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Por Redação Guia da Semana

Seremos capazes?

No fim do ano, falar de consumo é apropriado devido a tantas compras. Às vezes, o gasto é maior do que deveria e isso pode acarretar em diversas consequências para o planeta. É preciso encontrar respostas quando o problema está fora do controle.

Foto: Getty Images


Todos sabemos que a sobrevivência de uma organização resulta da capacidade em conquistar e fidelizar seus clientes. Rentabilidade, antes de ser um objetivo, é uma necessidade. Igualmente, não é nenhuma novidade que o planeta está sendo devastado vertiginosamente.

De acordo com a ONG WWF, para suportar o nível atual de consumo da humanidade, seria necessário um patrimônio biológico (biocapacidade) 30% maior do que a terra pode oferecer. O colapso do planeta é muito mais que uma preocupação ambientalista, é uma realidade que está sendo ignorada pela maioria dos seres humanos.

Diante de um simples retrato do cenário contemporâneo, fica a pergunta: nós seremos capazes de transformar o ato de comprar em "consumo consciente"? Respeitadas ONGs no Brasil ou espalhadas pelo mundo nos alimentam de informações, conhecimento e provas de que não teremos condições de continuar no ritmo em que nos encontramos. Mas nós sabemos disso e, consequentemente, já temos consciência. Então o que está faltando?

Falta entrarmos em uma região mental que não é regida pela consciência, que é o inconsciente. Entretanto, a neurociência já está se aventurado pelas regiões desconhecidas da mente e o neuromarketing também. O rastreamento mental proporcionado pela neurociência e que presta serviço ao marketing, oportuniza um mapeado não propriamente do inconsciente, mas das reações e motivações das pessoas.

Comprar por imitação - sem ter a menor consciência disso - é obra dos neurônios-espelho que aliados a dopamina levam o sujeito a tomar uma decisão de compra em 2,5 segundos. A dopamina é uma das substâncias mais viciantes e prazerosas, tornando o ato de comprar uma experiência quase orgástica. O neuromarketing, sabendo disso, investe bilhões para descobrir como nós podemos ser acionados em nossas supostas vontades e prazeres para comprarmos mais. Em função disso, as marcas não disputam mais espaços nas prateleiras, mas lutam por um espaço nas nossas mentes, o share of mind não é uma expressão do marketing, é uma realidade de todos os consumidores. Porém o efeito é muito mais inconsciente que consciente.

Além disso, sabemos que se um dos eixos da sustentabilidade é a viabilidade econômica, o outro é o cuidado com o meio ambiente e como podemos ser agentes de um consumo consciente se estamos sendo capturados pelo inconsciente? Um dos caminhos é analisarmos quais são os motivos que nos levam ao consumismo: é a busca pelo prazer? É evitar o desprazer? É a tentativa de terceirizar segurança ou valor próprio? Afinal, o que buscamos nas lojas e que não estamos encontrando dentro de nós?

Quem é o colunista: Márcia Tolotti

O que faz: divide seu tempo entre a clínica psicanalítica, os livros que escreve e a empresa Moddo Conhecimento Estratégico.

Melhor lugar do mundo: primeiro: todos os que está com a família reunida e depois Giudecca.

Pecado gastronômico: as massas que ela própria prepara.

Fale com ela: [email protected]

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Atualizado em 6 Set 2011.

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