Guia da Semana

“É possível fazer cinema de qualidade para o grande público”, afirma diretor do Festival Varilux

Christian Boudier conversou com o Guia da Semana sobre o cinema francês, a transição para o digital e o público brasileiro

Começa no dia 9 de abril a quinta edição do Festival Varilux de Cinema Francês. Este ano, a organização do evento vai levar sua programação a 45 cidades do país, além de trazer convidados internacionais para palestras em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Guia da Semana conversou com o diretor do festival, Christian Boudier, para saber como foram escolhidos os filmes, quais são as expectativas para este ano e entender como anda o mercado de cinema francês no Brasil e no mundo.

Confira a entrevista:

 

Como foi feita a seleção de filmes para a edição deste ano?

A seleção está bastante variada: incluímos comédia, ação, suspense... Queremos quebrar a imagem intelectual do cinema francês, trazendo filmes que se encaixam no gosto do público brasileiro. Também tivemos a intenção de apoiar as distribuidoras, impulsionando filmes que irão estrear depois nos cinemas.

 

Nos últimos anos, temos recebido muitas mostras de cinema francês no Brasil. Por que você acha que esses filmes fazem tanto sucesso aqui?

O público vê o cinema francês como um cinema “da resistência”, que oferece um contraponto aos grandes lançamentos americanos, como “Capitão América”, que vai sair durante o festival.

Hoje, o que se vê no Brasil são os extremos: o cinema autoral para poucos; e o cinema comercial, mas fraco e padronizado, para a massa. Queremos mostrar que é possível fazer cinema de qualidade para o grande público, como foi "Intocáveis" em 2012, que foi um fenômeno. Na França, o modelo mais importante hoje não está em nenhuma das pontas, mas é o do filme “médio” - que consegue ter o retorno financeiro sem deixar de ser autoral. 

 

Você está à frente do festival desde 2010, e desde então ele cresceu muito. Houve um aumento também no público de cinema francês de lá para cá?

O cinema francês conseguiu consolidar sua presença no mercado brasileiro – não exatamente crescer, mas se manter vivo no interesse do público. Este é um momento particularmente difícil porque estamos vivendo a transição do filme de 35mm para o digital, e dos cinemas de rua para os de shoppings.

É difícil para filmes franceses, de menor audiência, conseguirem espaço em cinemas de shoppings. Por outro lado, também é difícil para um festival como o Varilux conseguir exibir filmes em cidades menores que ainda trabalham com 35mm – sendo que, na França, tudo já está digitalizado.

 

Você percebe alguma tendência temática no cinema francês atual?

É curioso que, na seleção deste ano, há uma grande quantidade de filmes que falam sobre a separação dos casais – a crise, o reencontro, tudo relacionado à crise conjugal. Esse tema já aparece há algum tempo, mas está mais concentrado, pelo menos nos filmes do festival.

O cinema francês sempre falou muito da realidade, das relações humanas... Isso causa um efeito-espelho no público, que se identifica com os protagonistas. Talvez por isso ele seja tão diferente do americano, com seus super-heróis...

 

Quais são suas apostas para o Festival Varilux este ano?


Estamos trazendo ao Brasil o verdadeiro fenômeno de 2013, que foi “Le Garçons et Guillaume, à Table” (“Eu, Mamãe e os Meninos”, em português). É uma comédia muito divertida de Guillaume Gallienne que teve 2,5 milhões de espectadores na França. Outra aposta é a comédia “Juíza Sem Juízo”, de Albert Dupontel, muito engraçada. Também destaco o drama “Le Passé” (“O Passado”), de Asghar Farhadi...

 

Falando em “O Passado”, por que um filme dirigido por um iraniano está no festival?

O filme é francês, apesar do diretor. A protagonista é uma atriz muito popular na França, Bérénice Bejo (“O Artista”), o filme se passa na França e é falado (quase totalmente) em francês. Isso é uma característica interessante do cinema francês: ele abraça outras nacionalidades. Farhadi, como você deve imaginar, tem muita dificuldade para filmar no Irã, por isso a França serviu como um refúgio e deu as condições para que ele pudesse fazer seu trabalho.

Por outro lado, (Jean-Pierre) Jeunet está lançando um filme feito nos EUA e falado em inglês (“Uma Viagem Extraordinária”), então você vê a mistura.

 

Quais são as expectativas de público para este ano?

Estamos otimistas, estimamos 100 mil espectadores nesta edição. A divulgação está maior que nos outros anos, o site está bombando e acabamos de confirmar a vinda de Isabelle Huppert, o que é uma grande conquista. Acho que o festival vai servir de alternativa para quem quiser fugir da invasão de filmes americanos que virão em abril.

 

Atualizado em 31 Mar 2014.

Por Juliana Varella
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