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Por Redação Guia da Semana

João Gilberto, 80 anos

Para celebrar oito décadas de vida, conheça oito faixas do gênio que transformou a imagem do Brasil pela música.

Foto: Mauro Vieira/ Agência RBS


Em recente artigo publicado em O Estado de S. Paulo, o maestro Aderbal Duarte traz a seguinte explicação sobre a obra de João Gilberto: "Na realidade, os acordes dissonantes utilizados por João Gilberto têm sua origem na música contrapontística da polifonia renascentista, como consequência da valorização de apojaturas, antecipações, retardos, notas de passagem, etc.,".

De fato, talvez seja difícil explicar para o grande público onde reside a genialidade de um senhor ao violão, que toca as mesmíssimas músicas desde o final da década de 50 e que tem fama de ranzinza, excêntrico e turrão. Mas é a complexa radicalidade dos acordes que soam como brisa do mar que faz de João Gilberto, 80 anos completos neste 10 de junho, um gênio.

Para a celebração, o artista programa dois shows, em 3 de setembro, no HSBC Brasil, na zona sul de São Paulo; e no Rio de Janeiro, no dia 10 do mesmo mês, na casa Vivo Rio. Esta última apresentação será transmitida ao vivo pela distribuidora Live MobZ em cinemas do mundo todo, comprovando mais uma vez a força do mito.

O Guia da Semana escolheu oito faixas para contar um pouco dessa história, que funde samba com jazz, Bahia com Nova Iorque e que, como disse o maestro Duarte, aposentou definitivamente Carmen Miranda e seus cachos de banana como símbolo da música brasileira, alçando a Bossa Nova à categoria de linguagem musical de comunhão entre os homens.

Chega de Saudade - 1958
A música, pedra fundamental da Bossa Nova, é a primeira gravação de uma nova forma de conceber o samba, com o violão reproduzindo harmonicamente (ou seja, a partir de várias notas em acorde) o compasso deste ritmo. Foi o compositor Roberto Menescal quem apresentou João - que havia gravado alguns compactos - a Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em 1957. A dupla preparava o novo álbum de Elizeth Cardoso, então a maior voz feminina nacional, e percebeu a revolução sonora apresentada por este baiano nascido em Juazeiro, em 1931. O disco Canção do Amor Demais foi lançado no ano seguinte, só com músicas de Tom e Vinícius, que incorporaram a proposta gilbertiana nas composições. João gravou o violão nesta faixa e em Outra Vez, ensinando à cantora a entoar os versos de maneira cadenciada, em registro baixo e sem vibratos na Rua Nascimento Silva, 107, lançando assim um estilo que marcaria a música popular brasileira.



Bin Bom - 1959
O sucesso do álbum de Elizeth foi absoluto, catapultando João no cenário musical. Chega de Saudade é a faixa-título do seu primeiro álbum, já trazendo por completo o estilo do músico, somente com voz e violão. Assim como Hô-bá-lá-lá, Bin Bom é um baião desconstruído e remontado nos moldes harmônicos do músico, nas poucas vezes que se aventurou como compositor. As demais canções são na maioria dos amigos e parceiros que assimilaram por completo, sua proposta, como Carlos Lyra (Lobo Bobo, Maria Ninguém) e Ronaldo Bôscoli (Saudade fez um samba), ou arranjos de sucessos dos medalhões Dorival Caymmi (Rosa Morena) e Ari Barroso (É um luxo só).

Samba de uma nota só - 1960
A Bossa Nova de João Gilberto e de Tom Jobim trazia um mundo de encantamento, a trilha sonora perfeita para um o Brasil caminhava para o progresso e construía uma nova capital para um novo tempo. É nesse espírito que é lançado Amor, o Sorriso e a Flor, segundo álbum do músico, sob produção de Jobim. São desse trabalho os clássicos Corcovado, O Pato e Samba de uma nota só, na qual revela a base dessa nova e arrebatadora forma de composição: Eis aqui este sambinha feito numa nota só/Outras notas vão entrar, mas a base é uma só.

O Barquinho - 1961
A faixa, lançada no álbum que leva o nome do cantor, foi outro sucesso estrondoso e marcaria a carreira de Nara Leão, uma jovem da zona sul carioca de voz miúda que capitaneou e organizou festas e encontros dos bossanovistas com sambistas e artistas tradicionais, como Zé Kéti, João do Vale e Cartola.

Girl from Ipanema - 1963
Em menos de três anos, João Gilberto tornou-se uma sumidade internacional, discutido, debatido e comentado em todas as rodas da música, dos acadêmicos eruditos europeus aos empresários do show business norte-americano, que viam o total encontro da sonoridade do baiano com as desconstruções e improvisos jazzísticos. Foram lançados dois álbuns com as compilações do artista e, em 1964, chega a obra-prima Getz/Gilberto, juntando o baiano com o safoxonista Stan Getz. O disco ganhou o Grammy de 1965 de Melhor Álbum do Ano, Melhor Disco de Jazz e Melhor Arranjo Não-Clássico e The Girl from Ipanema, a música do Ano. Em 1966, a dupla lançou o volume dois da parceira.

Eu vim da Bahia - 1973
Lançado no segundo álbum, de título João Gilberto, é a composição que sela a parceria e influência do artista sobre os jovens que juntaram o estilo dele com o rock dos Beatles e as raízes do samba, forró e baião e lançaram a Tropicália em 1969. Eu vim da Bahia foi composta então pelo jovem Gilberto Gil.

Wave - 1977
Mais uma canção de Tom Jobim imortalizada pela interpretação gilbertiana e uma das poucas que teve apenas um registro, no álbum Amoroso, gravado ao vivo nos EUA em quatro apresentações entre novembro de 1976 a janeiro de 1977.

Coração Vagabundo - 2000
A gravação do álbum João Voz e Violão celebrou, quase trinta anos depois, toda influência que o baiano exerceu na geração tropicalista, principalmente Gal Costa, Nara Leão, Maria Bethânia e Caetano Veloso, que produziu o trabalho no qual o mestre canta esta faixa, composta por Veloso em 1967 para o álbum Domingo, que o lançou junto com Gal Costa. A parceria rendeu uma série de shows dos baianos no Brasil e exterior.


Atualizado em 6 Set 2011.

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