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Por Redação Guia da Semana

Pânico no palco

Web 2.0 e indústria fonográfica têm de tudo um pouco, até demais. Oba!.

Foto: Divulgação
Keane


Segundo a mitologia grega, Pan era o deus da fertilidade. Como seu nome significava tudo, Pan passou a ser considerado um símbolo do universo e da natureza. O que hoje conhecemos como pânico tem sua origem no mito de que quem morava próximo às florestas, era perseguido por ele. Dessa forma, o temor irracional ficou conhecido como pânico. Medo de Pan, medo do tudo. É assim que me sinto hoje em relação à indústria fonográfica. Em pânico com tanta informação. Para quem aprecia boa música, dá trabalho acompanhar tudo sobre tudo, em busca de algo bom.

Refleti sobre isso diante do recente anúncio (do que restou) de Michael Jackson sobre os novos shows e a rapidez "schumacheriana" com a qual os fãs esgotaram os ingressos. Coloco Michael ao lado de Madonna, Prince, Stones. Revolucionários, capazes de vender milhões quando era necessário madrugar na loja para sair de lá com o disco. Pré-venda e pacotinho pelo correio eram impensáveis.


Não quero ser saudosista ("no meu tempo era supimpa, hoje, a música não tem nada que preste"). Não é por aí. Há pouco, o Keane (quem? Não, Keane, mesmo) tocou em São Paulo. Confesso que ouvi duas músicas deles. Achei-as monótonas. Mas sete entre as sete pessoas com as quais conversei me falaram que "foi o melhor show que eu assisti recentemente, o cara é simpático, o show é bom". Coloco na conta dois fãs convictos e dois gaiatos, o que dá um tom verossímil à crítica, creio eu.
 
Perguntei-me o porquê de eu não gostar de Keane (as duas canções sonolentas). Perguntei-me de novo porque não ouvi o resto do disco. Lembrei que, no mesmo dia, havia baixado a discografia do The Killers, do The Umbrellas (aliás, bela banda, fica aí a dica), Little Joy e George Strait. Confesso: não ouvi 20% disso. O pânico falou mais alto. Tentei ouvir tudo, acabei ouvindo (quase) nada. Deixei Keane passar, como um olheiro que dispensa o potencial de Garrincha por achar as pernas muito tortas.


Moral da história: se alguém quer ficar inteirado sobre música, peça demissão, divorcie-se e torne-se o eremita-Napster. Prepare-se para muito lixo, mas prepare-se para um Keane, pouco conhecido, incapaz de levar multidões a madrugar nas portas das lojas devido à concorrência e ao pânico (tudo) que nos bombardeia, mas possivelmente, um dos melhores shows feitos por aqui neste ano. Pânico? Que nada. Respire fundo, apure seu senso crítico, pois no final, terá valido a pena.


Leia as colunas anteriores de Rafael Gonçalves:


Grammy 2009 - Eu já sabia

Que Crise?

Quem é o colunista: Countryboy louco por Michael Jackson. Umroqueiro apaixonado por Big Bands. Um bluesman que ouve Haydn eStrauss para dormir.

O que faz: Jornalista do Guia da Semana, compositor, violonista e cantor.

Pecado gastronômico: Chocolates, churrasco (feito por mim) e molhode alho caseiro da vó!

Melhor lugar do Brasil: Qualquer um que comporte a equação praia +violão + amigos.

O que ele ouve no carro, em casa e no IPod: Darius Hucker, Fito yFitipaldis, Django Reinhardt.

Fale com ele: [email protected] acesse o site da sua banda!


Atualizado em 6 Set 2011.

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