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Por Redação Guia da Semana

Maravilhoso, mas não tudo

Nem só de Sgt. Peppers viveu 1967.



Hereges os que não respiraram Beatles. Indignos os que não peregrinaram a Liverpool, nem se viraram à meca de Abbey Road três vezes ao dia durante este mês que termina. Há quarenta anos, John, Paul, George e Ringo lançavam Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, considerado o álbum mais revolucionário da história. E também o mais inteligente, vanguardista, conceitual e bem produzido registro fonográfico do mundo. Antes disso, a música não era música. E pronto. Se tudo isso nós já sabíamos, fizeram questão de não nos deixar esquecer. Em alguns minutos é capaz de um beatlemaníaco clássico quase te convencer de que até Noel Rosa se inspirou em Sgt. Peppers.

Com ares de patrulhamento sobre gostos e opiniões, foi assim que, em junho de 2007 permeou-se uma interpretação simplista sobre o passado da música pop. Se por um lado o álbum em questão é mais do que essencial, por outro ficou esquecido um punhado de referências históricas e outras vertentes do rock, cujos reflexos duram até hoje. Refiro-me aqui a outros ícones daquela efervescência de 1967. Afinal, a revolução não se fez com um disco só.

Surrealistic Pillow
Em 1967 o mundo conheceu Janis Joplin e Jim Morrison. Jimi Hendrix e Eric Clapton (no Cream) revolucionaram, cada um à sua maneira, a forma de se tocar guitarra. O Pink Floyd, encabeçado por Syd Barret, gravou seu disco de estréia no mesmo Abbey Road dos Beatles, e não coincidentemente com o mesmo viés psicodélico, em que também se consolidava o Jefferson Airplane, com seu Surrealistic Pillow. Os Rolling Stones lançaram três discos, e o The Who gravou seu terceiro trabalho em estúdio. Isso só para representar uma gama enorme de lançamentos mais do que importantes quwe ocorreram então.

Nenhuma das bandas citadas acima merecerá um mês inteiro de reverências e loas na imprensa mundial em comemoração aos seus quarenta anos. Permanecerão excluídas desse retrato "jornalístico"que não dá conta de mostrar uma geração diversa e pluralista. Para isso, basta ter lido e observado as homenagens e menções infinitamente iguais e previsíveis que os cadernos de cultura e entretenimento deste país publicaram no mês que se passou. Se Sgt. Peppers é, de fato, um álbum primoroso, sua ultra-exposição acaba por ocultar, injustamente, as demais peças fundamentais para o quebra-cabeça da música pop mundial.

Enquanto não termina a festa alheia, resta à minoria discordante e ressentida seencolher, e blasfemar contra os deuses. Não sobra vez nem aos beatlemaníacos que preferem o Álbum Branco ou o Revolver. É estranho e estúpido ao mesmo tempo, mas todas as referências foram reduzidas a uma. E não se trata de algo louvável, por assim dizer.


Quem é o colunista: Renata D´Elia
O que faz: é jornalista e tradutora.
Pecado gastronômico: pizza.
Melhor lugar do Brasil: Paris? Londres?
Fale com ela: [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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