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Por Anna Thereza de Almeida

"Não existe nenhuma possibilidade de projeto com Os Travessos", garante Rodriguinho

Em entrevista ao Guia da Semana, Rodriguinho falou sobre o passado, presente e futuro de sua carreira.

Rodriguinho está divulgando o seu sexto disco, intitulado “O Mundo da Voltas” (Divulgação/Luciana Faria)

Os anos 90 foram extremamente especiais para os amantes de samba e pagode. Nessa época, os principais hits do momento eram tocados principalmente por cavaco e tamborim. Dentre os músicos e grupos de pagode, o cantor Rodriguinho, que na época comandava os vocais do grupo Os Travessos, foi sucesso absoluto.

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O loirinho do pagode conquistou o público ao dar voz às músicas “Tô Te Filmando (Sorria)”, “Bye Bye”, “Maravilha Te Amar”, “Querubim”, “Digo que Te Amo”, “Adivinha”, entre outras. Porém, mesmo com o grande sucesso do grupo, Rodriguinho deixou Os Travessos em 2006 para seguir carreira solo.

Atualmente, o pagodeiro está divulgando o sexto álbum de sua carreira, intitulado “O Mundo Dá Voltas”. Além disso, paralelamente Rodriguinho também está tocando outros projetos, como um filme sobre seu novo momento musical e uma biografia.

Em um bate-papo pra lá de descontraído, o Guia da Semana conversou com o músico, que falou sobre sua carreira e próximos passos.

O Mundo da Voltas

“O Mundo da Voltas” é um mix de tudo o que aconteceu na minha vida inteira. A música “O Mundo da Voltas”, por exemplo, eu escrevi há sete anos. É uma história minha mesmo. É um disco em que eu coloquei muito o pé chão, sabe? Eu tava passando por uma fase bem boa de composição, estou nela até hoje, na verdade. Mas quando você está nesse momento você acaba achando que só as suas músicas são boas. E eu tive essa fase. O repertório dos meus últimos discos são compostos somente por músicas minhas. E esse disco não, eu ouvi músicas de todo mundo. A canção “Minha Diretriz”, por exemplo, não é minha. Eu só coloquei as minhas músicas no disco quando acabei a seleção do repertório dos outros artistas.

Ao mesmo tempo do disco, eu comecei a produzir o filme “O Mundo da Voltas”, que é um trabalho muito rico. Eu vou lançar tudo em DVD. Na verdade, depois que lançar o DVD eu lanço os vídeos no Youtube. Mas primeiro eu estou divulgando os clipes das músicas de trabalho que fazem parte do filme. São seis no total.

Carreira solo

Eu considero o meu último disco, “O Mundo da Voltas”, o melhor disco que já fiz. É o meu trabalho mais maduro. E isso é decorrente do tempo de carreira, claro. Mas é bem diferente a carreira solo da carreira de um grupo. Quando eu saí de Os Travessos, eu não sabia o que eu queria fazer, que diretriz queria tomar. Eu sabia que queria gravar músicas minhas, que eu queria dar uma cara particular ao meu trabalho, mas ainda não tinha certeza de nada. E hoje eu posso dizer que conquistei isso. Hoje meu som e minhas composições têm uma característica.

Acho que a principal diferença de 2006 pra cá é essa maturidade musical, que felizmente foi acontecendo naturalmente. E no meio desse caminho eu conheci o Thiaguinho, que é uma grande parceria da minha carreira. Juntamos nossas ideias e conseguimos atingir um nível de composição que eu nunca consegui sozinho. E nem ele. E isso deu cara tanto para o meu trabalho quanto para o trabalho dele. 

Parceria e amizade com Thiaguinho

O mais legal da nossa amizade é que um não força a barra no trabalho do outro, acontece naturalmente. Tanto é que no primeiro DVD solo dele eu não participei, são pouquíssimas as minhas músicas. Somos amigos, mas não é por isso que toda vez precisamos trabalhar juntos. Quando queremos fazer música a gente senta e faz. Tipo “vamos fazer músicas?”, “vamos”, e a gente realmente faz. Mas não tem um ritual. Quando a gente faz por e-mail, ele escreve uma parte e me manda. Daí eu termino e mando pra ele. Eu costumo falar que quando a gente dá muita risada antes de terminar alguma música é porque ela vai bombar. “Livre pra voar” foi assim, assim como “Fui”, “Valeu”, “Para de falar tanta besteira”, “Vaga Lembrança”...

O engraçado é que a gente se conheceu do nada. Um dia nos encontramos num hotel e começamos a conversar. E nisso surgiu muita coisa em comum, os dois vieram do interior – eu sou de Bauru e ele de Presidente Prudente –, e a gente foi trocando muita ideia. Eu gosto muito de escutar pessoas que têm histórias comigo. E ele sempre foi meu fã. A primeira vez que eu fui à casa do Thiago, a mãe dele me mostrou uma foto dele todo vestido de branco, olhando pra TV. E eu estava na TV, também todo de branco. Muito louco.

Outra situação engraçada foi quando ele me mostrou uma matéria na revista “Cavaco”, que na época cobria tudo sobre pagode. Na edição eu respondi uma pergunta sobre o meu irmão. E quando a gente tava lendo o Thiago falou: “você se lembra dessa pergunta? Olha o nome de quem mandou”. E não é que foi ele? Muito engraçado, não acreditei que ele ficava escrevendo cartinhas e mandando perguntas pra mim.

Tudo isso nos aproximou muito, só fez crescer nossa amizade. E agora selou mesmo, ele me deu o disco dele para eu fazer toda a produção. E disco é como um filho mesmo, então estamos trabalhando bastante. É uma grande prova de confiança.

Os Travessos

Eu fiquei bem chateado no início da minha saída. Porque eu não sai do grupo com ambição de carreira solo. Até porque, naquela formação de Os Travessos, fui eu que inventei as coisas, as ideias eram minhas, eu que pensava em tudo ali. E em alguns momentos eu tentava dar uma sondada com a galera, sabe? Até que teve uma hora que eles falaram “tudo bem, pode sair”. Meio que “foda-se”, sabe? E então eu saí bem chateado. Até por toda a vivência e história que passamos.

Hoje as coisas mudaram, a gente se fala e tem uma relação bacana, mas não rola fazer um projeto junto. Não tem como. Hoje o meu trabalho é muito diferente do deles, musicalmente falando. E eu tenho uma banda enorme, com alguns músicos que vieram comigo da época de Os Travessos, e jamais deixaria alguém de fora. E mesmo se a gente se reunisse em alguma oportunidade ainda faltaria o Fabinho, então nunca conseguiríamos ter o mesmo resultado.

Cenário atual do samba e pagode

Eu acho que tem coisas boas e ruins. O bom é que cada um está procurando fazer o seu disco, está buscando o seu som. Teve uma época no samba em que o mesmo produtor fazia tudo, e fazia tudo com os mesmos músicos e com as mesmas bandas. Então no fim era tudo igual, só trocava a voz. Mas agora isso deu uma bela mudada. Todo mundo estuda e sabe ler partitura. Todo mundo entra no estúdio. Profissionalizou muito, cada um tem o seu som. Você consegue diferenciar Thiaguinho de Rodriguinho e Sorriso Maroto de Revelação. E isso é incrível.

O que eu acho ruim são aquelas bandas que chegam e não respeitam a carreira dos outros. Eles chegam e não falam “poxa, quero cantar com Rodriguinho ou com Thiaguinho”. Eles falam “agora acabou Rodriguinho e Thiaguinho. Agora é a gente”. E não pode ser assim. Se o grupo Raça Negra não tivesse existido, por exemplo, o samba não teria se expandido tanto. Eles levaram o samba pra casa de todo mundo. Jeito Moleque também fez isso, eles levaram o samba pra uma classe social que talvez nunca fosse ouvir esse tipo de música. E isso nunca pode ser esquecido.

Biografia

Eu mesmo que estou escrevendo a minha biografia, já escrevi mais de 100 páginas. Mas tem muita história, sabe? Quando começo a escrever eu não paro mais. E eu falo tudo, tudo mesmo. Conto como me aproximei da música, sobre a minha aceitação na escola, sobre os meus relacionamentos, enfim, é muita coisa mesmo.

De polêmico eu falo sobre as mulheres que passaram pela minha vida, mas obviamente não cito alguns nomes. Não posso. Falo também sobre alguns desentendimentos com outros artistas e até que já eu fumei maconha – isso minha mãe vai ficar em choque, rs. 


Por Anna Thereza de Almeida

Atualizado em 15 Out 2013.

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