Guia da Semana

Na curva da Selic

Entenda como a taxa de juros do Banco Central influencia no rendimento de diversos produtos financeiros.



Para muitos é igual à final de campeonato. A cada 45 dias, o mercado para e aguarda a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) sobre a atualização da taxa Selic. Nas últimas "partidas", o movimento foi de estabilidade após uma progressiva redução nos últimos seis meses. A última reunião do órgão, realizada em 22 de outubro, manteve o índice em 8,75% e apontou tendência de aumento para o próximo ano.A estimativa é iniciar 2010 com a taxa em 10,5%.

A Selic determina, direta e indiretamente, o percentual de retorno de investimentos como CDB, poupança, letras do tesouro e até ações. Para lucrar mais, é fundamental acompanhar as "rodadas" do Copom. "Tanto o setor produtivo quanto o financeiro dependem de Selic para traçar suas estratégias de curto, médio e longo prazo", define o professor Sami Dana, da FGV-São Paulo.

Instrumento político e econômico

É pela taxa de juros que o Banco Central e o Governo Federal conseguem influenciar e controlar a entrada de fluxo de capitais e investimentos no país. Os dirigentes da instituição analisam a conjuntura econômica e política do Brasil e do mundo, levantam opiniões de diversos agentes financeiros de corretoras e bancos e divulgam essas considerações no boletim Focus, distribuído ao mercado antes da reunião do Copom.

De posse de todas as informações, os sete conselheiros participantes atualizam o índice máximo a ser aplicado nas operações financeiras realizadas no mercado brasileiro. "Mesmo sendo uma taxa anual, as periódicas revisões da Selic são um instrumento da política econômica do governo. Quando ela está em alta, a tendência do setor financeiro é aumentar as aplicações. Já quando indica baixa, esses recursos tendem a ser utilizados no setor produtivo", comenta o professor e consultor Frederico Turolla, da ESPM - São Paulo.



Essa ação política atinge diretamente os investimentos. A maioria das aplicações de renda fixa em títulos públicos, como Letras do Tesouro (LFT e LTN) e títulos da dívida, é indexada pela Selic. Já o CDB e CDI utilizam uma taxa média referenciada pela troca entre as instituições bancárias - quase sempre amparada e menor que a Selic.

Ações e demais produtos do mercado financeiro, como fundos multimercado e renda variável, não utilizam diretamente a Selic. No entanto, a taxa é fundamental para a análise financeira das aplicações. "O investidor faz uma conta que é chamada de custo de oportunidade. Ao fazer o investimento, ele pensa no risco e no retorno. Quando a Selic era altíssima, bastava aplicar em títulos da dívida. Hoje, com o índice abaixo dos 10% e o dinheiro mais barato, os investimentos ganharam diversidade e mercado de ações passou se desenvolver", destaca Dana, da FGV.

A tendência de queda da Selic mexeu inclusive com o mais popular produto do mercado financeiro. A Poupança, até então patinho feio entre as aplicações, passou a render mais que o CDB. A caderneta afere rendimento pela soma da TR (Taxa Referenciada) mais 0,5% do montante investido. Nos últimos três meses, a poupança rendeu quase 2% mais que os fundos referenciados pela taxa básica de juros. Outra diferença é que não há recolhimento de Imposto de Renda na Poupança, ao contrário dos outros produtos. Para evitar uma migração de grandes investidores para o segmento popular, o governo começou a debater alterações na caderneta.

Próximos passos

Com a expectativa de aumento da taxa para 2010, economistas e investidores apostam no crescimento dos investimentos em renda fixa. Diego de Aragão é um deles. "Quando percebo que há uma tendência de diminuição da taxa, estudo a diversificação de investimentos em fundos multimercado, que trabalham ao mesmo tempo com renda fixa e ações. Já com o aumento para 2010, vou analisar a possibilidade de aumentar o aporte no meu CDB", diz o analista financeiro de 27 anos.

Para não perder dinheiro, Aragão acompanha a decisão do Copom tanto os momentos anteriores como nos posteriores. Lê os relatórios de bancos e corretoras antes da reunião para visualizar tendências de mercado. Após a decisão, não deixa de conferir a ata do órgão, divulgada de três a quatro dias depois para compreender o posicionamento. "O importante é ler na Selic o humor do mercado e tirar o melhor proveito", destaca Aragão.

Atualizado em 10 Abr 2012.

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