Guia da Semana

Com Frozen, Disney recupera prestígio perdido nos anos 2000

Estúdio pode estar vivendo “3ª Era de Ouro” coroada com sucesso de bilheterias

Em nove semanas, Frozen – Uma Aventura Congelante arrecadou mais de US$ 760 milhões em bilheterias mundiais e nem uma semana se passou sem que o filme figurasse entre os cinco mais vistos nos EUA. O fenômeno já está sendo comparado ao sucesso de O Rei Leão nos anos 90 e levanta uma questão: será esta a 3ª Era de Ouro da Walt Disney?

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Com os lançamentos de A Princesa e o Sapo em 2009, Enrolados em 2010 e Detona Ralph em 2012, o estúdio voltou ao ringue em pé de igualdade com outras gigantes como Pixar (Universidade Monstros) e Dreamworks (Como Treinar seu Dragão), depois de uma década nas sombras.

Mais do que filmes de qualidade, a Disney tem refletido tendências de comportamento e parece ter, finalmente, conseguido conciliar seu passado de sucesso com uma visão consistente de futuro. Frozen mostrou isso ao público, trazendo de volta elementos clássicos como os príncipes e princesas em situações inesperadas: o par romântico não é mais essencial; os protagonistas não querem “voltar para casa” nem "vencer o mal", mas provocar mudanças no mundo. Quebrar seus próprios clichês é a missão da “nova Disney”.

Frozen

Justiça seja feita: desde o lançamento de A Branca de Neve e os Sete Anões em 1937, a Disney nunca deixou de ser referência em animações. Da maçã envenenada ao Hakuna Matata, a companhia passou por décadas incontestada no reino mágico do cinema. Nos últimos anos, porém, as coisas não andavam tão otimistas.

Os anos 2000 não foram a primeira vez que o estúdio de animação enfrentou uma crise. Desde os anos 60, época em que faleceu o criador da empresa, a corporação viveu momentos de pânico. Sem um pulso firme para direcionar a equipe criativa e com a saída de parte dos animadores para trabalhar na concorrência (alguns ao lado de Steven Spielberg, um dos principais nomes da Dreamworks), o que se viu foi um enfraquecimento das bilheterias, seguido de um hiato dos grandes lançamentos até as vésperas da década de 90.

O “Renascimento”, como ficou conhecido o período que se seguiu, chegou ao auge em 1994 com o lançamento de O Rei Leão, maior bilheteria da história das animações (quase US$ 1 bi). Se a primeira fase de sucesso havia sido construída sobre releituras de contos infantis, desta vez a tendência eram protagonistas exóticos e heroicos (A Pequena Sereia, Alladin e Mulan vieram nessa época).

O Rei Leão, Disney

Foi nesse mesmo período, porém, que outras marcas começaram a agitar o mercado, uma delas em particular. Originalmente criada como uma divisão da LucasFilm, a Pixar lançou em 1995 um divisor de águas na história dos filmes animados: Toy Story, o primeiro longa totalmente computadorizado no mundo, dirigido por John Lasseter.

Pela primeira vez desde sua criação em 1923, a Disney precisou se preocupar seriamente com a concorrência. A reação veio em duas formas distintas e igualmente desastrosas. Primeiro, o então CEO Michael Eisner investiu numa linha de home vídeo que incluiu sequências dos maiores sucessos em aventuras padronizadas e produzidas às pressas (A Pequena Sereia 2, O Rei Leão 2, Cinderela 2...). Depois, tentou copiar a rival, lançando aventuras com visual "tecnológico", mas sem apelo emocional, como Dinossauro e Planeta do Tesouro.

Toy Story, Pixar

Nesse ponto, a Disney já havia incorporado uma dezena de marcas menores e a solução surgiu naturalmente: comprar a concorrente. A produtora de Monstros S. A. e Procurando Nemo pôde manter sua autonomia criativa e a Disney passou a cuidar da distribuição, enquanto trabalhava em novos filmes em seu próprio estúdio. Com a manobra, Lasseter se tornou diretor criativo da empresa de Walt e, aos poucos, o equilíbrio foi sendo restabelecido na casa do Mickey Mouse.

Ao contrário do que se poderia temer, a nova fase da Disney não minou a evolução da Pixar, mas impulsionou as duas líderes a aprimorarem a técnica (como no perfeccionismo das texturas de Valente, da Pixar, e no curta-metragem Paperman, da Disney, que mesclou 2D e 3D de forma mais natural). Em termos de conteúdo, a Pixar viria a ficar conhecida por lançar dramas mais adultos do que infantis, como Wall-E e Up – Altas Aventuras.

Para as crianças menores, porém, o cinema parecia reservar apenas franquias obscenamente comerciais e comédias fáceis, com raras exceções (como a aventura feminista Valente – uma espécie de prelúdio a Frozen – e a própria franquia Monstros, ambos da Pixar).

Frozen conseguiu juntar o melhor do espírito provocador da Pixar e da experiência narrativa da Disney, causando, por isso, um estrondo tão grande. Pode ser cedo para apostar, mas sua chegada carrega expectativas de que as crianças de hoje se lembrarão, daqui a dez anos, de obras cinematográficas que formaram seu caráter, como foram os clássicos para seus pais. Ou, pelo menos, é isso que esses pais esperam da Disney para os próximos anos.

Atualizado em 26 Jan 2014.

Por Juliana Varella
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