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Por Redação Guia da Semana

Neosertanejo

Com uma levada mais pop e voltado ao público jovem, o sertanejo ganha uma nova cara. Saiba mais sobre a trajetória desse ritmo que faz parte da cultura brasileira.

Foto: Divulgação

Com ar de roqueiro pop, Luan Santana desponta no mercado e enlouquece as adolescentes

Como acontece com a maioria dos estilos musicais, o sertanejo sofreu várias transformações ao longo da sua história. Quem conhece a moda caipira feita por Tonico e Tinoco na década de 30 mal pode imaginar que a dupla praticamente lançou o ritmo que hoje está na boca dos astros Victor e Leo e de Luan Santana, o menino estiloso de 19 anos que está ascensão da música sertaneja sem ter ao lado um parceiro, como pede a cartilha do gênero. Longe das festas de peão, o estilo musical invade casas noturnas de elite e atinge estudantes de classe alta.

Com mais de 80 anos de trajetória, o sertanejo passou por diversas fases. A primeira era do ritmo, protagonizada por Alvarenga e Ranchinho, Torres e Florêncio, Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, entre outros nomes, tinha uma forte característica rural e as letras falavam sobre o modo de vida do homem do interior. Depois, na década de 70, o gênero incorporou novos estilos e ficou mais romântico. Milionário e José Rico e Pena Branca e Xavantinho estavam entre os destaques na época.

Mas a grande explosão comercial aconteceu durante os anos 80. Em meio a uma tendência romântica que entoava versos de amor, surgiram inúmeras duplas que despontaram nas paradas brasileiras, como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, Chrystian e Ralf, Chico Rey e Paraná, João Mineiro e Marciano, Gian e Giovani. Muitos hits que marcaram a história do ritmo, como Fio de Cabelo, Pense em Mim, Entre Tapas e Beijos e Evidências chegaram às rádios nessa época.

Nova roupagem

Foto: Divulgação

A dupla de sertanejo universitário Erick e Léo pouco lembra o estilo caipira que deu origem ao sertanejo

Atualmente, o gênero vive uma fase mais pop, marcada pelo sertanejo universitário, que traz um som mais eletrificado e atinge o caubói moderno, morador da cidade grande. "Hoje o sertanejo é mais alegre, um som mais pra cima. O clima é de festa, quase uma micareta. Essa realidade é refletida inclusive nas letras. Onde ontem se chorava pela perda do amor, hoje se canta que 'a fila andou'. A linguagem agora é muito mais jovem, refletindo a vida do público fã do ritmo", diz o diretor artístico da Som Livre, Marcelo Toller.

Mas apesar de seguir uma linha mais pop e jovem, o sertanejo não abandonou suas raízes. "Todo artista, mesmo os 'universitários', fazem um set de moda de viola no meio do show. Esse sertanejo de raiz ainda tem muita identidade com os artistas e com o público. Quando os clássicos Telefone mudo ou Boate azul são tocados, o mundo cai. Os jovens bradam essas músicas como hinos de futebol", afirma Daniel Rigon, coordenador de shows da Som Livre. "Os novos artistas fazem questão de homenagear os grandes nomes da música sertaneja tradicional", completa.

Astros pop

Foto: Divulgação

"Hoje a gente faz um som sem medo de agredir o público. Isso é importante para a música", diz Marcos, da dupla Marcos e Belutti

Uma dupla que faz parte desse cenário universitário é Erick e Léo, cujo sucesso Locutor despontou nas paradas no interior paulista. "Hoje o sertanejo é influenciado por outros ritmos e estilos musicais, como axé, country, rock e samba, quebrando qualquer tipo de barreira. Essa nova sonoridade vem abrindo muitos espaços para novas duplas e agradando muito ao publico universitário", explica Léo. O cantor conta que as roupas também acompanharam essas mudanças. "O figurino também se modernizou. Mas tem muita gente que ainda prefere as botas, o chapéu e o cinturão".

A dupla Marcos e Belutti também vem ganhando espaço entre esse novo público. Marcos, que já está na vertente sertaneja há 11 anos, acompanhou e fez parte dessa evolução. "O sertanejo ficou mais com a cara da música latina. Acho que essa é a tendência internacional, e não só brasileira, em que o artista faz um som com o estilo próprio. Hoje em dia, cada dupla coloca a própria cara no seu CD. Isso é o que acontece nos EUA", diz. "Agora o som é bem mais simples para falar a linguagem do povo. As letras trazem gírias e termos populares. Isso também popularizou a música", completa.

O cantor diz que hoje o público é bem diferente daquele que acompanhava o sertanejo há alguns anos atrás. "Antes, quem frequentava os shows usava bota, chapéu e cinturão. Era um pessoal mais velho. Agora, as pessoas estão na faixa dos 20 e 30 anos. É um público que frequenta baladas mesmo. Nas apresentações, são poucos que estão de bota, chapéu e cinturão". Marcos conta que a frequência com que os artistas fazem shows também mudou. "Antigamente, uma dupla de médio porte não fazia show, pois não tinha campo. Hoje, uma dupla de médio porte não tem agenda", revela.

Atualizado em 6 Set 2011.

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