Guia da Semana

“Aventuras de Pi” é lição sobre fé na vida

Filme transmite valores como coragem, determinação e otimismo

O filme “As aventuras de Pi”, baseado no livro “A vida de Pi” (Ed. Rocco), de Yann Martel, parece mais do que apenas uma narrativa de sobrevivência. A história traz, em seus 127 minutos de duração, uma enxurrada de simbolismos sobre destino, sentido da vida, fé e a capacidade de lidarmos com nossos próprios traumas de forma positiva. Não é a toa que o já maduro Pi, logo no começo da narração, defina sua jornada em alto-mar como uma "história para acreditar em Deus", ao invés de uma mancha negra em seu passado.

+ Veja como é a arte de envelhecer ao lado de quem se ama
+ Confira as semelhanças que a astrologia destaca entre alguns filmes

Isso, aliás, mostra um pouco das diferenças essenciais entre a cultura ocidental e oriental. O adolescente indiano, ao invés de tentar esquecer o que aconteceu - por mais dramática que a experiência tenha sido - procura dar um significado maior ao seu passado. Isso provavelmente faz dele não só uma pessoa mais forte, mas igualmente serena, como mostram seus sorrisos doces e o leve humor com o qual conta uma história tão difícil.

Além das belas atuações, pode-se dizer que grande parte do trunfo do filme encontra-se no bom gosto do diretor Ang Lee, que nos envolve no clima indiano, com suas músicas, paisagens, deuses e filosofias. Ele mostra com lirismo como um jovem indiano pode sobreviver por meses no Oceano Pacífico sem perder a fé, principalmente na companhia de um adorável e também assustador tigre, chamado "carinhosamente" de Richard Parker.

Pi e sua mensagem de força

Desse modo, o que poderia ser mais uma sucessão de imagens de desespero, medo, revolta, tristeza e terror - tão comuns em filmes desse tipo - se torna uma sequência exuberante de belas imagens, que mais elevam o espírito do que nos leva à tristeza. Este fato chega a ser curioso, pois antes do naufrágio Pi não tinha uma religião definida. Após um período de experimentações na infância, ele praticamente se ocidentalizou, por assim dizer, quando passou a seguir a filosofia da razão e da ciência de seu pai. A partir daquele momento, toda a magia da vida praticamente se perdeu para o personagem. Paradoxalmente, foi necessária uma tragédia para que sua fé e seu deslumbramento com a natureza retornassem intensamente.

Na verdade, é comovente assisti-lo agradecendo a toda pequena dádiva, assim como a própria presença de Richard Parker, o tigre, que apesar de uma constante ameaça, era também uma espécie de foco motivacional que o fazia não perder de vista seu propósito. Afinal, Pi  até poderia morrer, mas como deixar um outro ser vivo, que depende de você, sucumbir por negligência?

“As aventuras de Pi” se aproxima muito das lendas e fábulas que tanto gostávamos de ouvir quando crianças. Afinal, essas histórias transmitem grandes mensagens de coragem, força, determinação e otimismo, mesmo se vemos nossos personagens preferidos nas mais complicadas situações. Talvez nós temos a certeza de que eles conseguirão superar tudo, pois geralmente estes heróis e heroínas são marcados por algum sinal do destino que os impulsiona para sua saga e, ao mesmo tempo, é o que os salva do perigo.

Por isso, é interessante notar que uma pessoa marcada com um nome tão curioso quanto Piscine Molitor Patel - em homenagem a uma piscina pública francesa - tenha vivido fascinado pelo elemento Água, ao ponto de ficar admirado com tempestades ou saber nadar muito bem. Ou seja, o que na infância foi motivo de chacota dos colegas de escola, na juventude tornou-se o detalhe essencial entre vida e morte.

O valor de ser quem você é

O que podemos tirar de lição disso, portanto, é que nós também, tal como Pi, temos muitas coisas que nos definem, mas das quais podemos nos envergonhar por não se ajustar ao grupo. Porém, como não podemos ser nada além do que somos, entender isso e aceitar nossa singularidade é que o de fato nos torna mais resilientes aos problemas da vida. Por outro lado, a história também nos mostra que, mesmo nos piores momentos, não precisamos nos desesperar, nem transbordar em sofrimento ou lamentações, pois podemos escolher ser flexíveis, humildes e pacientes.

No fim, sejam boas ou más as experiências, nada dura para sempre e é preciso deixar ir aquilo que não nos serve mais. Curiosamente, mesmo na dor, nos apegamos a tudo que nos lembra aquele sofrimento e ficamos revivendo-o eternamente. E isso, eventualmente, nos faz prisioneiros do passado. Nada mais sábio, então, que nos libertarmos para viver uma nova vida, limpos e prontos para novas aventuras.

 

VANESSA MAZZA

Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, é taróloga há mais de 15 anos. Estuda as abordagens desta prática, com o fim de decifrar a complexidade humana, abrangendo em suas consultas temas como feng shui, i ching, astrologia e numerologia. 

Atualizado em 11 Fev 2014.

Por Vanessa Mazza
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

10 Filmes da seleção de Cannes que você vai querer ver em 2017

Biografia de Godard e novos filmes de Michael Haneke e Roman Polanski são destaques no festival

Filmes exibidos em Cannes têm desconto no streaming no mês de maio

Now e ITunes fazem promoção cinéfila para acompanhar o festival

26 remakes ou reboots que você nem acredita que estão nos planos de Hollywood

"Os Pássaros", "A Mosca" e "Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado" estão entre os filmes que podem ganhar novas versões nos cinemas

“Corra!” – terror sobre preconceito racial é uma das melhores coisas que você verá nos cinemas neste ano

Filme de Jordan Peele estreia no dia 18 de maio nos cinemas

7 Filmes imperdíveis que chegam aos cinemas em maio

"Corra!" e "Alien: Covenant" chegam aos cinemas neste mês

“Gostosas, Lindas e Sexies” – Sex and the City à brasileira chega aos cinemas com elenco plus-size

Filme estreia nesta quinta, 20 de abril