Brasil foi incrível. Bono e Seu Jorge cantando uma versão voz e violão de The Model, do grupo alemão Kraftwerk, e o jogo de luzes do palco compensaram qualquer ponto negativo que pudesse haver.

A pontualidade do evento também me chamou atenção. Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard subiram no palco às exatas 20h. Fiquei triste que a apresentação durou apenas 45 minutos, pois não é todo dia que se pode conferir de perto a genialidade de certos artistas. Cheguei a ouvir do cara ao lado, comentando com o amigo: "Os agudos dele são sempre tão bons que eu diria que eles estão usando playback se não entendesse de música".

Para falar a verdade, a voz do vocalista nunca foi o que me chamou atenção na banda, mas sim o som incrível que apenas três pessoas conseguem fazer. Não há como negar: Bellamy é um gênio no piano, Wolstenholme manda muito bem na guitarra (e ainda se arrisca na gaita!) e Howard completa com chave de ouro na bateria. Não é à toa que Bono os comparou a Cream e Jimi Hendrix.

Falando no Bono, voltemos à atração principal da noite: o próprio, juntamente com The Edge, Adam e Larry. Para mim, cada um deles é um show à parte. The Edge com o carisma de sempre e os impressionantes solos de guitarra; Adam, no baixo, sempre colocando o público para cima; e Larry, meio escondido e até tímido atrás da bateria, arrancando gritos da plateia a cada solo de bateria que encerrava as canções.

Talvez por me identificar com os princípios e valores, acho que o que mais me chama atenção no grupo é a atitude. Acho demais a maneira como eles procuram se inserir de alguma forma na sociedade de cada país que visitam. Para eles, uma turnê nunca é apenas "uma visitinha para cantar e ir embora". Eles encontram políticos, discutem negócios, sociedade, economia, esportes, projetos sociais... E, sinceramente? Não acho que o façam para conservar a imagem de bons moços. Afinal, eles não precisam disso para manter os milhões de fãs espalhados pelos quatro cantos do globo.

Com Magnificent, Bono declarou seu amor à América do Sul, citando Brasil, Chile, Argentina e Venezuela; com I Still Haven`t Found What I`m Looking For agradeceu a parceria do Muse na turnê; e, ao som de Scarlet, discursou em homenagem à ativista de Mianmar Aung San Suu Kyi, libertada no fim de 2010, após 20 anos presa.

Já no primeiro bis, Bono entoou One, homenageando o líder africano Desmond Tutu e a Campanha One, pela erradicação da pobreza e da Aids. Entre All I Want Is You e Where The Streets Have No Name, além de agradecer o governo de São Paulo por ter cedido o estádio para o show, Bono relembrou o massacre na escola de Realengo, ocorrido na semana passada no Rio de Janeiro.

O dia 13 de abril de 2011 ficará marcado em minha memória para sempre, não tenho dúvidas disso. Com ou sem In a Little While, o U2 já me faz feliz com Elevation, Beautiful Day, Sunday Bloody Sunday, Miss Sarajevo, Pride e as melhores da noite: City Of Blinding Lights, Walk On e With Or Without You. Se eu pudesse dizer alguma coisa a eles? "VOLTEM SEMPRE!".

Leia as colunas anteriores de Gabriela Forlin:

Turismo rural na serra catarinense

Encantos da Praia Brava

Backstreet is NOT back

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O que faz: Jornalista e tradutora.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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