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Por Redação Guia da Semana

Sombras nos holofotes

Veja como foi o show da banda lenda do rock New Model Army.

Foto: Ana Caselatto

Um desinformado que passasse em frente ao Citibank Hall, em São Paulo, em 17 de novembro não imaginaria que uma tradicional banda de rock estava agendada para tocar ali naquela noite, não fosse pela meia dúzia de pessoas uniformizadas na porta, com camisetas que as denunciavam. O show do New Model Army não encheu a casa de curiosos e fãs de última hora.

A terceira apresentação dos britânicos na capital pela turnê comemorativa dos 30 anos de carreira reuniu nada menos que devotos, os quais sabiam exatamente o que os esperava e estavam convictos de que faziam parte de um momento importante na história do grupo, liderado por Justin Sullivan. Ainda assim, para os integrantes não era uma imponente festa de gala. Mais parecia um encontro casual com velhos conhecidos. Enquanto parte do público aguardava no bar da esquina até que a casa abrisse, o guitarrista Marshall Gillo quase se misturava às pessoas em um passeio antes de subir ao palco.

A apresentação aconteceu com uma pontualidade europeia, às 22h10 - apenas dez minutos após o horário marcado. Justin entrou sozinho e deu início à primeira parte do show, semiacústica, com Better Than Them. Toda a plateia foi avisada sobre a estrutura das apresentações: seriam duas noites em que a banda tocaria mais de 50 músicas dos seus 13 álbuns, sem repetir nenhuma. As faixas estariam dividas em um ato inicial semiacústico (com cerca de 40 minutos) e outro "plugado" (de aproximadamente 1h40).

Estava avisado, mas era impossível evitar a curiosidade sobre como ficariam as versões em voz e violão para as pedradas do NMA. Apesar de o grupo geralmente ser associados às mensagens políticas que batem de frente com o imperialismo norte-americano, o que sobressaiu neste primeiro momento do show foi a sua outra característica, igualmente valorosa, que são as melodias inspiradas e acompanhadas por letras poéticas.

A partir da segunda faixa acústica, Turn Away, do projeto solo de Justin, o tecladista Dean White assumiu sua posição e engrossou belas composições como Higher Wall e Space. Com Fate, todos já estavam imersos no clima do show, mas, duas canções mais tarde, o vocalista anunciou de forma até simpática que haveria um intervalo de eternos 20 minutos. A espera foi compensada com a entrada efetiva de Peter Nelson no baixo, Michael Dean na bateria e o guitarrista Marshall que, junto a Justin e Dean, orquestraram uma maratona de músicas que nem os maiores veteranos em NMA do dia tinham ouvido ao vivo até então.

Alguns dos pontos altos da noite se devem a Vengeance, White Light, Today Is A Good Day, White Coats e à clássica 51st State. Mas absolutamente todas as músicas ganharam coro enérgico do público, como se fosse um show de hits.

Ninguém sairia imune dessa primeira noite. Se é que era possível olhar para o lado e encontrar alguém com punhos cerrados e braços erguidos, declamando o idealismo por trás de belas letras, era tão extasiante quanto estar diante de um dos maiores nomes do rock ainda em atividade. Justin, que conversou com o público ao longo de todo o show, percebeu a devoção do grupo seleto que o assistia naquela ocasião e brincou, como que para amenizar a saída dos integrantes do palco, dizendo em seu sotaque britânico carregado: "pelo visto teremos que tocar umas três mil músicas, mas amanhã voltaremos com um repertório completamente diferente".

Para aquele dia, as quase três horas de show haviam bastado. Depois de uma curta pausa, voltaram para o bis e tocaram outras quatro faixas que se juntaram a uma seleção respeitável (para dizer o mínimo) de 28 músicas.

Set list:
Parte acústica
Better Than Them
Turn Away
Dawn
Higher Wall
Drummy B
Space
Fate
Courage
Blue Beat

Show "plugado"
Over The Wire
Vengeance
White Light
Drag It Down
Wonderful Day To Go
Today Is A Good Day
A Liberal Education
Flying Through The Smoke
No Sense
51st State
Mambo Queen of The Sandstone City
Orange Tree Roads
High
White Coats
Green and Grey

Bis
These Words
Brother
Poison Street
Betcha

Quem é a colunista: Ana Caselatto.

O que faz: jornalista,fotógrafa e aspirante a turista profissional.

Pecado gastronômico: sorvete.

Melhor lugar do mundo: o da próxima viagem.

O que está ouvindo no iPod, mp3, radio: neste momento, os últimos álbuns do Editors e The National.

Fale com ela: [email protected] ou no twitter (@anacaselatto).


Atualizado em 6 Set 2011.

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