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Por Redação Guia da Semana

Que crise?

A indústria fonográfica vai tão bem....

Foto: Getty Images


Todo mundo sabe que as bolsas de valores ao redor do mundo enlouqueceram. Falar em crise é chover no molhado. Vamos falar de um setor no qual (essa) crise não existe. Desde que foi inventada, a indústria fonográfica jamais experimentou mudanças como as da última década. Tudo começou a partir do Napster e culminou na Web 2.0, essa (maldita) novidade de internet participativa, na qual qualquer um que dedilha meia dúzia de acordes e balbucia interjeições desconexas vai parar na MTV, a indústria entrou em queda livre. Isso deixando de lado a questão da pirataria, o "comércio informal" que existe em cada esquina.

Confesso. Sou admirador de CDs. Ainda os compro, aos montes. Chamo-os de disco. O prazer de chegar em casa, percorrer a estante com meus 400 títulos e selecionar um deles, é arrebatadoramente mais animador do que as pastas amarelas que o Windows gentilmente nos cria para os MP3.

Para colocar mais lenha nessa minha paixão, dirigi-me a uma grande loja de varejo nessa semana. Não procurava nada específico, tinha apenas alguns nomes de artistas de meu gosto pessoal em mente. Encontrei algo. O mais novo disco de George Strait, Troubadour. Strait é um grande ícone do country music norte-americano. Passei o código de barras no feixe vermelho. O display decretou: "GEORGE STRAIT - TROUBADOUR - R$ 98".

Chocado, resolvi apenas baixar o disco. Sim. Recuso-me a pagar 25% do salário mínimo vigente em um CD. Já que estava na loja, aproveitei o ensejo e busquei outro título: Bruce Dickinson. Bem mais famoso que George Strait, certamente mais barato. O (maldito) display das barrinhas vermelhas decretou que não (aliás, eles deviam vir com um som de fundo, algo do tipo "na-na-ni-na-não"). R$ 107. Desisti de aumentar minha coleção e voltei ao trabalho.

É curioso e revoltante saber que a terceira maior indústria do mundo (só perde para a de itens bélicos e alimentos) continua faturando altíssimo em cima de terceiros. Remunera mal e escraviza os artistas. Cobra muito e maltrata os consumidores.

Arcaicos, os executivos da música não mudam. Nem o formato de distribuição, nem a quantidade de faixas, nem o acabamento final, nem o pós-venda (talvez oferecendo vantagens para o comprador do título). Nada. Compre, escute. Se não gostou... Problema seu! O dinheiro já é meu! Os preços altos (sob justificativa de assegurar lucro) geram a pirataria. E o ciclo vicioso se inicia. Aumenta-se mais, pirateia-se mais, vende-se menos. Vendendo-se menos, as perdas são repassadas para o consumidor final. E começa tudo de novo. O faturamento caiu? Claro. Mas até que ponto a real culpada por isso tudo não é a própria indústria?

Ps.: Aos que eventualmente gostem de country, recomendo (e muito) o álbum Troubadour, de George Strait. Ótimo trabalho do cantor, que chegou a ser comparado ao vinho pela rádio BX93.com: he just gets better with time (apenas fica melhor com o tempo). Country melódico e interpretativo, sem as irritantes steel guitars e agudos anasalados do gênero. Comprem (ou baixem). Mas lembrem-se: pirataria (obter lucro com o trabalho alheio) é crime!

Quem é o colunista: Countryboy louco por Michael Jackson. Um roqueiro apaixonado por Big Bands. Um bluesman que ouve Haydn e Strauss para dormir.

O que faz: Jornalista do Guia da Semana, compositor, violonista e cantor.

Pecado gastronômico: Chocolates, churrasco (feito por mim) e molho de alho caseiro da vó!

Melhor lugar do Brasil: Qualquer um que comporte a equação praia + violão + amigos.

O que ele ouve no carro, em casa e no IPod: Darius Hucker, Fito y Fitipaldis, Django Reinhardt.

Fale com ele: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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