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Por Redação Guia da Semana

Jazz brazuca

Sucesso no exterior, Ithamara Koorax está no Brasil para apresentar seu 12º disco, além de comemorar 20 anos de carreira em 2010.

Foto: Divulgação


Ela é filha de poloneses que fugiram da Segunda Guerra Mundial e, como muitos, encontraram uma nova vida no Brasil.  Cresceu ouvindo Frank Sinatra, Ella Fitzgeral, João Gilberto e Elis Regina. Em 2010, Ithamara Koorax completa 20 anos de carreira, sendo considerada como uma das melhores cantoras de jazz do mundo, ao lado de Diana Krall e Cassandra Wilson.

No meio dos preparativos para o lançamento de seu 12º disco, Bim Bom, no Bar do Tom, no Rio de Janeiro, a cantora conversou com o Guia da Semana a respeito de sua carreira, trabalhos, parcerias e o sucesso no exterior.

Conte um pouco de sua carreira e como a música, mais especificamente o jazz, entrou em sua vida!
Ithamara Koorax:
Minha mãe era cantora lírica, meu pai adorava jazz. Cresci ouvindo Frank Sinatra, Tony Bennett, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Chet Baker. Mas também muita música brasileira, como Elizeth Cardoso, João Gilberto, Elis Regina, Stellinha Egg e Vanja Orico. Sem falar das óperas que minha mãe escutava. Então fui estudar canto, piano, teoria musical e solfejo. Na adolescência descobri o jazz-rock de Chick Corea, Flora Purim, Urszula Dudziak, John McLaughlin, Larry Coryell e tantos outros músicos.
 
Você faz um sucesso imenso em diversos países. Você acha que a Bossa Nova e o Jazz possuem mais força e sucesso fora do Brasil? Por quê?
Ithamara Koorax:
Claro! Mas é natural. O jazz nasceu nos Estados Unidos. E a bossa nova se consagrou lá, de onde foi exportada para o mundo inteiro e até re-exportada (ou re-importada?) para o próprio Brasil, depois que Garota de Ipanema estourou nos Estados Unidos, na gravação de João & Astrud Gilberto com Stan Getz. O problema é que aí começou um segundo surto de ódio (o primeiro foi na época de Carmen Miranda) da crítica musical brasileira em relação aos nossos artistas que começaram a fazer sucesso, mas muito sucesso mesmo, no exterior, como Tom Jobim, Luiz Bonfá, entre outros. Infelizmente é uma coisa muito triste, uma atitude ridícula e vergonhosa que permanece até hoje e prejudica a carreira de muita gente no Brasil, inclusive a minha, porque nada do que fazemos e conquistamos internacionalmente é noticiado ou valorizado na imprensa nacional.

Você está completando em 2010, 20 anos de carreira. O que há de diferente na Ithamara Koorax de 20 anos atrás para a Ithamara Koorax de hoje?
Ithamara Koorax:
Ah, muita coisa... (risos) Em janeiro de 1990, quando fiz meu primeiro show como cantora profissional, eu era uma ingênua, não acreditava em maldade nem em inveja. O engraçado é que, quando você está começando, todo mundo apoia, dá força. À medida que você vai progredindo e conquistando espaço, muita gente começa a sentir inveja. O bom é que hoje eu sou uma artista com muita experiência e reconhecimento em um nível internacional. E estou plenamente realizada. Gravei e cantei com os meus maiores ídolos. Jamais sonhei que iria, um dia, obter um décimo do prestígio mundial que eu conquistei. O principal crítico dos Estados Unidos, Scott Yanow, me incluiu entre as melhores cantoras de todos os tempos, ao lado de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Betty Carter e Flora Purim, em seu livro, The Jazz Singers. Não posso nem dizer que é a realização de um sonho porque eu nunca imaginei que atingiria este patamar de reconhecimento.

Foto: Divulgação
 

Há algum momento marcante em sua carreira, que você nunca esqueceu? Conte pra gente!
Ithamara Koorax:
São muitos! O dia em que Elizeth Cardoso me adotou como afilhada artística, logo no início da minha carreira em 1990. O dia em que gravei com Tom Jobim em 1994, três meses antes dele falecer. Os primeiros encontros com Baden Powell, Martinho da Vila e Dave Brubeck. O primeiro ensaio na casa de Edu Lobo. Os shows memoráveis com Luiz Bonfá, Dom Um Romão e Marcos Valle. O dia em que Dorival Caymmi me recebeu na casa dele e eu pedi a benção para as músicas dele que eu gravei no disco Brazilian Butterfly. Como diz o Rei (o cantor Roberto Carlos), 'são muitas emoções!'
 
Por que seu novo trabalho têm o nome Bim Bom? Como foi a produção desse disco? Há músicas inéditas ou regravações?
Ithamara Koorax:
Bim Bom é o nome da música do João Gilberto que abre o disco. É um songbook do músico, reunindo, pela primeira vez em um único CD, todas as canções que ele compôs. Eu e o guitarrista Juarez Moreira gravamos tudo em dois dias, "ao vivo" no estúdio, como se estivéssemos fazendo um show. Resultou num trabalho muito espontâneo, que foi lançado dia 18 de outubro no exterior e vem sendo unanimemente aclamado, com ótimas resenhas no New York Times, na Billboard, Cinco estrelas na Cashbox. 
 
O primeiro lançamento aconteceu nos Estados Unidos e você trouxe seu novo trabalho depois para o Brasil. Você quem escolheu fazer o lançamento primeiro lá fora, para depois trazê-lo para o Brasil?
Ithamara Koorax:
Não é uma escolha minha, é uma consequência do mercado. Também não é novidade na minha carreira. Desde o meu primeiro CD, Ithamara Ao Vivo (lançado em 1994), todos foram lançados primeiro no exterior e só bem depois chegaram ao Brasil.
 
Por que o Rio de Janeiro foi escolhido como palco para esse lançamento?
Ithamara Koorax:
Porque eu amo cantar no Rio! Ainda mais nesta época do ano, janeiro, quando a cidade está repleta de turistas de outras cidades brasileiras. Minha estreia profissional aconteceu em janeiro de 1990, no antigo Rio Jazz Club. Depois eu abri sempre as temporadas do Mistura Fina e agora estarei celebrando 20 anos de carreira no Bar do Tom, um local que me recebe com muito carinho e tem uma estrutura de produção impecável, comandada pela Fafá Magna. 

Foto: Divulgação


Há algum cantor que você tem vontade de formar uma parceria? Quem e por quê?
Ithamara Koorax:
Tem sim, mas é uma parceria impossível, com o maior cantor de todos os tempos, Frank Sinatra...(risos) E se não for impossível, eu espero que ainda demore muitos anos pra gente se encontrar em outra dimensão.
 
Qual canção você sempre teve vontade de regravar e conseguiu? Ou há alguma que você ainda tem vontade de colocar em seu repertório?
Ithamara Koorax:
Levo para o palco as músicas que eu gosto de cantar em casa. O meu CD de maior sucesso comercial, o Serenade in Blue, que vendeu mais de 250 mil cópias no mundo todo em 2000, tinha o subtítulo de My Favorite Songs exatamente por causa disso. Eram as minhas canções favoritas, tipo Dio Come Ti Amo, The Shadow of Your Smile, Un Homme et Une Femme, Moon River, Aquarela do Brasil, Mas Que Nada, Samba de Verão. Apesar de muito batidas, eu consegui dar a elas uma interpretação pessoal, diferente de todas as gravações existentes. Neste próximo show vou cantar várias músicas que eu adoro de paixão, mas que ainda não gravei, como Human Nature (lançada pelo Michael Jackson em Thriller), Got to Be Real (Cheryl Lynn), Never Can Say Goodbye (Gloria Gaynor), Smoke Gets In Your Eyes (The Platters). Tem uma música do João Gilberto, por exemplo, chamada Hoba-Lá-Lá, que é um bolero que eu canto nos shows há vinte anos, desde 1990, mas que eu só vim a gravar agora no Bim Bom em 2009.
 
Quais são seus ídolos?
Ithamara Koorax:
Tom Jobim, Luiz Bonfá, Elis Regina, Barbra Streisand, Stellinha Egg, Baden Powell, Dorival Caymmi, Dave Brubeck e o Hermeto Pascoal, com quem aprendi que a música é universal.
 
Você também é compositora? Onde busca inspiração para escrever suas canções?
Ithamara Koorax:
Componho raramente e, geralmente, por encomenda. A inspiração vem da pressão mesmo...(risos) E funciona! Agora mesmo fiz três músicas para um CD do guitarrista japonês Mamoru Morishita, uma para a banda italiana Gazzara, duas para a trilha de um filme inglês. Meu maior sucesso como compositora é uma música chamada O Passarinho, feita para a edição italiana do Big Brother. Esta música estourou nas rádios e depois nas pistas de dança em toda a Europa, recebendo nada menos que três remixes diferentes.

Foto: Divulgação
 

Você foi eleita pelo segundo ano consecutivo como uma das três melhores cantoras de jazz do mundo, pelos leitores das revistas Down Beat, Swing Journal e Jazz People. O que você acha que a fez merecedora ao lado de Diana Krall e Cassandra Wilson?
Ithamara Koorax:
Adoro a Diana e a Cassandra, que souberam desenvolver estilos muito pessoais. Eu consegui criar uma "grife Ithamara Koorax de interpretação", que é facilmente identificável e o público internacional adora. Ao mesmo tempo, como disse um crítico da DownBeat, sou "deliciosamente imprevisível". Nunca fiz um disco igual ao outro. Num ano gravo um CD de jazz acústico, no outro faço um de hip-hop, depois me dedico a recriar a obra do Caymmi, agora gravei o songbook do João Gilberto e por aí vai. Sem falar que fui também a primeira pessoa a misturar bossa e batidas eletrônicas dançantes, usando samples e loops, como no CD Bossa Nova Meets Drum 'n' Bass, em 1998, quando ninguém nem sabia o que era drum & bass no Brasil. Gravei até Dave Brubeck em rap! Ninguém nunca sabe o que eu irei aprontar. Nem eu! (risos) E aí é que está a graça da história, porque gosto de aventura, quero sempre surpreender a mim mesma e ao público.
 
Você acha que falta a divulgação do jazz no Brasil para que novos talentos possam seguir esse estilo musical?
Ithamara Koorax:
Falta tudo. Principalmente interesse e respeito da crítica musical pelos artistas, sejam cantores ou instrumentistas, que se dedicam a este estilo. Se a garotada vê pessoas como o Sergio Mendes, o Hermeto (Pascoal) e o Airto (Moreira) serem esculhambados o tempo inteiro, por que iria seguir os passos musicais dessas pessoas? Existem muitos novos talentos sendo desperdiçados porque querem agradar a crítica e se esquecem de agradar o público. E quem compra ingresso é o público.
 
Quais seus projetos para 2010? Fará turnês pelo Brasil e em outros países?
Ithamara Koorax:
Claro! Depois das cinco semanas de shows no Bar do Tom em janeiro, viajo para uma nova turnê europeia em fevereiro, emendo com a Ásia e só volto ao Brasil em abril. Tenho shows marcados até para outubro! Mas, infelizmente, ainda é mais fácil fazer show na Inglaterra, França, Finlândia, Coreia e na Bulgária do que em Porto Alegre, Florianópolis ou Goiânia. Você acredita que eu já cantei duas vezes na Sérvia, mas nunca cantei em Belo Horizonte? É muito ridícula esta situação!

Atualizado em 6 Set 2011.

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