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Por Redação Guia da Semana

Mutantes: o retorno

Grupo volta aos palcos brasileiros e se consagra como um dos melhores conjuntos do mundo.

Divulgação

A volta da banda sessentista Mutantes, que aconteceu em terras britânicas em maio do ano passado, chega finalmente ao Brasil e a data não poderia ser melhor: 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, que foi o berço da banda e que assistiu, atônita, a movimentação e a transformação que foi o início do movimento tropicalismo para a música brasileira.

Quando os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Baptista anunciaram o retorno aos palcos, muito se falou sobre a legitimidade do projeto, já que Rita Lee, a terceira "mutante", não topou o revival e ainda andou escrachando a dupla em entrevistas. Embora tenha dado sua benção a Zélia Duncan, que assumiu - mais emblematicamente do que efetivamente, é verdade - seu posto.

A verdade é que se musicalmente Mutantes não são mais o que eram há 40 anos, o mundo musical ainda tenta absorver e reverenciar o que banda produziu em sua época, dado que o trabalho estava anos luz a frente de seu tempo.

Se na efervescência cultural dos anos 60, a nossa bossa nova já era um parente muito mais próximo do jazz e se o "rock nacional" era Jovem Guarda com sua cópia tupiniquim do twist e da fase chamada 62-66 dos Beatles, com melodias grudentas e letras melosas, o tropicalismo escancarou a musicalidade brasileira para a guitarra elétrica e para a absorção de outros gêneros sem perder sua essência.

Em paralelo, pode-se dizer que a apresentação dos Mutantes no 3º Festival da Música Popular Brasileira de 1967, ao lado de Gilberto Gil, foi um rompimento tão significante quanto à apresentação de Bob Dylan no Festival de Newport de 1965, com uma guitarra, eletrizando e explodindo o tradicionalismo do folk americano.

Quase quarenta anos depois, quem for, poderá ver de perto Arnaldo Baptista, uma espécie de Sid Barret (Pink Floyd) brasileiro, que foi fundo nos excessos e na genialidade do rock, e a mitológica guitarra de Sergio Dias, construída por Cláudio, o mais velho dos dois irmãos, disparando alguns dos melhores riffs criados em terras brasileiras.

Se não for exatamente pelos Mutantes, valerá pela grande celebração ao rock e a uma das maiores bandas do Mundo, e, certamente a maior banda de rock brasileira.

Entre insanidades, irreverências e postura completamente rock ´n roll, os três foram protagonistas de cenas no mínimo curiosas, algumas relatadas pela biografia A Divina Comédia dos Mutantes, lançada pela Editora 34 em 1995, e recentemente relançada.

Rita Lee, em visita ao antológico estúdio Abbey Road, lambeu (sim, você leu certo, lambeu!) as maçanetas do lugar. O motivo? Simples: John, Paul, Ringo e George, além dos integrantes do Pink Floyd e outras sumidades do rock já tinham postos suas mãos ali diversas vezes.

Arnaldo Baptista, em 1974 (auge da piração mutante), foi visitar Antonio Peticov, velho amigo e primeiro empresário d´O´seis, banda que foi o embrião d´Os Mutantes, que estava erradicado na Itália, e chegou com uma idéia revolucionária: criar uma nave espacial para viajar (ainda mais, Arnaldo?) pelo espaço.

E pra completar, dizem as más línguas que a pior coisa que Sergio Dias fez musicalmente foi ter ensinado o então garoto Lulu Santos a tocar Here Comes The Sun, de George Harrisson. Alguém aí me explica por quê?


Quem é o colunista: Tiago Archela
O que faz: é músico, jornalista e bancário. Não necessariamente nesta ordem. As funções se alteram conforme o dia e a hora.
Pecado gastronômico: feijoada.
Melhor lugar do Brasil: São Paulo, de preferência aqueles dois quilômetros entre a Consolação e o Paraíso.
Fale com ele: [email protected]




Atualizado em 6 Set 2011.

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