Guia da Semana

Crítica: Alicia Vikander e Eddie Redmayne entregam performances inesquecíveis em “A Garota Dinamarquesa”

Filme estreia no dia 11 de fevereiro nos cinemas

Eddie Redmayne mal teve tempo de curtir seu primeiro Oscar, que ganhou pelo papel do físico Stephen Hawking em 2015, e já mergulhou num projeto igualmente desafiador. Em “A Garota Dinamarquesa”, o ator britânico vive o primeiro transgênero a realizar a cirurgia de redesignação de sexo, na Europa dos anos 20.

Apesar de ter tudo para ser mais um filme convencional sobre superação e luta contra preconceitos, o longa de Tom Hooper (“Os Miseráveis”) segue por um caminho bastante original: seu foco não é a sociedade, mas sim a vida íntima de Einar/Lili (Redmayne) e sua esposa Gerda (Alicia Vikander).

Hooper constrói duas histórias paralelas de emancipação: de um lado, Lili desabrocha de dentro para fora de Einar, afastando-o do trabalho de pintor que o definia perante os outros homens; enquanto, do outro, Gerda se encontra como artista e se liberta, mesmo que contra sua vontade, da dependência emocional do marido. O equilíbrio entre os dois, mantido com muito esforço, é o que move este filme.

Vikander foi uma das atrizes mais requisitadas de 2015 (ela está também em “Ex Machina”, “O Agente da U.N.C.L.E. e “Pegando Fogo”) e sua presença, de fato, faz a diferença em “A Garota Dinamarquesa”. Gerda é forte o suficiente para não perder o próprio rumo durante a transformação do marido e sensível o suficiente para compreendê-lo, levantando ao público questões importantes sobre o sentido do casamento e os limites entre amor, amizade e desejo.

“A Garota Dinamarquesa” foi indicado a quatro Oscars – além de Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante (indicação injusta, considerando que o filme segue o ponto de vista de Gerda), também Design de Produção e Figurino. Esta última indicação faz todo o sentido, já que os tecidos têm um papel essencial na narrativa: das meias aos lenços, são eles que despertam em Lili o desejo pelo feminino. Vesti-los começa como uma brincadeira, evolui para um ato erótico e, em pouco tempo, torna-se uma necessidade.

Com atuações belíssimas e uma cenografia que parece saída de um dos quadros de Einar, o filme envolve e surpreende, chegando muito perto de ser uma obra perfeita. Quinze minutos, entretanto, podem mudar tudo quando se trata de cinema. Após fechado o arco de Gerda, Hooper insiste em acompanhar Lili num epílogo sombrio e prolongado, que simplesmente não se encaixa no restante. Ao ganhar uma última virada, o poder transformador do filme se esvai, como num trágico toque de mágica, para o buraco negro dos dramas previsíveis. Foi por muito pouco.

 

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Atualizado em 19 Fev 2016.

Por Juliana Varella
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