Guia da Semana

Crítica: Tom Hardy vive soldado russo em “Crimes Ocultos”

Filme explora assassinatos ignorados durante o regime stalinista

O ator britânico Tom Hardy nunca esteve tão em alta. Depois de incorporar o vilão Bane em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” e de viver uma nova versão do herói Max em “Mad Max: Estrada da Fúria”, ele encara um personagem bem mais ambíguo em “Crimes Ocultos”, que estreia no Brasil em 21 de maio.

O filme, dirigido por Daniel Espinosa, aborda diversos temas polêmicos numa tacada só: o pano de fundo é o regime stalinista na União Soviética e o protagonista é um dos muitos órfãos da grande fome imposta pelo ditador aos países vizinhos, convertido a soldado. A trama ainda envolve assassinatos em série e faz referências à perseguição de homossexuais. Surpreendentemente, tudo isso consegue se amarrar de alguma forma antes dos créditos finais.

Hardy interpreta Leo, um soldado da MGB que tenta fazer seu trabalho sem provocar mortes desnecessárias, mesmo que tenha que interrogar, agredir ou fazer tortura psicológica para capturar supostos espiões. Ao seu lado, o oficial Vasili (Joel Kinnaman) segue a linha oposta, executando civis na frente de crianças apenas para “dar o exemplo”.

Leo nunca pensou seriamente no que significa ser um membro da MGB, por isso, se espanta ao perceber que as pessoas ao redor têm medo dele, inclusive sua esposa Raisa (Noomi Rapace). A ficha começa a cair quando seu afilhado morre em circunstâncias suspeitas, e o governo abafa o caso como sendo um “acidente”. “Não há assassinatos no paraíso”, repetem os oficiais, defendendo o ideal de perfeição da sociedade socialista.

A morte do menino acaba sendo seguida por outras, atraindo a atenção do protagonista, cada vez mais disposto a encontrar o assassino dentro daquele “paraíso”. Paralelamente, um incidente envolvendo Raisa provoca grandes mudanças para o casal, impulsionando novas atitudes diante do caso. 

“Crimes Ocultos” tem um início confuso, mas desenvolve lentamente um personagem complexo e palpável, fruto de uma política e de um exército em transição. A escolha de um serial killer como alvo da investigação principal faz o filme escorregar para alguns clichês de gênero, mas, por outro lado, afasta-o da mesmice dramática dos filmes de pós-guerra. 

O elenco – em especial, Hardy e Gary Oldman, como um comandante – faz a diferença, garantindo consistência aos conflitos inter-pessoais, mesmo quando o contexto soa um pouco forçado. O filme promete agradar a quem procura um bom drama histórico com um toque de ação, para agitar o final de semana.

Atualizado em 14 Mai 2015.

Por Juliana Varella
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