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Por Redação Guia da Semana

Orquestra Imperial: reinventando a tradição do samba

A big band carioca, que se tornou fenômeno mundial, engata turnê de lançamento do seu primeiro álbum.

Foto: Caroline Bittencourt

Em 2002, o Rio de Janeiro presenciou o ressurgimento dos grandes bailes carnavalescos de salão. Era a Orquestra Imperial que chegava como quem não quer nada nos palcos da cidade para promover nada menos do que folia. Dezenove amigos músicos sassaricavam na noite com seus trombones, baterias, tambores, guitarras, sintetizadores e belas vozes, reinventando e relembrando hits nacionais e internacionais de todas as épocas, tudo em ritmo de marchinhas e sambas.

Hoje, a brincadeira de carnaval se transformou em um dos álbuns mais elogiados pela crítica e lotou de shows a agenda da big band. Assim, sem qualquer pretensão, Carnaval Só No Ano Que Vem (Som Livre) chega às lojas do Brasil, Europa e Japão com 11 cantaroláveis faixas de pura malandragem do samba de gafieira, do choramingo da bossa nova, da sensualidade do bolero, do atrevimento tropicalista.

Fundado por Alexandre Kassin e Berna Ceppa, dois grandes produtores musicais do cenário nacional, o supergrupo se apresenta na casa de shows Citibank Hall, em São Paulo, na próxima quinta, dia 23 de agosto. No repertório, músicas do novo disco e sucessos de suas festas pré-carnavalescas. "Começamos a organizar os bailes pela satisfação de fazer algo que gostávamos juntos, e esse propósito se perpetua", explica o baterista da Orquestra, Domenico Lancelotti. "Selecionamos o que vamos tocar praticamente na hora, tudo depende do nosso espírito e é graças ao nosso entrosamento".

A nata da música brazuca

Foto: Divulgação
Thalma Freitas e Nina Becker, as únicas mulheres da rapaziada, assumem os microfones com o ex-Los Hermanos Rodrigo Amarante e Moreno Veloso. Enquanto os quatro crooners destilam no ambiente suas vozes contagiantes, um time de instrumentistas induz nossas pernas ao dois pra lá, dois pra cá: Alexandre Kassin (baixo), Berna Ceppas (teclado e percussão), Domenico Lancelotti (bateria), Stephane San Juan, Bodão e Leo Monteiro (percussão eletrônica), Nelson Jacobina, Bartolo e Pedro Sá (guitarra), Bidu Cordeiro e Mauro Zacharias (trombone), Pinaud (flauta), Max Sette (trompete e flugelhorn), Rubinho (teclado) e o mestre Wilson Neves (bateria), que substituiu Seu Jorge na trupe.

Dá para perceber em alguns sobrenomes que a vocação é de berço. Moreno Veloso, garoto de Caetano, por exemplo. O efeito nostálgico e ao mesmo tempo moderninho da obra-prima da Orquestra Imperial tem motivo: ele foi prazerosamente criado por quem tem um pé nas raízes sonoras de nossa cultura e o outro na versatilidade musical da atualidade.

"Sempre estivemos envolvidos com música de alguma forma e unir as experiências de cada um para montar a Orquestra foi gratificante demais", comenta. Domenico é filho de Ivor Lancelotti, compositor de músicas que viraram sucesso nas vozes de Clara Nunes, João Nogueira, Alcione, Roberto Ribeiro e Roberto Carlos (o hit Abandono é de sua autoria), e forma a banda +2 ao lado de Kassin e Moreno.

Um favor à cultura brasileira

Domenico: "o som da Orquestra é ´kaos´, como bem definiu Jorge Mautner"
Foto: Caroline Bittencourt

Com canções inéditas compostas pelos próprios integrantes da Orquestra Imperial e também em parceria com caras como Jorge Mautner e Délcio Carvalho, o álbum tem uma pegada mais leve que o repertório dos bailes. Mas nem por isso, menos enérgica. Quem já teve o deleite de ouvir a obra-prima do supergrupo, deve ter tomado aquele sustinho com o suavemente despudorado samba da Ereção.

"Uma cerveja, uma aguardente com limão/ Eu vou lá na gafieira, vai ser a maior curtição/ De madrugada uma rodada no salão/ Mas cuidado a brincadeira, pode causar ereção".


"Eu estava no ônibus quando me veio a letra na cabeça, mas eu não conseguia desenvolvê-la de jeito nenhum", conta Domenico, autor da primeira parte da canção fanfarrona. "Só sei que um dia fomos fazer um show em Ilhéus, na Bahia, e conseguimos finalizá-la no hotel. Fomos nós, Ney Matogrosso, Luiz Melodia e Beth Carvalho (que também estavam por lá) para o quarto da Sandra de Sá. Quem bebeu cerveja aquele dia ajudou a compor a música!", relembra em meio a risos.

Impossível não dar aquele suspiro apaixonado ao ouvir Rue de Mes Souvenirs, ambas sussurradas dengosamente por Thalma, que impressiona com o francês na ponta da língua nesta segunda canção. Ela assina e canta a Não foi em vão, mais uma daquelas de se perder nas nuvens. Outras como Yarusha Djaruba e Era bom têm o dom de nos transportar para uma praia caliente de Aruba ou para aquela mesa de calçada no botequim.

Domenico destaca que a entrada de Wilson Neves foi essencial para a banda. "Além de ser uma de nossas inspirações, ele é a experiência viva ´daquela´ época. E isso nos ajudou a começar a compor nossas próprias músicas, por exemplo. Não fazia sentido gravar o que cantávamos nos bailes, pois aquilo já era regravação". A cultura brasileira agradece.


Serviço
Orquestra Imperial
Onde: Citibank Hall - São Paulo
Quando: 23 de agosto
Horário: quinta, 21h30
Preço: R$ 35,00 (pista); R$ 60,00 (camarote)

Atualizado em 6 Set 2011.

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