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Páginas eletrônicas

E-readers e livros digitais disputam a atenção das editoras mundiais e brasileiras, mas ainda encontram rejeições por parte dos leitores.


Foto: Amazon.com

No último mês de maio, a Amazon anunciou uma nova versão de seu e-reader: o Kindle DX. O dispositivo eletrônico em formato deluxe tem a função de armazenar arquivos de leitura como os e-books - os chamados livros digitais. Na contramão dos atuais aparelhos tecnológicos, menores a cada nova versão, o Kindle DX chega com tela quase 50% maior, facilitando e tornando mais atraente a leitura.

Ainda que poucos acreditem na substituição do livro pelo e-book, muitos veículos de comunicação têm se aproveitado da situação, precavendo-se assim para o que o futuro reserva. Três grandes editoras dos Estados Unidos, especialistas em títulos acadêmicos, já disponibilizaram cópias on-line para compra. Os jornais The New York Times, Boston Globe e Washington Post também irão oferecer o aparelho em troca de novas assinaturas onde suas edições em papel não estejam disponíveis. Outros 37 periódicos podem ser lidos por meio do pagamento de US$ 10 mensais.

No Brasil, leitores como o Kindle estão longe de se tornar febre ou ultrapassarem a venda de livros. Ainda que não estejam com planos de e-books efetivos, as editoras brasileiras estão de olho no mercado externo, temendo um tombo inesperado. A indústria editorial não quer correr o mesmo risco que sofreu a indústria fonográfica, após a criação de programas como Napster e Kazaa.

Sites como o eBook Reader e o eBook Cult oferecem alguns títulos para venda e milhares de obras gratuitas. O portal Domínio Público traz também cerca de 70 mil obras para download gratuito.


Foto: Getty Images

Editoras procuram soluções

Na busca da adaptação à era digital, as editoras procuram novas possibilidades, muitas vezes tornando parte de seu conteúdo pronto para download. Um dos exemplos é a editora Nova Fronteira, que partiu para um acordo com a loja on-line Submarino e disponibilizou obras como Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, de João Ubaldo Ribeiro, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, para download. O próximo passo desejado é a criação de um portal para vendas de cópias digitais.

No ramo há cerca de 10 anos, a editora Melhoramentos oferece alguns de seus títulos para download na internet. É o caso do dicionário Michaelis para redes internas e do dicionário on-line Babylon, que pode ser acessado de qualquer computador. Mesmo a Livraria Cultura, por sua vez, mantém um acordo de pesquisa com o Google Book Serach, onde é possível pesquisar parte de títulos pertencentes à loja.

Outra a firmar esse contrato é a Editora Senac São Paulo. O acordo tem como objetivo potencializar a localização dos conteúdos de títulos do catálogo da editora na web e garantir visibilidade aos livros, já que o leitor pode acessar cerca de 20% de cada obra. "È uma forma de atingir um público potencial maior, que ultrapassa a livraria e os pontos tradicionais de venda, podendo também atingir leitores em diversos países", aponta Marcus Vinicius Barili Alves, gerente corporativo e editor.


Foto: Getty Images

De acordo com o gerente, a divulgação das obras por meio do Google Book Search garantiu um incremento nas vendas, com cerca de 10% de aumento. Para o futuro, a editora aguarda uma nova proposta do Google, intitulada Online Access. Pouco se sabe sobre o sistema, que parece garantir mais do que venda de livros digitais.

Empecilhos aos e-books e e-readers

Ainda que pareça ser uma boa saída para condensar autores e livros favoritos, uma pesquisa da consultora Deloitte (Media Predictions - TMT Trends), de 2008, apontou que um dos principais obstáculos para a doção do e-book é a profunda afeição que as pessoas possuem pelo tradicional livro de papel.

Para Marcus, outros fatores também atrasam a produção desse material no Brasil, como a pirataria, a má distribuição de renda e a baixa escolaridade. A proteção de conteúdos e a política de direitos autorais e editorais também são barreiras a serem superadas. "A exclusão digital enorme também é outro fator de restrição que, aliado ao baixo poder aquisitivo do brasileiro, ainda fará com que o processo digital ande em menor velocidade. Sem sequer R$ 35,00 no orçamento para comprar um livro, como conseguirá cerca de US$ 400,00 para comprar uma máquina e depois arrumar mais dinheiro para os conteúdos?", finaliza.

Atualizado em 17 Jul 2012.

Por Angela Miguel
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